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BC revela: concessões de empréstimo caem em fevereiro, enquanto estoque de crédito cresce

Banco Central informa que concessões de crédito caíram 1,2% em fevereiro. Juros sobem e inadimplência avança.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Governo banco central

O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira (9) os dados atualizados do mercado de crédito referentes a fevereiro de 2025. O relatório revela uma queda de 1,2% nas concessões totais de empréstimos no país, em comparação com o mês anterior. Apesar disso, o estoque total de crédito registrou leve crescimento de 0,4%, atingindo o montante de R$ 6,487 trilhões.

A retração nas concessões ocorre principalmente no segmento de crédito com recursos livres, enquanto o volume de empréstimos com recursos direcionados — geralmente voltados a políticas públicas — apresentou alta significativa no período. A inadimplência e os juros também seguiram trajetória de alta, acendendo o alerta para o custo do crédito e a sustentabilidade do endividamento das famílias e empresas brasileiras.

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom /Shutterstock.com

Panorama geral do mercado de crédito em fevereiro

Concessões de crédito total recuam 1,2%

De acordo com o Banco Central, as concessões totais de crédito — soma de financiamentos contratados no mês — recuaram 1,2% em fevereiro, sinalizando uma desaceleração da atividade de crédito no país.

Esse movimento reflete, em parte, a cautela de bancos e consumidores diante de juros ainda elevados e incertezas econômicas internas e externas.

Estoque de crédito sobe 0,4%

Apesar da queda nas novas concessões, o estoque total de crédito — valor total em operações de empréstimos ativas — aumentou 0,4%, alcançando R$ 6,487 trilhões. Isso demonstra que, embora o ritmo de contratação tenha diminuído, o volume financeiro de operações existentes ainda mantém crescimento, possivelmente puxado por operações de longo prazo ou repactuações de dívida.

Desempenho por categoria: recursos livres e direcionados

Crédito com recursos livres: queda de 3%

Os empréstimos com recursos livres, que representam operações com taxas e condições livremente definidas entre instituições financeiras e clientes, apresentaram queda de 3,0% nas concessões em fevereiro.

Esse grupo inclui linhas como:

  • Crédito pessoal;
  • Cartão de crédito rotativo;
  • Cheque especial;
  • Empréstimos para capital de giro.

A retração nesse segmento pode estar associada ao aumento da inadimplência e ao encarecimento do crédito, como detalhado mais adiante.

Recursos direcionados sobem 19,1%

Na contramão, as operações com recursos direcionados — que seguem normas e destinações estabelecidas pelo governo, como crédito rural, habitacional e estudantil — cresceram 19,1% nas concessões de fevereiro.

Esse aumento pode estar relacionado à liberação de verbas públicas, sazonalidades específicas do setor agrícola ou habitacional, além de programas de incentivo como o novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Juros sobem no crédito livre; crédito direcionado tem leve alívio

fachada do Bancos Central do Brasil, com letras e logotopo metálicos na cor cinza sobre uma parede de concreto cinza claro empréstimos nome
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Taxa média do crédito livre sobe para 43,7%

A taxa média de juros nas operações com recursos livres passou de 42,2% para 43,7% ao ano, o que representa um aumento de 1,5 ponto percentual em apenas um mês. Essa alta pressiona diretamente o custo de financiamentos de consumo e de capital de giro para empresas, dificultando a retomada do crédito em massa.

Juros no crédito direcionado recuam para 11,2%

No caso dos recursos direcionados, houve queda de 0,8 ponto percentual, com os juros passando de 12,0% para 11,2% ao ano. A diferença entre os dois segmentos evidencia o impacto das políticas públicas em segurar os custos para setores estratégicos.

Inadimplência avança e preocupa instituições

Crédito livre tem inadimplência de 4,5%

A taxa de inadimplência no crédito com recursos livres subiu de 4,4% para 4,5% em fevereiro. O índice considera atrasos superiores a 90 dias e demonstra a dificuldade que muitos consumidores enfrentam para manter as obrigações financeiras em dia.

Esse aumento pode estar relacionado:

  • Ao alto custo das linhas de crédito;
  • Ao endividamento das famílias;
  • À lenta recuperação do mercado de trabalho.

Crédito direcionado mantém estabilidade

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No segmento de recursos direcionados, a inadimplência segue mais controlada, refletindo o perfil de menor risco e a presença de garantias em muitas dessas operações, como é o caso de financiamentos imobiliários.

Spread bancário se amplia

Diferença entre custo de captação e taxa final sobe

Outro dado relevante do relatório do Banco Central é o aumento do spread bancário — a diferença entre os juros cobrados dos clientes e o custo de captação dos bancos.

Nos recursos livres, o spread subiu de 28,1 para 29,7 pontos percentuais em fevereiro. Esse dado reforça o desafio do consumidor em conseguir crédito acessível, mesmo em um cenário de inflação controlada e queda gradual da Selic.

O que pode explicar os movimentos de fevereiro?

Mistura de fatores internos e externos

A dinâmica registrada em fevereiro é resultado de diversos fatores combinados:

  • Juros ainda elevados: embora a Selic esteja em processo de redução, a taxa básica ainda está em patamar elevado, inibindo o consumo financiado;
  • Cautela dos bancos: instituições financeiras seguem seletivas na concessão de crédito, diante da alta inadimplência e incertezas no ambiente econômico;
  • Impactos externos: oscilações no mercado global e eventos geopolíticos também impactam a liquidez e o apetite por risco;
  • Desaceleração econômica: os sinais de crescimento moderado da economia também refletem na demanda por crédito, especialmente no setor privado.

Tendências para os próximos meses

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Queda da Selic pode aliviar o mercado de crédito

Com o ciclo de redução gradual da Selic pelo Banco Central, é possível que haja um alívio nos juros ao longo dos próximos meses. Isso pode:

  • Reduzir o custo dos financiamentos;
  • Estimular a tomada de crédito por famílias e empresas;
  • Ajudar a conter a inadimplência.

No entanto, o movimento tende a ser lento e gradual, uma vez que o sistema financeiro ainda absorve os efeitos de políticas monetárias mais restritivas nos últimos dois anos.

Imagem: Rafastockbr/Shutterstock

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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