A recente escalada da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou mais um capítulo, agora no campo político e jurídico. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), protocolou nesta segunda-feira (21) um pedido formal ao Banco Central (BC) para que identifique empresas e pessoas físicas que supostamente lucraram com operações cambiais suspeitas na véspera do tarifaço anunciado por Donald Trump sobre produtos brasileiros.
PT quer que BC revele quem lucrou com dólar antes do tarifaço
PT quer que BC identifique quem lucrou com dólar antes do tarifaço de Trump sobre o Brasil. Entenda.
Segundo denúncia veiculada pela TV Globo, uma única pessoa ou grupo teria comprado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões poucas horas antes do anúncio das tarifas, revendendo dólares logo depois com um ganho expressivo, aproveitando a disparada da moeda. As operações levantam a suspeita de uso de informação privilegiada, o chamado insider trading, que é crime no Brasil.
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A operação bilionária que acendeu o alerta

A reportagem revelou que as transações ocorreram no dia 18 de julho, quando o dólar estava cotado a R$ 5,46. Menos de três horas depois, já sob o impacto do tarifaço anunciado por Trump, a cotação saltou para R$ 5,60, garantindo um lucro rápido e milionário ao comprador.
Para Lindbergh, as circunstâncias sugerem que alguém teve acesso antecipado à decisão política dos EUA e se beneficiou indevidamente no mercado de câmbio brasileiro. Ele cita no pedido que operadores internacionais, como o gestor da Tolou Capital Management, já haviam alertado publicamente para indícios de movimentações atípicas nesse dia.
A lei brasileira sobre uso de informação privilegiada
O uso de informações não públicas para obter vantagens financeiras configura crime de manipulação de mercado no Brasil, previsto na Lei do Mercado de Valores Mobiliários e passível de penas severas.
Por isso, o PT defende que as operações acima de R$ 500 mil realizadas naquele dia sejam investigadas, e os resultados enviados a órgãos competentes como Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público Federal (MPF) e Supremo Tribunal Federal (STF).
Envolvimento da AGU e inquérito do STF
O pedido do líder petista ocorre na esteira de uma iniciativa semelhante da Advocacia-Geral da União (AGU), que já solicitou ao STF que as operações sejam incluídas no inquérito que apura irregularidades atribuídas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Segundo a AGU, os fatos relatados podem indicar não só obstrução da Justiça, já apurada, mas também ganhos financeiros ilícitos por meio da exploração de informações confidenciais. O gabinete do ministro da Justiça Jorge Messias também pediu que a Procuradoria-Geral Federal cobre prioridade da CVM para a apuração do caso.
Suspeita atinge política e economia

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O episódio expõe não apenas um possível crime financeiro, mas também coloca sob suspeita as conexões políticas que podem ter alimentado a operação. Segundo a AGU, os indícios precisam ser apurados em profundidade para entender se houve uma relação entre a antecipação do tarifaço, as investigações sobre Eduardo Bolsonaro e a manobra no mercado cambial.
Se comprovada, a manipulação pode ter implicações sérias para a credibilidade do sistema financeiro brasileiro e para a reputação do país junto a investidores internacionais.
Próximos passos da investigação
O Banco Central ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido do PT, mas o mercado já aguarda sinais da instituição sobre a abertura ou não de uma auditoria interna. A CVM e o Coaf também devem ser acionados para identificar as corretoras e os beneficiários finais das operações.
Há expectativa de que as investigações caminhem em parceria com órgãos internacionais, já que os Estados Unidos são parte central do episódio e a movimentação cambial pode ter transitado por instituições financeiras no exterior.
Com informações de: O TEMPO
