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Radar com IA multa motoristas que cometem infrações comuns

Radar com IA já multa motoristas por celular, cinto e outras infrações. Entenda como funcionam e onde estão operando.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Radar IA

Motoristas que circulam pelas estradas do país estão enfrentando uma nova realidade: radares equipados com inteligência artificial (IA) capazes de identificar infrações que antes passavam despercebidas. A tecnologia já está em operação em diferentes estados e tem elevado significativamente o número de autuações, especialmente por uso de celular ao volante e falta de cinto de segurança.

O avanço marca uma mudança no modelo tradicional de fiscalização. Se antes os equipamentos estavam focados basicamente em excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho, agora o monitoramento é comportamental — e muito mais abrangente.

Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito, ligado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a distração ao volante é um dos principais fatores de acidentes nas rodovias brasileiras. Nesse contexto, o uso de sistemas inteligentes surge como estratégia para reduzir mortes e infrações recorrentes.

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Como funcionam os radares inteligentes que estão multando mais

Os novos equipamentos utilizam câmeras de alta definição integradas a sistemas de visão computacional e aprendizado de máquina. Esses algoritmos analisam, em tempo real, imagens captadas nas vias e identificam padrões de comportamento considerados irregulares pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Entre as infrações que podem ser detectadas estão:

Uso do celular ao volante

Manusear o celular enquanto dirige é infração gravíssima, conforme o artigo 252 do CTB, com multa e sete pontos na CNH. A IA consegue identificar o movimento típico de quem segura o aparelho junto ao rosto ou abaixo do volante, mesmo com película no vidro.

Falta do cinto de segurança

Os sistemas conseguem flagrar tanto o condutor quanto passageiros — inclusive no banco traseiro — sem o uso do cinto. A infração é grave, com multa e cinco pontos na carteira.

Ultrapassagens proibidas e circulação irregular

Os equipamentos também monitoram:

  • Ultrapassagens em faixa contínua
  • Trânsito em faixas exclusivas de ônibus
  • Circulação irregular de veículos pesados
  • Paradas indevidas em acostamentos

Em alguns casos, a tecnologia já está integrada a sensores de fluxo e velocidade, permitindo uma análise mais detalhada do comportamento do veículo.

Consumo de bebida durante a condução

Embora o teste do bafômetro continue sendo essencial para comprovar embriaguez, os radares com IA conseguem identificar situações suspeitas, como motorista segurando lata ou garrafa enquanto dirige, gerando registro para abordagem posterior.

Exemplo prático: Ribeirão Preto já opera sistema com IA

Um dos casos mais recentes é o do Anel Viário Sul de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Desde outubro de 2025, câmeras equipadas com inteligência artificial passaram a operar no trecho administrado pela concessionária Entrevias.

Segundo a empresa, o objetivo é reduzir acidentes graves por meio de fiscalização mais rigorosa e permanente. A tecnologia também realiza leitura automática de placas (OCR), cruzando as informações com bases oficiais para identificar:

  • Veículos com licenciamento vencido
  • Registro de roubo ou furto
  • Restrições administrativas

Esse modelo segue tendência já adotada em rodovias federais administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e em grandes centros urbanos.

A validação humana ainda é obrigatória

Apesar do alto nível de automação, a legislação brasileira determina que nenhuma multa pode ser aplicada de forma totalmente automática.

De acordo com as normas da Senatran e com o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro, toda autuação registrada por equipamento eletrônico deve passar pela análise de um agente de trânsito. O servidor valida a infração antes da emissão da notificação ao proprietário do veículo.

Esse procedimento busca garantir segurança jurídica e evitar erros de interpretação da máquina.

Impacto nas multas e na arrecadação

Estados e municípios que adotaram sistemas inteligentes relatam aumento expressivo no número de autuações nos primeiros meses de operação. Especialistas explicam que isso não significa necessariamente mais infrações, mas maior capacidade de fiscalização.

A tecnologia atua 24 horas por dia, sem interrupções, e não depende da presença física de um agente na via. Com isso, comportamentos recorrentes — como dirigir mexendo no celular — passaram a ser registrados com muito mais frequência.

Ao mesmo tempo, órgãos de trânsito defendem que a finalidade não é arrecadatória, mas preventiva. O Brasil ainda registra milhares de mortes no trânsito por ano, segundo dados do Ministério dos Transportes e da Senatran, o que reforça a necessidade de medidas mais eficazes de fiscalização.

Inteligência artificial e segurança viária

Especialistas em mobilidade urbana avaliam que a aplicação da inteligência artificial na fiscalização pode salvar vidas ao reduzir práticas perigosas, principalmente a distração ao volante.

Estudos internacionais já apontam que o uso de celular aumenta em até quatro vezes o risco de acidentes. No Brasil, campanhas educativas conduzidas pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) e por outros órgãos estaduais vêm alertando sobre esse comportamento.

A combinação entre tecnologia, educação e fiscalização tende a produzir resultados mais consistentes no médio e longo prazo.

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Debate sobre privacidade e proteção de dados

O avanço dos radares inteligentes também reacendeu discussões sobre privacidade e uso de dados pessoais.

As imagens captadas pelos equipamentos são consideradas dados sensíveis, pois permitem identificar pessoas e placas de veículos. Por isso, a coleta e o armazenamento precisam seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Órgãos públicos e concessionárias devem adotar protocolos rígidos de segurança da informação, com:

  • Controle de acesso às imagens
  • Prazo limitado de armazenamento
  • Uso exclusivo para fins de fiscalização

O descumprimento dessas normas pode gerar responsabilização administrativa e judicial.

O que o motorista deve fazer para evitar multas

Diante da fiscalização cada vez mais tecnológica, a recomendação é simples: cumprir rigorosamente as regras do CTB.

Algumas medidas práticas incluem:

  • Nunca utilizar o celular enquanto dirige
  • Exigir que todos os passageiros usem cinto de segurança
  • Respeitar a sinalização horizontal e vertical
  • Manter o licenciamento do veículo em dia
  • Evitar qualquer conduta que possa ser interpretada como distração

Com a IA, pequenas infrações que antes passavam despercebidas agora podem resultar em autuação.

Tendência é de expansão da tecnologia

A expectativa do setor é que a adoção de radares com inteligência artificial cresça nos próximos anos, tanto em rodovias concedidas quanto em vias urbanas.

Com a digitalização dos sistemas de trânsito e a integração de bases de dados nacionais, o monitoramento tende a se tornar mais eficiente e abrangente. Para o motorista brasileiro, isso significa uma fiscalização mais constante — e menos margem para descumprir a lei.

A tecnologia chegou às estradas e deve se consolidar como ferramenta central na política de segurança viária do país.

Imagem: Canva

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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