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Queda do cacau não alivia preço do chocolate na Páscoa

Mesmo com a queda do cacau, chocolate segue caro na Páscoa. Entenda os motivos e quando os preços podem cair.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
cacau

Apesar da queda expressiva no preço do cacau no Brasil e no mercado internacional, o consumidor brasileiro continua enfrentando valores elevados nas prateleiras nesta Páscoa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o preço do chocolate em barra e dos bombons acumulou alta de 24,8% nos últimos 12 meses até meados de março.

O cenário chama atenção porque, no campo, o movimento é exatamente o oposto. Produtores da Bahia recebem cerca de R$ 167 por arroba, valor muito inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando a cotação chegou a R$ 718. No Pará, a situação também evidencia forte queda, com o quilo sendo negociado por aproximadamente R$ 9,50, frente aos R$ 44 do ano passado.

Por que o preço não caiu?

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Compras antecipadas da indústria

A principal explicação para esse descompasso está na dinâmica de compra da indústria. Especialistas do mercado apontam que as empresas do setor adquirem matéria-prima com antecedência de seis a doze meses.

Isso significa que os chocolates vendidos nesta Páscoa foram produzidos com cacau comprado quando os preços estavam em níveis históricos elevados, chegando a custar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada.

Essa defasagem entre compra e venda impede que a queda recente do cacau tenha impacto imediato no preço final ao consumidor.

Recuperação de margens da indústria

Outro fator relevante é o comportamento estratégico das indústrias. Após anos de margens apertadas causadas pela escassez global de cacau, empresas do setor estão priorizando a recomposição de lucros.

Analistas do agronegócio avaliam que, diante desse contexto, a tendência é que as companhias segurem repasses de redução de custos até estabilizar sua rentabilidade. Na prática, isso prolonga o período de preços elevados no varejo.

O que causou a alta?

Problemas climáticos e quebra de safra

O aumento expressivo dos preços do cacau em 2024 foi impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e produtivos. Países africanos como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por grande parte da produção mundial, enfrentaram eventos climáticos adversos ligados ao El Niño.

Secas prolongadas e chuvas fora de época prejudicaram as lavouras, além do avanço de pragas e doenças. No Brasil, a produção também foi impactada, contribuindo para a redução da oferta global.

Disputa internacional pela matéria-prima

Com a escassez, mercados de maior poder aquisitivo, como Europa e Estados Unidos, passaram a competir de forma mais agressiva pelo cacau disponível. Esse movimento pressionou ainda mais os preços, afetando países importadores como o Brasil.

A indústria nacional depende majoritariamente da produção interna, mas cerca de 20% da matéria-prima utilizada vem do exterior, o que amplifica os efeitos das oscilações globais.

Por que o preço caiu?

Recuperação da produção global

A partir do segundo semestre de 2024, o cenário começou a mudar. A melhora das condições climáticas favoreceu a recuperação das lavouras, resultando em aumento da produção mundial.

Relatórios de mercado indicam que a safra 2024/25 cresceu cerca de 11%, encerrando um ciclo de três anos consecutivos de déficit global. Esse aumento na oferta contribuiu diretamente para a queda dos preços pagos aos produtores.

Redução da demanda industrial

Outro fator importante foi a queda na demanda. Com o cacau em níveis recordes, a indústria passou a adaptar suas fórmulas, reduzindo a quantidade de manteiga de cacau e substituindo o ingrediente por outras gorduras vegetais.

Além disso, houve redução no tamanho de produtos, estratégia comum para conter custos sem elevar ainda mais os preços finais. Com menor necessidade de matéria-prima, as moageiras diminuíram as compras, pressionando os preços no campo.

Quando o chocolate pode ficar mais barato?

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Para que isso aconteça, é necessário que:

  • Os preços internacionais do cacau permaneçam em níveis mais baixos
  • A produção global continue em recuperação
  • A indústria conclua o ciclo de recomposição de margens

Somente após esses fatores se consolidarem é que o consumidor poderá perceber uma redução mais significativa nos preços nas prateleiras.

Impactos para produtores e protestos no Brasil

Enquanto o consumidor ainda paga caro, produtores enfrentam dificuldades com a forte queda na renda. Em regiões da Bahia, agricultores chegaram a realizar protestos, incluindo bloqueios de rodovias, para chamar atenção para a crise no setor.

As reivindicações incluem maior controle sobre a importação de cacau e medidas de proteção ao produtor nacional. Em resposta à pressão, o governo chegou a suspender temporariamente a importação de cacau de determinados países africanos, alegando riscos sanitários.

Cenário aponta para normalização gradual

O mercado de cacau passa por um processo de ajuste após um período atípico de escassez e preços elevados. A tendência é de normalização, mas em ritmo lento.

Para o consumidor, isso significa que o alívio no bolso não será imediato. Já para o produtor, o desafio será atravessar um período de preços baixos até que a demanda volte a se equilibrar.

Considerações finais

A queda no preço do cacau não se traduziu em chocolate mais barato nesta Páscoa devido a fatores estruturais da cadeia produtiva, como compras antecipadas e estratégias da indústria. Ao mesmo tempo, o mercado global ainda se ajusta após um período de forte escassez.

A expectativa é de que os preços comecem a cair gradualmente ao longo do ano, mas o consumidor ainda deve enfrentar valores elevados no curto prazo.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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