O custo da alimentação segue sendo uma das principais preocupações dos brasileiros em 2025. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação do grupo Alimentação e Bebidas subiu pelo nono mês consecutivo. No entanto, a alta foi menos intensa em maio graças à queda nos preços de produtos fundamentais da cesta básica, como tomate, arroz e frutas.
Queda nos preços de tomate, arroz e frutas limita alta da inflação alimentar em maio
Queda nos preços de tomate, arroz e frutas freia inflação dos alimentos em maio. Saiba como isso impacta o IPCA-15 e o bolso do consumidor.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, registrou variação de 0,36% em maio. O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,39%, uma desaceleração significativa frente aos 1,14% observados em abril.
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Tomate, arroz e frutas ajudaram a conter a inflação
Entre os produtos que registraram as maiores quedas de preço em maio, destacam-se:
- Tomate: queda de 7,28%
- Arroz: recuo de 4,31%
- Frutas: redução de 1,64%
Esses alimentos possuem forte peso no orçamento doméstico, especialmente nas famílias de baixa renda, que destinam grande parte da sua renda para a alimentação.
De acordo com o IBGE, a oferta mais favorável, com aumento da produção e maior disponibilidade nas feiras e supermercados, foi determinante para essa redução nos preços.
Apesar da queda, outros alimentos subiram
Batata, cebola e café pressionaram os custos
Se por um lado tomate, arroz e frutas aliviaram o orçamento das famílias, por outro, alguns produtos registraram forte alta no mês de maio, puxando o índice para cima:
- Batata-inglesa: aumento expressivo de 21,75%
- Cebola: alta de 6,14%
- Café moído: valorização de 4,82%
O aumento no preço da batata, por exemplo, é atribuído a questões climáticas que impactaram as lavouras, reduzindo a oferta do tubérculo. O mesmo vale para a cebola, cuja produção sofreu impactos sazonais.
Alimentação fora do lar também pesa no orçamento
O levantamento do IBGE também revela que comer fora de casa ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,63% em maio. Dentro desse grupo, o preço da refeição subiu 0,49%, enquanto o lanche ficou 0,84% mais caro.
Esse cenário reflete o aumento dos custos repassados pelos bares, lanchonetes e restaurantes, que continuam enfrentando desafios como custos operacionais elevados, inflação de insumos e reajustes salariais.
Como ficou a inflação geral em maio?
O IPCA-15 de maio, que ficou em 0,36%, desacelerou em relação aos 0,21% registrados em abril, mas permanece pressionado em algumas áreas. Apesar da desaceleração dos alimentos, outros setores também impactaram o índice:
- Saúde e cuidados pessoais: alta de 0,69%
- Despesas pessoais: avanço de 0,55%
- Vestuário: aumento de 0,55%
Por outro lado, o setor de transportes contribuiu para segurar a inflação, com variação de -0,15%, puxada pela queda nos preços das passagens aéreas e da gasolina.
Entenda o impacto no bolso do consumidor
Desaceleração ainda não significa alívio total
Embora o recuo no preço de alguns alimentos ofereça um alívio momentâneo, o custo da alimentação continua elevado. A alta acumulada do grupo Alimentação e Bebidas nos últimos 12 meses ainda é significativa, e pesa diretamente na renda das famílias, principalmente as de menor poder aquisitivo.
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O economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que “a desaceleração não significa que os preços estão baixos, apenas que estão subindo menos. O consumidor sente quando os produtos não retornam aos patamares anteriores”.
O que esperar da inflação dos alimentos nos próximos meses?

Clima e safras serão decisivos
Especialistas apontam que o comportamento da inflação dos alimentos nos próximos meses vai depender, principalmente, dos seguintes fatores:
- Condições climáticas: períodos de estiagem ou excesso de chuvas impactam diretamente as safras.
- Câmbio: valorização ou desvalorização do real influencia o custo dos alimentos importados e de insumos agrícolas.
- Demanda interna: o aumento no consumo, especialmente em datas comemorativas, pode pressionar os preços.
Se as condições climáticas se mantiverem favoráveis, é possível que a inflação dos alimentos continue em trajetória de desaceleração. Entretanto, o comportamento dos preços agrícolas é historicamente volátil e pode surpreender.
Governo monitora e avalia medidas de contenção
O Ministério da Agricultura e o Ministério da Fazenda acompanham de perto a evolução dos preços dos alimentos. Segundo fontes do governo, estão sendo avaliadas medidas para reduzir o impacto da inflação no bolso dos brasileiros, como incentivos à produção, redução de custos logísticos e revisão de tarifas de importação para determinados produtos.
Conclusão
O mês de maio trouxe um breve alívio para os consumidores brasileiros no que diz respeito aos alimentos, graças às quedas no preço do tomate, arroz e frutas. Contudo, o cenário segue desafiador, com alta em outros produtos essenciais e pressão constante sobre o orçamento familiar.
A tendência para os próximos meses dependerá, principalmente, das condições climáticas e do comportamento do mercado agrícola. Por enquanto, os brasileiros seguem atentos aos preços nas prateleiras e às medidas que possam ser adotadas para conter os impactos da inflação.
Imagem: RHJPhtotoandilustration / Shutterstock.com

