O mercado brasileiro de delivery ganhou um novo capítulo com o lançamento de um programa de taxa zero pela Rappi, focado em pequenos e médios restaurantes. A iniciativa isenta as taxas por três anos, exceto as relacionadas ao uso de maquininhas de pagamento, buscando aumentar a participação da empresa no setor, dominado por players como o iFood. A ação ocorre logo após o anúncio da 99Food, que também ofereceu taxa zero por dois anos, intensificando a guerra de preços entre as plataformas no Brasil.
iFood que se cuide: Rappi zera taxas e acirra disputa com 99Food
Rappi lança taxa zero para pequenos e médios restaurantes por 3 anos e investe R$ 1,4 bi para crescer no Brasil em meio à disputa com iFood e 99Food.
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Investimento bilionário e foco em expansão

Segundo Felipe Criniti, CEO da Rappi no Brasil, a empresa irá investir R$ 1,4 bilhão ao longo dos próximos três anos. A meta é ambiciosa: triplicar o número de restaurantes ativos na plataforma, passando dos atuais 30 mil para 100 mil.
Meta de alcance nacional
Além do crescimento em parceiros, a Rappi também quer aumentar seu alcance territorial. Atualmente presente em cerca de 50 municípios brasileiros, a empresa pretende expandir para ao menos 300 cidades.
“Muito se falou onde a Rappi ia estar no Brasil no futuro. Nosso compromisso é investir R$ 1,4 bilhão nos próximos três anos e crescer junto com os pequenos negócios”, afirmou Criniti.
Migração para taxa zero será gradual
Os restaurantes que já operam na Rappi também serão beneficiados. De acordo com o executivo, haverá uma migração gradual dos contratos existentes para o novo modelo sem taxas.
Já os novos estabelecimentos interessados podem se cadastrar a partir desta segunda-feira (6), com contratos já dentro das novas condições.
Parceria com a Abrasel fortalece ação
A iniciativa conta com o apoio institucional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). A entidade será parceira no processo de articulação com os empreendedores e na divulgação do programa de incentivo.
Disputa com 99Food e pressão sobre o iFood
A estratégia da Rappi surge em meio ao retorno da 99Food ao mercado brasileiro. Em março, a empresa chinesa anunciou que, por dois anos, não cobrará mensalidade nem comissão dos restaurantes cadastrados.
Com isso, o setor vive uma nova fase de disputa, impulsionada também por rumores de que a gigante chinesa Meituan, uma das maiores do mundo no segmento, prepara sua entrada no Brasil.
Guerra de preços se intensifica
Especialistas apontam que essa ofensiva pode pressionar diretamente o modelo dominante do iFood, que cobra taxas de até 27% sobre os pedidos. Para os pequenos empresários, essas taxas muitas vezes inviabilizam a operação.
“A entrada de novos players e a competição por preços podem favorecer o consumidor e os empreendedores locais, mas exigem estrutura e fôlego financeiro das empresas”, afirma o economista Victor Teles.
Modelo colombiano inspira ofensiva brasileira

A ofensiva brasileira é inspirada no modelo bem-sucedido do Rappi na Colômbia. Por lá, o aplicativo domina o mercado de entregas, especialmente no segmento de comida.
Dark stores e entregas em 15 minutos
Um dos diferenciais do Rappi na Colômbia são as chamadas dark stores — centros logísticos voltados exclusivamente para entregas rápidas. Criadas desde 2015, elas garantem que 95% dos pedidos sejam entregues em até 15 minutos, nas principais cidades como Bogotá, Medellín e Barranquilla.
“Queremos aproximar a operação no Brasil do modelo colombiano, com entregas mais eficientes e ampla capilaridade”, destaca Criniti.
Estratégia inclui captação de restaurantes informais
Além dos estabelecimentos formais, a Rappi mira também um público que hoje atua de forma independente — como os restaurantes que operam apenas por WhatsApp ou telefone.
Mira em milhões de pedidos mensais fora dos apps
De acordo com estimativas da empresa, o WhatsApp responde por cerca de 130 milhões de pedidos por mês, enquanto o telefone é responsável por outros 90 milhões. Captar parte desse volume pode representar uma reviravolta nas entregas digitais.
“Esses canais ainda são predominantes no Brasil. Nosso foco é trazer esses empreendedores para a plataforma, com tecnologia e apoio logístico”, afirma o CEO.
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Desafios regulatórios na América Latina
A expansão do Rappi na região esbarra, no entanto, em desafios regulatórios. Hoje, a empresa atua em nove países da América Latina, mas enfrenta regras específicas em sete deles.
Chile avança em regulamentação
No Chile, a legislação sobre aplicativos de entrega já foi aprovada. Outros países, como Colômbia, Brasil, México e Argentina, ainda estão em processo de regulamentação.
IPO e rentabilidade à vista
Outro objetivo do Rappi para os próximos anos é abrir capital na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE). A empresa está em fase de auditoria e estruturação financeira.
Segundo Simón Borrero, CEO global e cofundador do Rappi, o processo deve estar pronto em até 12 meses. Contudo, a empresa não tem pressa.
“Já somos uma operação rentável, então aguardaremos o momento certo do mercado”, declarou à imprensa colombiana.
O futuro do delivery e o papel do Rappi

A nova fase do mercado de delivery no Brasil indica uma transformação estrutural. Com players mais agressivos e políticas de incentivo, o setor pode tornar-se mais acessível a pequenos negócios e mais competitivo para os consumidores.
Foco em tecnologia, logística e parcerias
A aposta do Rappi em tecnologia, logística e parcerias locais pode ser a chave para enfrentar gigantes como iFood e possíveis novos entrantes.
A resiliência do modelo de negócios pós-pandemia, aliada ao novo programa de isenção de taxas, sinaliza que o mercado está em plena mutação.
Conclusão
A estratégia de taxa zero lançada pela Rappi representa um movimento audacioso no competitivo mercado de delivery brasileiro. Com o objetivo de aumentar sua base de restaurantes e expandir sua presença no país, a empresa investirá R$ 1,4 bilhão nos próximos três anos, desafiando gigantes como iFood e 99Food. A ação não só visa fortalecer a parceria com pequenos e médios negócios, mas também sinaliza uma nova era de competição acirrada e inovação no setor de entregas. O sucesso dessa estratégia dependerá da capacidade da Rappi em adaptar sua operação localmente, enquanto busca fortalecer sua posição no Brasil e na América Latina.
