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Simples Nacional pode ter tabela reajustada: conheça o manifesto das entidades

Manifesto no Congresso defende atualização da tabela do Simples Nacional, congelada desde 2016, para beneficiar MEIs e pequenas empresas e evitar sufocamento tributário.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
Imagem de uma pessoa utilizando um celular com a tela na logo do MEI.

Nesta terça-feira (7), um manifesto em defesa da atualização da tabela do Simples Nacional será lançado em uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados.

A iniciativa marca o Dia do Empreendedor e busca pressionar o Congresso pela aprovação de um projeto que corrige uma defasagem de quase uma década nos limites de faturamento do regime simplificado de tributação.

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Imagem: Divulgação

O manifesto é resultado da mobilização de várias Frentes Parlamentares, incluindo as do Livre Mercado, das Micro e Pequenas Empresas, da Mulher Empreendedora, de Comércio e Serviços, do Empreendedorismo e do Brasil Competitivo.

Todas se unem em torno de uma mesma pauta: garantir que o sistema tributário acompanhe a realidade econômica das micro e pequenas empresas, que hoje respondem por 99% dos negócios formais e mais da metade dos empregos no país.

O que propõe o projeto de lei

A proposta de Lei Complementar em análise na Câmara prevê novos limites de faturamento para enquadramento no Simples Nacional e para o MEI (Microempreendedor Individual), com correção acumulada desde 2016. Os valores propostos são:

  • MEI: de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil por ano
  • Microempresa (ME): de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil por ano
  • Empresa de Pequeno Porte (EPP): de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões por ano

Além disso, o texto inclui um mecanismo de atualização automática da tabela com base na inflação oficial, evitando que a defasagem volte a ocorrer no futuro.


Impactos da defasagem do Simples Nacional

A tabela do Simples Nacional está congelada desde 2016, o que significa que, mesmo com a inflação e o aumento natural dos custos operacionais, os limites de faturamento permaneceram inalterados. Para muitos empreendedores, isso se tornou um “teto de vidro” que impede o crescimento.

Empresas forçadas a mudar de regime

Segundo parlamentares e entidades empresariais, a defasagem leva pequenas empresas a ultrapassarem, mesmo que por pouco, o limite de faturamento, forçando-as a migrar para regimes fiscais mais complexos e caros, como o Lucro Presumido ou o Lucro Real. Essa mudança resulta em:

  • Aumento da carga tributária, que pode dobrar em alguns casos;
  • Mais burocracia, com necessidade de escrituração contábil detalhada;
  • Redução de margens de lucro e demissões para manter a viabilidade do negócio.

O peso sobre os empreendedores individuais

O problema também atinge os MEIs, categoria que reúne mais de 15 milhões de trabalhadores autônomos e pequenos empresários. Para muitos, o limite de R$ 81 mil anuais se tornou inviável diante do aumento do custo de vida e da expansão de atividades digitais.

Empreendedores de setores como beleza, alimentação e comércio eletrônico afirmam que o limite atual inibe o crescimento e estimula a informalidade, uma vez que muitos preferem manter o faturamento “travado” para não perder os benefícios do MEI.


Declarações e apoio de entidades empresariais

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Durante o lançamento do manifesto, o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings (Ablos), Mauro Francis, reforçou a urgência do reajuste:

“Sem essa correção, milhares de negócios que movimentam a economia e garantem milhões de empregos ficam em risco. O reajuste representa não apenas mais competitividade, mas também justiça tributária para quem sustenta o dia a dia do varejo em todo o Brasil”, declarou Francis.

A fala do empresário resume o sentimento de frustração e resistência do setor produtivo, que há anos tenta sensibilizar o Congresso e o Executivo sobre a necessidade de corrigir distorções no sistema tributário.


Entenda o Simples Nacional e sua importância

O que é o Simples Nacional

Criado em 2006, o Simples Nacional é um regime tributário unificado e simplificado, voltado para micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O sistema permite que o empresário recolha, em um único boleto — o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) —, oito tributos federais, estaduais e municipais.

Esses tributos são:

  1. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)
  2. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
  3. Programa de Integração Social (PIS)
  4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
  5. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
  6. Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
  7. Imposto sobre Serviços (ISS)
  8. Contribuição Patronal Previdenciária (CPP)

Redução da carga tributária e simplificação

Um dos principais atrativos do Simples é a redução da carga tributária, que pode variar de 30% a 50% em comparação aos regimes tradicionais. Além disso, o modelo reduz obrigações acessórias, o que diminui custos administrativos e contábeis.

Especialistas recomendam, no entanto, que os empresários façam um planejamento tributário antes de optar pelo regime, já que a vantagem pode variar conforme o setor e a margem de lucro da empresa.


Por que a atualização é urgente

Inflação e aumento de custos

Desde 2016, a inflação acumulada ultrapassa 45%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Nesse período, aluguéis, salários, energia e insumos tiveram fortes reajustes, elevando o faturamento nominal das empresas sem que isso representasse lucro real.

Com o limite congelado, muitas empresas acabam penalizadas pelo próprio crescimento, sendo obrigadas a migrar de regime e pagar mais impostos sem aumento proporcional de receita.

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Estímulo ao empreendedorismo e à formalização

O reajuste do Simples também tem impacto direto na formalização de negócios. Ao tornar o regime mais acessível, ele incentiva empreendedores informais a se registrarem e contribuírem legalmente, fortalecendo a base tributária e a arrecadação a longo prazo.

Além disso, a atualização automática proposta no projeto de lei daria previsibilidade e estabilidade às empresas, evitando discussões recorrentes sobre correções inflacionárias.


O papel político e econômico do manifesto

União entre parlamentares e setor produtivo

O manifesto simboliza uma rara convergência entre diferentes frentes políticas e econômicas. Deputados de diversos partidos reconhecem que a sobrevivência das pequenas empresas é crucial para o emprego, a renda e a inovação no país.

De acordo com os organizadores, o movimento busca sensibilizar o governo federal e o Congresso para que a proposta avance ainda em 2025, garantindo que a correção entre em vigor já em 1º de janeiro de 2026.

Reação do Ministério da Fazenda

Até o momento, o Ministério da Fazenda não se manifestou oficialmente sobre o tema. Nos bastidores, técnicos da pasta reconhecem a defasagem, mas alertam para o impacto fiscal da medida, estimado em bilhões de reais por ano em renúncia tributária.
Mesmo assim, parlamentares argumentam que a arrecadação poderia ser compensada pelo aumento da formalização e da atividade econômica.


Expectativas do setor e próximos passos

MEI manifesto
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

A expectativa das entidades empresariais é que o projeto seja priorizado nas comissões temáticas e encaminhado para votação no plenário até o fim de 2025.

Enquanto isso, o manifesto busca mobilizar empreendedores e associações em todo o país para pressionar os parlamentares.

Para o setor produtivo, corrigir a tabela do Simples Nacional não é apenas uma pauta tributária, mas uma questão de sobrevivência econômica.


Considerações finais

A defasagem da tabela do Simples Nacional expõe a necessidade de modernizar o regime tributário brasileiro e garantir condições justas para o crescimento dos pequenos negócios.

O manifesto que será lançado na Câmara simboliza uma reação coletiva contra o peso excessivo dos impostos e a burocracia que trava a produtividade.

Se aprovada, a atualização representará um alívio imediato para milhões de empreendedores, além de fortalecer o ambiente de negócios e impulsionar a geração de empregos em todo o país.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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