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Trabalhadores protestam em SP após desligamentos em massa no Itaú

Avatar de Fernanda Ramos Fernanda Ramos · · 3 min de leitura
Pessoas aglomeradas em um protesto, com destaque ao braço de uma pessoa negra que está com a mão fechada simbolizando resistência

As demissões em massa no Itaú desencadearam uma forte reação nesta quarta-feira (17/9). Centenas de trabalhadores se reuniram em frente ao Centro Empresarial da instituição, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, em um ato convocado pelo Sindicato dos Bancários.

O movimento acontece menos de dez dias após o desligamento de cerca de mil funcionários, medida que gerou críticas de trabalhadores, parlamentares e entidades de classe.

Com faixas, cartazes e gritos de ordem, os manifestantes bloquearam as entradas do prédio, o que impediu a entrada de alguns empregados. A Polícia Militar acompanhou a movimentação para evitar conflitos, enquanto dirigentes sindicais discursavam contra as medidas adotadas pelo banco.

Leia mais: Itaú mantém demissões e descarta reintegração de bancários

O que motivou as demissões no Itaú

itaú
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

De acordo com a instituição financeira, os cortes foram motivados por “problemas de produtividade”, principalmente entre trabalhadores em regime de home office. Em nota, o Itaú informou que identificou funcionários que cumpriam apenas cerca de 20% da jornada, mas ainda assim registravam horas extras.

O banco afirmou que os desligamentos foram “criteriosos e individualizados”, baseados em dados concretos sobre discrepâncias entre a jornada registrada e a atividade digital.

Segundo a instituição, a média de produtividade digital em home office gira em torno de 75%. Alguns dos desligados, porém, estavam abaixo de 40%, o que teria configurado “quebra de confiança”.

Sindicato promete reação na Justiça

Para o Sindicato dos Bancários, as demissões em massa no Itaú foram ilegais e desrespeitaram a categoria. A entidade afirma que não foi comunicada previamente, como exige a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“Um banco que lucra bilhões não pode tratar trabalhadores como números descartáveis. O Itaú desrespeitou regras básicas de proteção ao emprego”, declarou o sindicato em nota.

A entidade já acionou a Justiça e pede a reversão dos desligamentos. Além disso, acusa o banco de “atacar direitos e ignorar a negociação coletiva”.

Lucros bilionários em contraste com cortes

O protesto ganhou ainda mais força devido ao contraste entre as demissões e os resultados financeiros da instituição. Apenas no último semestre, o Itaú registrou lucro superior a R$ 22 bilhões. Para os trabalhadores, não há justificativa econômica para os cortes.

Segundo o sindicato, as medidas refletem uma política de gestão que privilegia resultados em detrimento das condições de trabalho.

Repercussão nas redes sociais

Logo após os desligamentos, relatos começaram a circular nas redes sociais. Postagens mencionavam que parte dos demitidos ligava os computadores, mas não mantinha uma rotina de trabalho constante.

A situação dividiu opiniões. Enquanto alguns defendiam a necessidade de controle e eficiência, outros destacavam a dificuldade de mensurar produtividade em home office.

Ministério Público do Trabalho abre investigação

Mulher chorando depois de ser demitida da empresa. Ela está empacotando os seus pertences no escritório enquanto os outros funcionários a observam.
Imagem: fizkes/ shutterstock.com

O caso chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) após representação da deputada federal Erika Hilton (PSol). O órgão determinou prazo de dez dias para que o Itaú apresente documentos sobre as demissões, incluindo a lista de desligados.

“É absurdo que um banco explore, se aproveite e depois ainda difame trabalhadores publicamente. Isso precisa ser investigado”, escreveu a parlamentar em suas redes.

A investigação pode resultar em ações civis ou em recomendações para que a instituição reveja seus processos internos.

Debate sobre produtividade no home office

A crise também reabre o debate sobre o futuro do trabalho remoto no setor financeiro. Especialistas lembram que, desde a pandemia, bancos e empresas enfrentam desafios para monitorar equipes e definir métricas justas de produtividade.

O Itaú afirma que os padrões adotados são adequados e compatíveis com a rotina da maioria dos trabalhadores. O sindicato, por sua vez, critica o que considera a fiscalização excessiva e desumana.

Com informações de: Metrópoles

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