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Fisco aponta R$ 10 bilhões em impostos não pagos

Receita Federal notifica supermercados para cobrar R$ 10 bi por uso indevido de créditos de PIS e Cofins. Veja riscos e como regularizar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Fisco aponta R$ 10 bilhões em impostos não pagos

A Receita Federal do Brasil iniciou a notificação de 2.959 supermercados para cobrar cerca de R$ 10 bilhões em tributos relacionados ao uso indevido de créditos de PIS e Cofins.

A ação faz parte da operação “Caixa Rápido”, que identificou inconsistências em mais de 55 mil pedidos de ressarcimento e compensação — mecanismos que permitem às empresas abater valores de impostos a pagar.

As notificações estão sendo enviadas por meio do e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) e também pelos Correios. As empresas terão prazo até 30 de junho para regularizar a situação antes da aplicação de multas.

Leia mais:

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O que são créditos de PIS e Cofins

Como funciona o sistema de créditos

No regime não cumulativo de PIS e Cofins, empresas podem descontar créditos tributários sobre determinados insumos utilizados na atividade.

Na prática:

  • A empresa paga tributos sobre a receita
  • Pode descontar créditos vinculados a custos e despesas
  • O objetivo é evitar a tributação em cascata

No entanto, esse mecanismo exige atenção rigorosa às regras fiscais.

Onde ocorreram as irregularidades

Segundo a Receita, muitos supermercados utilizaram créditos sem respaldo legal, principalmente em:

  • Itens da cesta básica com alíquota zero
  • Produtos tributados na origem (monofásicos), como:
    • Bebidas
    • Combustíveis
    • Produtos de higiene

Nesses casos, não há direito ao crédito nas etapas seguintes da cadeia, o que torna o abatimento indevido.

Operação caixa rápido: o que a receita identificou

Inconsistências em larga escala

A operação analisou milhares de pedidos e encontrou padrões de irregularidades que indicam:

  • Uso indevido de créditos tributários
  • Compensações realizadas sem base legal
  • Possível orientação equivocada por consultorias

De acordo com o órgão, parte dos contribuintes pode ter sido induzida ao erro devido à complexidade da legislação.

Papel das consultorias tributárias

A Receita destacou que, em alguns casos:

  • Empresas terceirizam a gestão tributária
  • Recebem orientações agressivas de planejamento fiscal
  • Acabam utilizando créditos indevidos

Isso reforça a importância de auditorias internas e validação técnica das estratégias fiscais adotadas.

Prazo e consequências para os supermercados

Prazo para regularização

Os contribuintes têm até 30 de junho para:

  • Corrigir inconsistências
  • Evitar penalidades
  • Regularizar sua situação fiscal

O que acontece se não regularizar

Caso não haja correção no prazo, a Receita pode:

  • Aplicar multas e juros
  • Cobrar integralmente os valores devidos
  • Iniciar processos de execução fiscal

Além disso, há um risco relevante:

Responsabilização dos sócios

A Receita informou que, em determinadas situações, os sócios ou dirigentes podem ser responsabilizados pessoalmente pelas dívidas da empresa.

Isso significa que:

  • O patrimônio pessoal pode ser afetado
  • A cobrança pode ultrapassar a pessoa jurídica

Como regularizar a situação

Passo a passo para empresas

Para evitar penalidades, os supermercados devem:

  1. Revisar suas declarações fiscais
  2. Identificar créditos utilizados indevidamente
  3. Retificar as informações no sistema da Receita
  4. Cancelar pedidos de ressarcimento irregulares
  5. Efetuar o pagamento dos tributos devidos

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Esse processo pode ser feito via e-CAC, com acompanhamento contábil especializado.

Importância de suporte técnico

Diante da complexidade tributária brasileira, é recomendável:

  • Consultar contadores especializados
  • Revisar contratos com consultorias
  • Implementar controles internos mais rigorosos

Impacto para o setor supermercadista

Risco financeiro elevado

A cobrança de R$ 10 bilhões representa um impacto relevante para o setor, especialmente para empresas que operam com margens reduzidas.

Mudança de comportamento fiscal

A operação tende a gerar:

  • Maior cautela no uso de créditos tributários
  • Revisão de práticas fiscais
  • Redução de estratégias agressivas de compensação

Alinhamento com boas práticas

A Receita reforça que o objetivo da ação é:

  • Corrigir inconsistências
  • Promover conformidade fiscal
  • Estimular práticas alinhadas à legislação

O que outros empresários podem aprender com o caso

Mesmo fora do setor supermercadista, o episódio traz lições importantes:

  • Nem todo crédito tributário é válido
  • Planejamento fiscal exige base legal sólida
  • O risco de autuação pode surgir anos depois

Exemplo prático

Uma empresa que utiliza crédito sobre produto com alíquota zero:

  • Pode reduzir tributos no curto prazo
  • Mas corre risco de autuação futura
  • Pode ter que devolver valores com multa e juros

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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