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Ray Dalio recomenda alocar 15% em Bitcoin e ouro diante da explosão da dívida dos EUA

Diante da escalada da dívida dos EUA, Ray Dalio recomenda alocar 15% do portfólio em Bitcoin e ouro. Veja por que o bilionário considera esses ativos essenciais.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Bitcoin

O investidor bilionário Ray Dalio, fundador da gigante Bridgewater Associates, voltou ao centro das atenções ao recomendar publicamente que os investidores destinem até 15% de suas carteiras em Bitcoin e ouro como forma de proteção contra o que descreve como um “ciclo vicioso da dívida” nos Estados Unidos.

Durante sua participação no podcast Master Investor, Dalio afirmou que a economia norte-americana está à beira de um ponto crítico, e que o dólar poderá perder ainda mais valor caso o governo continue recorrendo à emissão desenfreada de títulos públicos para financiar seu orçamento.

“Se você quiser otimizar sua carteira para o melhor retorno ajustado ao risco, teria cerca de 15% em ouro ou Bitcoin”, declarou.

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Quem é Ray Dalio e por que sua voz ecoa nos mercados?

Dalio não é apenas mais um comentarista do mercado. Ele fundou a Bridgewater Associates, considerada a maior gestora de hedge funds do mundo, com mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão.

Autor dos best-sellers Princípios e A Ordem Mundial em Transformação, o bilionário é conhecido por sua abordagem pragmática e pelo estudo aprofundado de ciclos históricos de dívida, crescimento e colapso de impérios econômicos.

Nos últimos anos, Dalio tem alertado insistentemente sobre o risco de colapsos fiscais nos países desenvolvidos — e agora, diante de novos dados do Tesouro dos EUA, reforça que a diversificação com ativos escassos como o Bitcoin e o ouro se tornou indispensável.

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 36 trilhões: a conta não fecha

Um problema estrutural

Segundo dados do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, a dívida pública americana ultrapassou US$ 36,7 trilhões em julho de 2025. Mais alarmante ainda, o relatório do governo estima que serão necessários mais US$ 1 trilhão em novos empréstimos somente no terceiro trimestre — valor 45% maior do que o estimado anteriormente.

Outros US$ 590 bilhões devem ser tomados no quarto trimestre, indicando que a dependência do endividamento estatal para financiar despesas públicas está crescendo em ritmo acelerado.

A perspectiva de Ray Dalio

Para Dalio, essa trajetória é insustentável:

“O problema é a desvalorização do dinheiro. O governo terá que emitir muito mais dívida. Isso vai corroer o poder de compra do dólar.”

A projeção do investidor é que mais de US$ 12 trilhões em novos títulos serão emitidos até 2026, o que poderá pressionar fortemente a moeda americana, aumentar os riscos inflacionários e reduzir a credibilidade dos EUA no cenário global.

A nova tese: Bitcoin e ouro como escudos de proteção

Ouro
Imagem: Blue Andy/Shutterstock.com

Por que alocar 15% em ativos escassos?

Dalio defende que, num cenário onde o dinheiro perde valor rapidamente, a única forma de preservar riqueza é alocar recursos em ativos que não possam ser facilmente inflacionados — como o ouro e o Bitcoin.

Até 2022, ele recomendava 1% a 2% de exposição ao BTC. Agora, ele expande essa fatia para até 15%, considerando o avanço dos riscos fiscais e cambiais globais.

Essa nova abordagem reforça o papel do Bitcoin como um ativo de reserva emergente, mesmo com sua alta volatilidade.

Ouro ainda é o preferido de Dalio — mas o Bitcoin ganha espaço

Apesar da forte defesa dos dois ativos, Dalio deixa clara sua preferência histórica pelo ouro:

“Tenho um pouco de Bitcoin, mas prefiro fortemente o ouro. Ambos são diversificadores eficazes, mas o ouro tem um histórico mais longo.”

Para o investidor, o Bitcoin ainda carrega riscos técnicos e regulatórios maiores. Mesmo assim, reconhece seu potencial como ativo não soberano, com forte apelo entre os jovens e adeptos da descentralização.

Segurança, escassez e tecnologia: o que une Bitcoin e ouro

Ambos os ativos possuem características semelhantes que os tornam atrativos em tempos de crise:

CaracterísticaOuroBitcoin
Escassez197 mil toneladas extraídas21 milhões de unidades
Aceitação globalMuito altaCrescente
DescentralizaçãoNão controlado por governosTotalmente descentralizado
VolatilidadeBaixaAlta
Histórico de reservaMilenarDesde 2009
PortabilidadeBaixaMuito alta

Essa convergência ajuda a justificar a estratégia de Dalio, que considera ambos ativos complementares em uma carteira diversificada.

Bitcoin e ouro sobem em meio ao caos fiscal

Desempenho recente dos dois ativos

O Bitcoin é negociado atualmente a cerca de US$ 118.100, segundo dados do TradingView, apenas 4% abaixo de sua máxima histórica de US$ 123.230, registrada em julho de 2025.

Já o ouro atingiu sucessivas máximas nos últimos meses, impulsionado por:

  • Adoção institucional;
  • Incertezas geopolíticas;
  • Busca por ativos reais diante da inflação.

O recado do mercado

Ambos os ativos estão claramente se beneficiando do ambiente fiscal turbulento. Investidores institucionais, fundos soberanos e empresas de tecnologia estão buscando proteção fora do dólar — uma tendência que parece apenas começar.

Como aplicar a recomendação de 15% na prática?

Cenário hipotético

Suponha um investidor com US$ 100 mil aplicados. A recomendação de Ray Dalio sugere alocar:

  • US$ 7.500 em Bitcoin;
  • US$ 7.500 em ouro.

A proporção pode variar de acordo com o perfil de risco:

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  • Conservador: 12% ouro / 3% Bitcoin;
  • Equilibrado: 7,5% ouro / 7,5% Bitcoin;
  • Agressivo: 12% Bitcoin / 3% ouro.

Vantagens da estratégia

  • Proteção contra inflação e instabilidade cambial;
  • Baixa correlação com ativos tradicionais (ações e títulos);
  • Maior resiliência em ciclos econômicos turbulentos.

Não é só os EUA: Europa e Reino Unido também enfrentam o “ciclo da dívida”

Dalio ressalta que o problema fiscal não se limita aos Estados Unidos. Países como o Reino Unido, França, Alemanha e Japão também estão enfrentando desafios crescentes para controlar seus déficits.

Isso tem levado a uma desvalorização generalizada de moedas fiduciárias, aumentando ainda mais o apelo por ativos que não estejam atrelados a políticas monetárias inflacionárias.

Bitcoin como moeda de reserva? Dalio ainda duvida

Apesar de reconhecer o valor do Bitcoin como ativo de hedge, Dalio continua cético sobre sua capacidade de se tornar uma moeda de reserva global.

Os principais obstáculos, segundo ele:

  1. Transparência da blockchain, que dificulta a privacidade de transações;
  2. Possíveis vulnerabilidades de código;
  3. Resistência de governos e bancos centrais, que podem limitar sua adoção institucional.

“Os governos conseguem rastrear todas as transações. Isso pode ser um problema para quem busca anonimato.”

Ainda assim, Dalio não descarta o crescimento do Bitcoin como instrumento financeiro alternativo, especialmente em países com regimes autoritários ou inflação elevada.

O alerta histórico de Dalio: quando impérios caem, moedas perdem valor

Em sua obra Princípios para Lidar com a Ordem Mundial em Transformação, Ray Dalio estuda ciclos históricos de ascensão e queda de impérios e como suas moedas seguem o mesmo padrão.

Segundo ele, estamos no estágio final do ciclo do dólar como moeda dominante, onde:

  • A dívida cresce mais rápido do que a economia;
  • O governo precisa emitir mais dinheiro;
  • A confiança na moeda começa a desaparecer.

Nesse cenário, ativos como ouro e Bitcoin se tornam instrumentos de preservação de capital — exatamente como aconteceu no fim da era do padrão-ouro, na década de 1970.

Conclusão: uma estratégia contra o colapso silencioso do dólar

Bitcoin
Imagem: Arsenii Palivoda / shutterstock

Ray Dalio está longe de ser um maximalista do Bitcoin. No entanto, sua recomendação de alocar até 15% da carteira em Bitcoin e ouro deve ser interpretada como um sinal claro de alerta: o sistema financeiro tradicional está sob risco, e ativos escassos, descentralizados e resistentes à inflação estão mais relevantes do que nunca.

Em vez de especular com criptomoedas ou correr para o ouro em momentos de pânico, Dalio propõe uma estratégia de proteção estruturada, com alocação disciplinada e foco no longo prazo.

Num mundo onde moedas estatais estão cada vez mais instáveis, a sabedoria dos grandes investidores passa por uma verdade simples: quem não se protege, será corroído pela inflação. E, nesse novo cenário, ouro e Bitcoin podem ser as âncoras de estabilidade de uma nova era.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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