A moeda norte-americana encerrou o primeiro semestre de 2025 com um dos piores desempenhos dos últimos anos. No fechamento do dia 30 de junho, o dólar caiu para R$ 5,43, o menor valor desde setembro de 2024. O recuo foi influenciado por uma combinação de fatores externos e domésticos, além da crescente desconfiança global sobre a condução da economia dos Estados Unidos.
Dólar despenca 12% em 6 meses, descubra o que vem no próximo semestre
Dólar fecha primeiro semestre de 2025 em queda global, com valorização do real e cenário externo favorável.
A queda de 12,07% no semestre, aliada ao recuo mensal de 4,99% e à baixa trimestral de 4,76%, representa uma reversão em relação ao forte avanço registrado em 2024, quando a moeda acumulou alta de 27,34% frente ao real.
Leia mais:
Dólar atinge R$ 5,42, menor cotação desde agosto de 2024

O que está por trás da queda do dólar em 2025?
1. Perda de confiança global nos EUA
De acordo com a consultoria LCA, um dos principais motores da desvalorização do dólar tem sido a desconfiança crescente do mercado em relação à economia americana, marcada por:
- Incertezas fiscais
- Ameaças protecionistas do governo Trump
- Proposta de tributar investimentos estrangeiros nos EUA
- Discussões sobre cortes orçamentários e perda de credibilidade do Federal Reserve
Esses fatores têm levado investidores globais a diversificarem seus ativos, enfraquecendo o papel do dólar como reserva segura.
2. Diferencial de juros favorável ao real
Apesar dos desafios fiscais internos, os juros no Brasil seguem mais atrativos do que nos EUA, o que tem incentivado o movimento conhecido como carry trade — quando investidores tomam dinheiro emprestado em países com juros baixos e aplicam em moedas com retorno maior.
Além disso, a expectativa de que o Federal Reserve corte os juros duas ou até três vezes neste segundo semestre (com base nas apostas da CME) enfraquece ainda mais o dólar globalmente.
3. Sinais de desaceleração da inflação americana
Dados recentes, como o Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) e as expectativas de inflação medida pela Universidade de Michigan, vêm reforçando o cenário de desaceleração nos EUA e apoiando a tese de um ciclo de cortes nos juros.
Esse movimento ajuda a aumentar o apetite por risco e favorece moedas de países emergentes, como o real brasileiro.
Impacto do “Liberation Day” e das políticas comerciais dos EUA
O chamado “Liberation Day”, em 2 de abril, marcou o anúncio de tarifas recíprocas pelo ex-presidente Trump, reacendendo o temor de uma guerra comercial global. Desde então, o mercado passou a precificar maior risco geopolítico e incertezas econômicas associadas à política externa dos EUA.
As negociações comerciais com o Canadá, retomadas após o país revogar impostos sobre empresas de tecnologia norte-americanas, mostram que há espaço para acordos, mas o mercado segue atento à possibilidade de novas tarifas até 9 de julho.
Nova percepção de risco favorece o Brasil
Segundo a LCA, a menor exposição do Brasil a essas tensões comerciais, aliada ao crescimento econômico mais sólido em comparação com outros emergentes, tem contribuído para melhorar a percepção de risco e apoiar a valorização do real.
Projeções e expectativas para o câmbio
Banco Pine: dólar pode chegar a R$ 5,33 em agosto
De acordo com Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, ainda há espaço para mais uma rodada de valorização do real nas próximas semanas:
“Nossos modelos de curto prazo apontam que o ritmo de valorização do real deve diminuir, mas a apreciação segue sendo a tendência. Acreditamos em dólar a R$ 5,33 até meados de agosto.”
DA Economics: dólar a R$ 5,30
Alex Lima, fundador da DA Economics, também projeta queda adicional da moeda americana:
“Temos uma visão de dólar global mais fraco, com a execução meio desengonçada das políticas comerciais e econômicas da gestão Donald Trump.”
Segundo ele, o risco fiscal no Brasil permanece em segundo plano, com o mercado já antecipando um cenário político mais favorável após 2026, o que reduz a percepção de risco no médio prazo.
Banco Central e boletins de mercado

O Boletim Focus, publicado pelo Banco Central, mostra uma mediana de R$ 5,70 para o dólar no fim de 2025, mas essa expectativa pode ser revista para baixo caso a tendência atual de valorização do real se mantenha.
Já o boletim Firmus, também do BC, aponta que empresas não-financeiras reduziram suas estimativas para a taxa de câmbio a seis meses, de R$ 6,00 para R$ 5,80.
Desempenho do dólar no cenário internacional
No mercado externo, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes (euro, libra, iene, franco suíço, dólar canadense e coroa sueca), também mostrou desvalorização consistente.
- Em junho, o DXY caiu cerca de 2,6%
- No semestre, acumula queda de quase 11%
- É o menor nível desde março de 2022
Essa desvalorização reflete mudanças estruturais mais profundas, segundo analistas do Santander, que destacam:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Perda de atratividade do dólar como reserva de valor
- Desconfiança na independência do Federal Reserve
- Políticas protecionistas que ameaçam a produtividade dos EUA
Efeitos da queda do dólar no Brasil
Redução das pressões inflacionárias
Com o real mais valorizado, importações ficam mais baratas, o que reduz o custo de insumos e bens finais. Isso tem impacto direto sobre a inflação:
- Projeção do IPCA caiu de 5,4% para 5,0% para o ano, segundo o Bradesco
- Pressões inflacionárias no atacado e varejo também diminuíram
Melhora nas expectativas para os juros
A valorização do câmbio, combinada com menor inflação, pode abrir espaço para cortes adicionais na taxa Selic, o que favorece a atividade econômica.
Atração de investimentos estrangeiros
A queda do dólar e a manutenção de juros altos no Brasil tornam o país mais atrativo para investidores que buscam retorno — especialmente em tempos de aversão ao risco nos mercados centrais.
Quais riscos podem reverter esse cenário?

Apesar da tendência positiva, há fatores que podem reverter o fortalecimento do real:
1. Reversão na política do Fed
Caso o Federal Reserve adote postura mais conservadora e reduza o número de cortes de juros previstos, o dólar pode ganhar força novamente.
2. Agravamento do cenário fiscal no Brasil
Se o governo brasileiro não conseguir controlar gastos e reduzir o déficit público, a confiança dos investidores pode ser abalada, pressionando o câmbio.
3. Novas tensões geopolíticas
A volta de tarifas ou conflitos comerciais envolvendo os EUA e seus parceiros pode gerar movimentos de fuga para ativos mais seguros, elevando a demanda por dólar.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
