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Questões de ciências do Pisa colocam conhecimento à prova; veja se você acertaria

Você conseguiria acertar questões de ciências elaboradas para estudantes de 15 anos? O Pisa 2025, avaliação internacional coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trouxe exercícios que vão de perguntas básicas a problemas que exigem interpretação e raciocínio científico. Na edição mais recente, o Brasil ficou em 67º lugar em ciências entre […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Pisa

Você conseguiria acertar questões de ciências elaboradas para estudantes de 15 anos? O Pisa 2025, avaliação internacional coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trouxe exercícios que vão de perguntas básicas a problemas que exigem interpretação e raciocínio científico.

Na edição mais recente, o Brasil ficou em 67º lugar em ciências entre 91 países avaliados. Os resultados foram divulgados pela OCDE em 8 de setembro.

Para entender melhor o nível das questões, confira abaixo cinco exercícios selecionados da prova. Há perguntas sobre biodiversidade, insetos, fenômenos físicos e impactos ambientais.

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Questões mais fáceis

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

1. Biodiversidade: análise de gráfico

O gráfico apresentado na avaliação mostra a porcentagem de espécies que estão sob risco de extinção em diferentes grupos.

Qual das seguintes afirmações é sustentada pelos dados do gráfico?

  • a) A porcentagem de espécies em risco de extinção é igual para as coníferas e para as aves.
  • b) A porcentagem de espécies em risco de extinção é menor para os mamíferos do que para os outros grupos de espécies.
  • c) A porcentagem de espécies em risco de extinção é maior para os anfíbios do que para os outros grupos de espécies.
  • d) A porcentagem de espécies em risco de extinção é maior para as tartarugas marinhas do que para os outros grupos de espécies.

A questão parece simples, mas exige atenção aos dados. O estudante precisa comparar as informações do gráfico e identificar qual conclusão pode realmente ser tirada a partir dele.

2. Mosca-soldado-negra: por que as larvas trocam de cobertura?

A questão apresenta o ciclo de vida da mosca-soldado-negra e pergunta sobre uma característica do desenvolvimento das larvas.

Por que as larvas trocam sua cobertura corporal externa?

  • a) Elas passam a se alimentar de pedaços maiores de alimento à medida que crescem.
  • b) Elas crescem rapidamente e ficam grandes demais para sua cobertura corporal.
  • c) Elas são muito ativas e sua cobertura corporal fica danificada.
  • d) Elas crescem tanto que sua coluna vertebral não consegue mais sustentá-las.

A resposta depende da compreensão de como funciona o exoesqueleto dos artrópodes. Como essa estrutura externa é rígida, ela não cresce continuamente junto com o corpo do animal. Por isso, a larva precisa realizar a chamada muda, deixando a antiga cobertura para continuar crescendo.

Fáceis, mas com um degrau a mais

3. Trovões: por que o relâmpago é visto primeiro?

Antes da pergunta, a prova apresenta algumas informações:

  • o relâmpago é uma descarga eletrostática natural produzida na atmosfera;
  • o trovão é o som causado pelo rápido aquecimento do ar durante a ocorrência de um raio;
  • o clarão do relâmpago é visto imediatamente;
  • o trovão é ouvido um pouco depois, dependendo, entre outros fatores, da distância até o local onde ocorreu o raio.

Qual das afirmações explica melhor por que o relâmpago é visto antes de o trovão ser ouvido?

  • a) A velocidade da luz no ar é maior do que a velocidade do som no ar.
  • b) A luz não precisa se deslocar pelo ar para ser vista.
  • c) As partículas de luz são mais leves que as partículas de som.
  • d) Os olhos detectam a luz mais rapidamente do que os ouvidos detectam o som.

A explicação está na diferença entre as velocidades de propagação. A luz viaja muito mais rapidamente do que o som, por isso o clarão chega aos nossos olhos antes que o barulho do trovão chegue aos nossos ouvidos.

É também por esse motivo que é possível perceber que uma tempestade está distante quando existe um intervalo maior entre o relâmpago e o trovão.

4. Mosca-soldado-negra: o que acontece com as moscas domésticas?

A avaliação apresenta outra situação envolvendo a mosca-soldado-negra.

Texto de apoio: as moscas-soldado-negras às vezes são consideradas benéficas porque se alimentam de outros insetos, como a mosca doméstica (Musca domestica).

Pergunta: o que acontecerá com uma população de moscas domésticas se a população de moscas-soldado-negras aumentar?

A questão não apresenta alternativas. O estudante precisa formular a própria resposta.

Se as moscas-soldado-negras se alimentam das moscas domésticas, o aumento da população desses predadores tende a provocar uma redução na população das moscas domésticas, considerando que as demais condições permaneçam iguais.

O exercício avalia a capacidade de estabelecer uma relação de causa e efeito a partir das informações fornecidas no próprio enunciado.

A questão mais difícil

5. Fabricação de roupas: como reduzir os impactos ambientais?

A produção de roupas pode gerar diferentes impactos ambientais. O algodão, por exemplo, é uma fibra natural e se biodegrada mais facilmente do que fibras sintéticas, mas seu cultivo pode exigir grandes quantidades de água, fertilizantes, pesticidas e outros produtos químicos.

A prova apresenta esse contexto e pergunta:

Quais ações podem reduzir os impactos ambientais negativos da produção de tecidos de algodão? Selecione todas as corretas.

1. Usar a água de forma mais eficiente.

2. Reduzir a qualidade dos tecidos de algodão produzidos.

3. Aumentar o número de funcionários empregados pelas fazendas de algodão.

4. Usar pesticidas que sejam prejudiciais apenas às espécies de pragas que estão sendo combatidas.

5. Descartar resíduos químicos em áreas distantes dos locais envolvidos na produção de algodão.

Aqui, o estudante precisa analisar quais alternativas realmente enfrentam os problemas ambientais apresentados.

A primeira medida é adequada porque reduz o desperdício de água. A quarta também pode diminuir os impactos sobre organismos que não são o alvo do pesticida.

Já as outras alternativas não resolvem diretamente os problemas apresentados. Produzir tecidos de menor qualidade, por exemplo, não reduz necessariamente o consumo de água ou de produtos químicos. Da mesma forma, simplesmente levar resíduos químicos para outro local não elimina o risco de contaminação.

Gabarito: quantas você acertou?

Confira as respostas:

1. C — A porcentagem de espécies em risco de extinção é maior entre os anfíbios, de acordo com os dados apresentados.

2. B — As larvas crescem e ficam grandes demais para a cobertura corporal externa.

3. A — A velocidade da luz no ar é muito maior que a velocidade do som.

4. A população de moscas domésticas tende a diminuir, porque o aumento das moscas-soldado-negras aumenta a pressão sobre a população de presas.

5. 1 e 4 — Usar a água de maneira mais eficiente e utilizar pesticidas que atinjam especificamente as pragas combatidas.

O que o Pisa realmente testa?

As questões mostram que a avaliação não se limita à memorização de conceitos.

Em diferentes exercícios, o estudante precisa interpretar gráficos, identificar relações de causa e efeito, compreender fenômenos físicos e avaliar possíveis soluções para problemas ambientais.

Essa característica é central para a avaliação de ciências do Pisa. O objetivo é verificar se o conhecimento científico pode ser utilizado para compreender situações reais, e não apenas se o aluno consegue reproduzir uma definição aprendida em sala de aula.

A pergunta sobre o trovão é um exemplo. O estudante não precisa apenas saber o que é um relâmpago: precisa relacionar o fenômeno observado à diferença entre a velocidade da luz e a do som.

Por que alunos de 15 anos fazem o Pisa?

O Pisa avalia estudantes de aproximadamente 15 anos de diferentes países e economias participantes. A escolha dessa idade está relacionada ao período próximo ao final da educação básica obrigatória em muitos sistemas de ensino.

A avaliação procura medir até que ponto os estudantes conseguem aplicar conhecimentos e habilidades em situações que podem aparecer fora da escola.

Por isso, os exercícios podem envolver temas como meio ambiente, saúde, tecnologia, fenômenos naturais e situações do cotidiano.

Qual foi o desempenho do Brasil em ciências?

No Pisa 2025, o Brasil ficou em 67º lugar em ciências entre 91 países avaliados.

O resultado permite comparar o desempenho dos estudantes brasileiros com o de outros sistemas educacionais participantes, mas o ranking não deve ser analisado isoladamente.

A pontuação média, a distribuição dos estudantes pelos níveis de proficiência e a evolução dos resultados ao longo das diferentes edições ajudam a compreender melhor as dificuldades encontradas pelos alunos.

Afinal, você passaria no teste?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

As cinco questões mostram que alguns conhecimentos cobrados pelo Pisa estão presentes em situações bastante comuns.

Saber interpretar um gráfico, entender por que uma larva troca de exoesqueleto, explicar o intervalo entre um relâmpago e o trovão ou identificar medidas ambientalmente adequadas exige mais do que decorar informações.

O principal desafio é usar o conhecimento para chegar a uma conclusão.

Se você acertou as cinco, especialmente a questão sobre a produção de algodão, foi muito bem. Se errou alguma, não significa necessariamente que desconheça o assunto: questões desse tipo também exigem leitura cuidadosa e capacidade de interpretar exatamente o que está sendo perguntado.

Conclusão

As questões do Pisa 2025 mostram que aprender ciências vai muito além de decorar fórmulas, conceitos ou definições. Em diferentes níveis de dificuldade, os estudantes precisam interpretar informações, relacionar causas e consequências e aplicar o conhecimento científico a situações do cotidiano.

O teste também revela que assuntos como biodiversidade, fenômenos naturais e impactos ambientais exigem raciocínio e atenção aos detalhes. Se você conseguiu resolver boa parte das perguntas, já pode considerar que passou por um desafio próximo ao nível cobrado de estudantes de 15 anos na avaliação internacional.

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