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7 milhões de leitores a menos: o preço invisível do uso excessivo das redes sociais

Descubra por que o Brasil perdeu milhões de leitores e se as redes sociais têm papel nisso. Leia e compartilhe esta análise urgente!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Mulher abrindo livro em uma livraria edital

A leitura no Brasil enfrenta um declínio alarmante. De acordo com a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura, entre 2019 e 2024, o país perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores.

Essa redução representa um impacto silencioso, mas profundo na formação cultural, no pensamento crítico e na educação da população. Sendo assim, muitos se perguntam se o uso das redes sociais tem impacto na queda de número de leitores no país.

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O que explicaria essa queda?

Mulher usando celular em frente a um notebook.
Imagem: 13_Phunkod / shutterstock.com

Papel dominante das redes sociais

As redes sociais têm ocupado, cada vez mais, o tempo livre das pessoas. Redes sociais como Instagram, TikTok e Twitter são projetadas para capturar a atenção de forma contínua e oferecem recompensas rápidas — curtidas, vídeos curtos e conteúdos efêmeros.

Essa dinâmica afasta os leitores dos livros, que exigem concentração e tempo. Na era da dopamina instantânea, a leitura torna-se um esforço que muitos não estão mais dispostos a fazer.

Falta de tempo e desinteresse

Outros fatores além das redes sociais contribuem para o desinteresse pela leitura:

  • Falta de tempo: A rotina acelerada da vida moderna, especialmente nas grandes cidades, reduz as oportunidades de leitura.
  • Desinteresse geral: Muitos não associam a leitura a uma atividade prazerosa.
  • Ausência de incentivo: Apenas 17% dos leitores disseram ter sido incentivados por familiares.

Dados que preocupam

Número de leitores caiu drasticamente

A definição de “leitor” da pesquisa é alguém que leu, total ou parcialmente, ao menos um livro nos três meses anteriores à entrevista. Mesmo com esse critério abrangente, os números caíram:

  • 2019: 2,6 livros lidos por pessoa;
  • 2024: 2,04 livros lidos por pessoa.

Poucos concluem livros

Apenas 27% dos entrevistados afirmaram ter lido um livro inteiro no período analisado. Isso indica que, além da queda no número de leitores, a profundidade da leitura também diminuiu.

Papel fundamental da infância

Incentivo familiar e escolar é decisivo

Para Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da USP, o incentivo à leitura deve começar desde a infância. O hábito está diretamente ligado ao acesso ao legado cultural e à formação cidadã.

Contudo, os dados mostram um cenário preocupante:

  • Apenas 17% dos leitores foram incentivados a ler pela família.
  • Destes, a maioria recebeu estímulo da mãe.
  • Três em cada dez escolas públicas têm bibliotecas.
  • Cerca de 18 milhões de estudantes frequentam instituições sem esse recurso essencial.

Desigualdade no acesso à leitura

A ausência de bibliotecas nas escolas reflete um problema estrutural. Além disso, livros são caros e nem todas as famílias têm condições de comprá-los regularmente. A leitura, que deveria ser um direito, acaba se tornando um privilégio.

Impacto da vida adulta e da era digital

Era da distração constante

Carlota Boto define o atual momento como a “era da dopamina”, em que as pessoas buscam gratificações rápidas, oferecidas pelas telas. Livros exigem paciência, introspecção e tempo — tudo que a vida moderna parece não permitir mais.

Leitura como esforço, não lazer

Enquanto a leitura não for compreendida como um momento de lazer, será sempre preterida por alternativas mais fáceis e imediatas.

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“As primeiras 20 páginas são difíceis. Depois, o livro flui — se for o certo para você.” — Carlota Boto

Como retomar o hábito de leitura?

Dicas práticas para quem quer voltar a ler

  1. Escolha livros que despertem interesse pessoal
    Não leia por obrigação. Comece com gêneros que você goste: romance, suspense, autoajuda, biografias.
  2. Estabeleça uma rotina
    Reserve 15 a 30 minutos diários para a leitura, de preferência longe do celular.
  3. Crie um ambiente favorável
    Um canto silencioso, com iluminação adequada, pode fazer toda a diferença.
  4. Participe de clubes de leitura
    Conversar sobre livros com outras pessoas pode aumentar o engajamento e o prazer pela leitura.
  5. Incentive as crianças
    Leia com os filhos, ofereça livros como presentes e demonstre interesse pelo que eles leem.

O que pode ser feito a nível institucional?

Livros edital
Imagem: Freepik

Políticas públicas de incentivo à leitura

  • Investimento em bibliotecas escolares;
  • Distribuição gratuita de livros;
  • Campanhas de incentivo à leitura;
  • Capacitação de professores para mediação de leitura.

Parcerias com o setor privado

Editoras, livrarias e startups podem ajudar com projetos de leitura comunitária, descontos e programas de assinatura acessíveis.

Um desafio global, mas com solução local

A queda no hábito de leitura não é um fenômeno exclusivo do Brasil, mas aqui ela se manifesta de forma mais severa por conta das desigualdades sociais, falta de investimento educacional e excesso de estímulos digitais.

Para mudar esse cenário, é necessário um esforço conjunto entre famílias, escolas, governos e sociedade civil.

Considerações finais

A queda de quase 7 milhões de leitores no Brasil entre 2019 e 2024 não é apenas um dado estatístico — é um alerta sobre o futuro da educação, da cultura e da cidadania. Retomar o gosto pela leitura é uma missão urgente, que começa com pequenas atitudes dentro de casa e se estende até as políticas públicas.

Imagem: Zamrznuti tonovi / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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