Nesta terça-feira (7), um manifesto em defesa da atualização da tabela do Simples Nacional será lançado em uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados.
Simples Nacional pode ter tabela reajustada: conheça o manifesto das entidades
Manifesto no Congresso defende atualização da tabela do Simples Nacional, congelada desde 2016, para beneficiar MEIs e pequenas empresas e evitar sufocamento tributário.
A iniciativa marca o Dia do Empreendedor e busca pressionar o Congresso pela aprovação de um projeto que corrige uma defasagem de quase uma década nos limites de faturamento do regime simplificado de tributação.
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O manifesto é resultado da mobilização de várias Frentes Parlamentares, incluindo as do Livre Mercado, das Micro e Pequenas Empresas, da Mulher Empreendedora, de Comércio e Serviços, do Empreendedorismo e do Brasil Competitivo.
Todas se unem em torno de uma mesma pauta: garantir que o sistema tributário acompanhe a realidade econômica das micro e pequenas empresas, que hoje respondem por 99% dos negócios formais e mais da metade dos empregos no país.
O que propõe o projeto de lei
A proposta de Lei Complementar em análise na Câmara prevê novos limites de faturamento para enquadramento no Simples Nacional e para o MEI (Microempreendedor Individual), com correção acumulada desde 2016. Os valores propostos são:
- MEI: de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil por ano
- Microempresa (ME): de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil por ano
- Empresa de Pequeno Porte (EPP): de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões por ano
Além disso, o texto inclui um mecanismo de atualização automática da tabela com base na inflação oficial, evitando que a defasagem volte a ocorrer no futuro.
Impactos da defasagem do Simples Nacional
A tabela do Simples Nacional está congelada desde 2016, o que significa que, mesmo com a inflação e o aumento natural dos custos operacionais, os limites de faturamento permaneceram inalterados. Para muitos empreendedores, isso se tornou um “teto de vidro” que impede o crescimento.
Empresas forçadas a mudar de regime
Segundo parlamentares e entidades empresariais, a defasagem leva pequenas empresas a ultrapassarem, mesmo que por pouco, o limite de faturamento, forçando-as a migrar para regimes fiscais mais complexos e caros, como o Lucro Presumido ou o Lucro Real. Essa mudança resulta em:
- Aumento da carga tributária, que pode dobrar em alguns casos;
- Mais burocracia, com necessidade de escrituração contábil detalhada;
- Redução de margens de lucro e demissões para manter a viabilidade do negócio.
O peso sobre os empreendedores individuais
O problema também atinge os MEIs, categoria que reúne mais de 15 milhões de trabalhadores autônomos e pequenos empresários. Para muitos, o limite de R$ 81 mil anuais se tornou inviável diante do aumento do custo de vida e da expansão de atividades digitais.
Empreendedores de setores como beleza, alimentação e comércio eletrônico afirmam que o limite atual inibe o crescimento e estimula a informalidade, uma vez que muitos preferem manter o faturamento “travado” para não perder os benefícios do MEI.
Declarações e apoio de entidades empresariais

Durante o lançamento do manifesto, o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings (Ablos), Mauro Francis, reforçou a urgência do reajuste:
“Sem essa correção, milhares de negócios que movimentam a economia e garantem milhões de empregos ficam em risco. O reajuste representa não apenas mais competitividade, mas também justiça tributária para quem sustenta o dia a dia do varejo em todo o Brasil”, declarou Francis.
A fala do empresário resume o sentimento de frustração e resistência do setor produtivo, que há anos tenta sensibilizar o Congresso e o Executivo sobre a necessidade de corrigir distorções no sistema tributário.
Entenda o Simples Nacional e sua importância
O que é o Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional é um regime tributário unificado e simplificado, voltado para micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O sistema permite que o empresário recolha, em um único boleto — o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) —, oito tributos federais, estaduais e municipais.
Esses tributos são:
- Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
- Programa de Integração Social (PIS)
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
- Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
- Imposto sobre Serviços (ISS)
- Contribuição Patronal Previdenciária (CPP)
Redução da carga tributária e simplificação
Um dos principais atrativos do Simples é a redução da carga tributária, que pode variar de 30% a 50% em comparação aos regimes tradicionais. Além disso, o modelo reduz obrigações acessórias, o que diminui custos administrativos e contábeis.
Especialistas recomendam, no entanto, que os empresários façam um planejamento tributário antes de optar pelo regime, já que a vantagem pode variar conforme o setor e a margem de lucro da empresa.
Por que a atualização é urgente
Inflação e aumento de custos
Desde 2016, a inflação acumulada ultrapassa 45%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Nesse período, aluguéis, salários, energia e insumos tiveram fortes reajustes, elevando o faturamento nominal das empresas sem que isso representasse lucro real.
Com o limite congelado, muitas empresas acabam penalizadas pelo próprio crescimento, sendo obrigadas a migrar de regime e pagar mais impostos sem aumento proporcional de receita.
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Estímulo ao empreendedorismo e à formalização
O reajuste do Simples também tem impacto direto na formalização de negócios. Ao tornar o regime mais acessível, ele incentiva empreendedores informais a se registrarem e contribuírem legalmente, fortalecendo a base tributária e a arrecadação a longo prazo.
Além disso, a atualização automática proposta no projeto de lei daria previsibilidade e estabilidade às empresas, evitando discussões recorrentes sobre correções inflacionárias.
O papel político e econômico do manifesto
União entre parlamentares e setor produtivo
O manifesto simboliza uma rara convergência entre diferentes frentes políticas e econômicas. Deputados de diversos partidos reconhecem que a sobrevivência das pequenas empresas é crucial para o emprego, a renda e a inovação no país.
De acordo com os organizadores, o movimento busca sensibilizar o governo federal e o Congresso para que a proposta avance ainda em 2025, garantindo que a correção entre em vigor já em 1º de janeiro de 2026.
Reação do Ministério da Fazenda
Até o momento, o Ministério da Fazenda não se manifestou oficialmente sobre o tema. Nos bastidores, técnicos da pasta reconhecem a defasagem, mas alertam para o impacto fiscal da medida, estimado em bilhões de reais por ano em renúncia tributária.
Mesmo assim, parlamentares argumentam que a arrecadação poderia ser compensada pelo aumento da formalização e da atividade econômica.
Expectativas do setor e próximos passos

A expectativa das entidades empresariais é que o projeto seja priorizado nas comissões temáticas e encaminhado para votação no plenário até o fim de 2025.
Enquanto isso, o manifesto busca mobilizar empreendedores e associações em todo o país para pressionar os parlamentares.
Para o setor produtivo, corrigir a tabela do Simples Nacional não é apenas uma pauta tributária, mas uma questão de sobrevivência econômica.
Considerações finais
A defasagem da tabela do Simples Nacional expõe a necessidade de modernizar o regime tributário brasileiro e garantir condições justas para o crescimento dos pequenos negócios.
O manifesto que será lançado na Câmara simboliza uma reação coletiva contra o peso excessivo dos impostos e a burocracia que trava a produtividade.
Se aprovada, a atualização representará um alívio imediato para milhões de empreendedores, além de fortalecer o ambiente de negócios e impulsionar a geração de empregos em todo o país.
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