O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) formalizou um pedido à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) solicitando a revisão da decisão que autorizou a ampliação da atuação da Starlink no Brasil. A empresa de internet via satélite, controlada pela SpaceX de Elon Musk, recebeu recentemente o aval da agência reguladora para operar com uma nova constelação de satélites de segunda geração, com previsão de lançamento de até 7.500 unidades.
Anatel recebe pedido de partido para cancelar expansão da Starlink no Brasil
O PSOL protocolou pedido à Anatel para reconsiderar a expansão da Starlink no Brasil, alegando riscos à soberania nacional e à concorrência.
A medida é vista com preocupação pelo partido, que enxerga riscos à soberania nacional, à segurança da informação e à competitividade do setor de telecomunicações.
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Entenda o pedido do PSOL
No documento enviado ao Conselho Diretor da Anatel, o PSOL argumenta que a autorização concedida à Starlink viola o princípio da soberania nacional, ao permitir a expansão de uma infraestrutura crítica de origem estrangeira sem o devido controle estatal. Segundo o partido, o acórdão que embasou a decisão da Anatel deve ser anulado ou reconsiderado.
A crítica se baseia no fato de que a operação da Starlink se dá por meio de uma constelação global de satélites com baixa órbita (LEO), que fornecem internet de alta velocidade e baixa latência. O partido teme que a ausência de salvaguardas regulatórias adequadas permita que dados e informações de usuários brasileiros sejam transmitidos e processados fora do país, escapando do alcance das leis nacionais.
Citação do pedido oficial
“Do ponto de vista material, há indícios de que o Acórdão impugnado viola o princípio da soberania nacional, por permitir a expansão de uma infraestrutura crítica estrangeira sem salvaguardas adequadas de controle pelo Brasil”, declarou o PSOL no requerimento enviado à agência.
Faixas de frequência e concorrência: novos pontos de tensão
Além da questão da soberania, o PSOL destacou outro aspecto sensível da decisão da Anatel: a autorização para o uso de novas faixas de frequência, incluindo as bandas Ka, Ku e E. Segundo o partido, a Starlink deveria ter solicitado um novo processo de homologação e não uma simples expansão de licença.
Reações do setor de telecomunicações
Empresas brasileiras do setor de telecomunicações também se manifestaram contrárias à decisão. Para elas, a autorização ampliada sem revisão completa dos critérios técnicos e regulatórios compromete a equidade na concorrência.
As operadoras alegam que as novas bandas de frequência utilizadas pela Starlink poderiam interferir nos serviços já em funcionamento no país. Isso criaria um cenário de insegurança técnica e jurídica, prejudicando investimentos e inovações locais.
O impacto sobre o mercado nacional
O avanço da Starlink pode, segundo críticos, acelerar a concentração de mercado em torno de grandes empresas internacionais, em detrimento de provedores regionais e iniciativas públicas. Embora a proposta da Starlink prometa ampliar o acesso à internet em regiões remotas, os opositores temem que os lucros e o controle da infraestrutura escapem do alcance nacional.
Starlink: o que é e como opera no Brasil

A Starlink é um serviço de internet via satélite desenvolvido pela SpaceX, empresa fundada por Elon Musk. Sua proposta é oferecer conectividade global, com foco em áreas rurais ou de difícil acesso, onde operadoras tradicionais não chegam com fibra óptica.
Expansão acelerada
Desde sua entrada no Brasil, em 2022, a Starlink tem expandido sua base de usuários. Com a nova autorização da Anatel, a empresa poderá aumentar consideravelmente sua cobertura e capacidade, utilizando milhares de satélites de segunda geração em órbita terrestre baixa.
Vantagens tecnológicas
Entre os diferenciais da Starlink estão:
- Alta velocidade de conexão, mesmo em regiões isoladas;
- Baixa latência, o que permite videoconferências e jogos online;
- Independência de infraestrutura terrestre, ideal para áreas com infraestrutura precária.
Apesar dos benefícios técnicos, a ausência de regulamentação específica para esse modelo de operação levanta questionamentos legais e estratégicos, principalmente sobre privacidade e controle de dados.
O que diz a Anatel
Até o momento, a Anatel não se pronunciou oficialmente sobre o pedido do PSOL. Contudo, durante o processo que resultou na autorização para a Starlink, a agência já havia admitido a necessidade de atualizar os marcos regulatórios relacionados à internet via satélite.
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Em nota anterior, a Anatel afirmou que o Brasil precisa de uma regulamentação moderna para lidar com os novos modelos de conectividade e que a expansão da Starlink foi aprovada com base nos critérios técnicos disponíveis.
Falta de transparência?
Críticos também apontam que a decisão da agência foi tomada sem ampla consulta pública, o que teria enfraquecido a legitimidade do processo. O PSOL defende que futuras decisões envolvendo infraestrutura crítica estrangeira sejam precedidas de debates públicos e pareceres técnicos independentes.
Debate público e cenário político
A ação do PSOL reacende discussões sobre a relação entre soberania e tecnologia no Brasil. A presença de empresas estrangeiras em setores estratégicos como energia, telecomunicações e transportes tem sido alvo de debates há décadas.
No Congresso, parlamentares de diferentes espectros políticos já se manifestaram sobre a necessidade de regras claras para tecnologias emergentes, como redes de satélites, inteligência artificial e armazenamento de dados em nuvem.
Repercussões esperadas
O pedido de revisão apresentado à Anatel pode desencadear:
- Audiências públicas sobre a regulação da internet via satélite;
- Pressão legislativa para revisão das normas do setor;
- Ações judiciais, caso a agência não acate a solicitação do PSOL.
O que está em jogo?

A discussão vai além da atuação da Starlink. Está em jogo o futuro da infraestrutura digital do Brasil, que envolve:
- Segurança da informação, com riscos de dados sensíveis deixarem o território nacional;
- Autonomia regulatória, com decisões locais sendo influenciadas por interesses estrangeiros;
- Inclusão digital, com necessidade de conciliar inovação tecnológica com justiça social.
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