As demissões em massa no Itaú desencadearam uma forte reação nesta quarta-feira (17/9). Centenas de trabalhadores se reuniram em frente ao Centro Empresarial da instituição, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, em um ato convocado pelo Sindicato dos Bancários.
O movimento acontece menos de dez dias após o desligamento de cerca de mil funcionários, medida que gerou críticas de trabalhadores, parlamentares e entidades de classe.
Com faixas, cartazes e gritos de ordem, os manifestantes bloquearam as entradas do prédio, o que impediu a entrada de alguns empregados. A Polícia Militar acompanhou a movimentação para evitar conflitos, enquanto dirigentes sindicais discursavam contra as medidas adotadas pelo banco.
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O que motivou as demissões no Itaú

De acordo com a instituição financeira, os cortes foram motivados por “problemas de produtividade”, principalmente entre trabalhadores em regime de home office. Em nota, o Itaú informou que identificou funcionários que cumpriam apenas cerca de 20% da jornada, mas ainda assim registravam horas extras.
O banco afirmou que os desligamentos foram “criteriosos e individualizados”, baseados em dados concretos sobre discrepâncias entre a jornada registrada e a atividade digital.
Segundo a instituição, a média de produtividade digital em home office gira em torno de 75%. Alguns dos desligados, porém, estavam abaixo de 40%, o que teria configurado “quebra de confiança”.
Sindicato promete reação na Justiça
Para o Sindicato dos Bancários, as demissões em massa no Itaú foram ilegais e desrespeitaram a categoria. A entidade afirma que não foi comunicada previamente, como exige a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
“Um banco que lucra bilhões não pode tratar trabalhadores como números descartáveis. O Itaú desrespeitou regras básicas de proteção ao emprego”, declarou o sindicato em nota.
A entidade já acionou a Justiça e pede a reversão dos desligamentos. Além disso, acusa o banco de “atacar direitos e ignorar a negociação coletiva”.
Lucros bilionários em contraste com cortes
O protesto ganhou ainda mais força devido ao contraste entre as demissões e os resultados financeiros da instituição. Apenas no último semestre, o Itaú registrou lucro superior a R$ 22 bilhões. Para os trabalhadores, não há justificativa econômica para os cortes.
Segundo o sindicato, as medidas refletem uma política de gestão que privilegia resultados em detrimento das condições de trabalho.
Repercussão nas redes sociais
Logo após os desligamentos, relatos começaram a circular nas redes sociais. Postagens mencionavam que parte dos demitidos ligava os computadores, mas não mantinha uma rotina de trabalho constante.
A situação dividiu opiniões. Enquanto alguns defendiam a necessidade de controle e eficiência, outros destacavam a dificuldade de mensurar produtividade em home office.
Ministério Público do Trabalho abre investigação

O caso chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) após representação da deputada federal Erika Hilton (PSol). O órgão determinou prazo de dez dias para que o Itaú apresente documentos sobre as demissões, incluindo a lista de desligados.
“É absurdo que um banco explore, se aproveite e depois ainda difame trabalhadores publicamente. Isso precisa ser investigado”, escreveu a parlamentar em suas redes.
A investigação pode resultar em ações civis ou em recomendações para que a instituição reveja seus processos internos.
Debate sobre produtividade no home office
A crise também reabre o debate sobre o futuro do trabalho remoto no setor financeiro. Especialistas lembram que, desde a pandemia, bancos e empresas enfrentam desafios para monitorar equipes e definir métricas justas de produtividade.
O Itaú afirma que os padrões adotados são adequados e compatíveis com a rotina da maioria dos trabalhadores. O sindicato, por sua vez, critica o que considera a fiscalização excessiva e desumana.
Com informações de: Metrópoles
