A guerra do delivery no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo. A partir desta semana, a Rappi iniciou um plano ambicioso que promete transformar a lógica do mercado: todos os restaurantes parceiros da plataforma terão taxa zero de intermediação e entrega por três anos. A única cobrança será referente ao processamento dos pagamentos, como as tarifas bancárias.
Rappi adota taxa zero e agita a guerra do delivery no Brasil: o que esperar?
Rappi lança plano de taxa zero para restaurantes no Brasil, mira 100 mil parceiros e desafia o domínio do iFood em meio à chegada da Meituan.
O anúncio marca o início de uma nova fase da Rappi no Brasil, com um plano de investimento robusto de R$ 1,4 bilhão até 2028. A iniciativa tem como meta expandir a atuação da empresa de forma significativa, competindo diretamente com o domínio do iFood, que hoje reina absoluto no país.
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Como será o investimento da Rappi no Brasil?

De acordo com a empresa, o aporte será distribuído de forma estratégica:
- 40% para a vertical de restaurantes, incluindo a captação de novos parceiros e suporte a pequenos negócios;
- 22% destinados ao Rappi Turbo, serviço de entregas ultrarrápidas que visa consolidar a posição da empresa no segmento de conveniência;
- O restante será investido em marketing, tecnologia e melhoria operacional, buscando eficiência e fidelização de usuários e parceiros.
A Rappi pretende multiplicar por mais de três vezes sua base atual, saltando de 30 mil para 100 mil restaurantes parceiros, além de ampliar sua atuação territorial de 50 para 300 cidades brasileiras. Um dos focos centrais da estratégia são os pequenos e médios restaurantes, incluindo aqueles que operam informalmente via WhatsApp ou telefone.
“A revolução é agora”, diz executivo da Rappi
Fontes internas da empresa indicam que a estratégia visa democratizar o acesso ao delivery, um setor que foi altamente impactado pela pandemia e, desde então, se tornou essencial para a sustentabilidade de negócios locais.
— Estamos virando o jogo. Nosso compromisso é colocar o pequeno restaurante no centro da inovação. Não queremos apenas competir com o iFood — queremos mudar as regras do jogo —, disse um executivo da Rappi sob condição de anonimato.
iFood ainda lidera, mas sente a pressão
O domínio da iFood no Brasil é expressivo: a empresa conta com 400 mil restaurantes parceiros, atua em quase 2 mil cidades e realiza mais de 110 milhões de entregas mensais. No entanto, o movimento da Rappi acende um alerta no setor.
Embora o iFood ainda seja líder absoluto, a política de comissionamento da empresa é constantemente alvo de críticas, sobretudo de pequenos estabelecimentos que alegam perda de margem de lucro diante das altas taxas cobradas.
A ofensiva da Rappi pode, portanto, forçar uma revisão no modelo de negócios atual do iFood, além de acelerar a inovação em um setor cada vez mais competitivo.
99Food também entra na disputa com R$ 1 bilhão
Outra player que promete reaquecer a disputa é o 99Food, braço da 99 focado em delivery de comida. A empresa anunciou um plano de investimento de R$ 1 bilhão para retomar relevância no setor, após ter perdido espaço nos últimos anos.
A expectativa é de que a 99 utilize a estrutura e tecnologia de sua controladora chinesa Didi Chuxing para impulsionar o crescimento do serviço no país. Ainda não foram divulgados os detalhes das ações, mas o movimento é visto como uma resposta direta à ofensiva da Rappi.
Meituan: o novo gigante chinês se aproxima do Brasil

Em paralelo à movimentação dos atuais players do mercado, o setor se prepara para a possível chegada da Meituan, aplicativo chinês de delivery que realiza incríveis 21 bilhões de entregas por ano.
A empresa, considerada a maior plataforma de serviços on-demand do mundo, já estaria estruturando sua entrada no Brasil para 2025, o que deve aumentar ainda mais a tensão no setor.
O que esperar da chegada da Meituan?
Especialistas afirmam que a Meituan poderá trazer um novo padrão de operação, com eficiência logística chinesa, subsídios agressivos e forte uso de inteligência artificial para gestão de demanda e rotas.
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Além disso, a empresa já mostrou interesse em investir em parcerias locais e infraestrutura, o que poderá torná-la um competidor de peso em poucos meses de operação.
Impactos esperados para restaurantes e consumidores
Para os restaurantes
A principal consequência do movimento da Rappi será aumento do poder de escolha para os estabelecimentos. Com taxas menores ou inexistentes, os restaurantes poderão preservar sua margem de lucro e, consequentemente, melhorar a qualidade dos serviços prestados e até investir mais em marketing.
Além disso, pequenos negócios que antes não viam vantagem econômica em aderir ao delivery agora têm porta de entrada facilitada no ambiente digital.
Para os consumidores
A expectativa é de que a guerra do delivery traga redução nos preços finais, uma vez que os restaurantes terão menos encargos para repassar aos clientes. Também se espera melhoria na qualidade das entregas, aumento da diversidade de restaurantes disponíveis e novas promoções e benefícios oferecidos pelas plataformas.
Desafios e dúvidas no horizonte
Embora a proposta da Rappi seja ousada, há desafios importantes a serem enfrentados:
- Sustentabilidade do modelo taxa zero: A longo prazo, será possível manter esse sistema financeiramente viável?
- Fidelização de restaurantes: Com tantas opções no mercado, manter os parceiros será tão difícil quanto conquistá-los.
- Regulação e concorrência: A movimentação pode atrair a atenção de órgãos reguladores, especialmente se gerar desequilíbrios no mercado.
Imagem: Jair Fonseca / Shutterstock.com

