A Receita Federal do Brasil iniciou a notificação de 2.959 supermercados para cobrar cerca de R$ 10 bilhões em tributos relacionados ao uso indevido de créditos de PIS e Cofins.
Fisco aponta R$ 10 bilhões em impostos não pagos
Receita Federal notifica supermercados para cobrar R$ 10 bi por uso indevido de créditos de PIS e Cofins. Veja riscos e como regularizar.
A ação faz parte da operação “Caixa Rápido”, que identificou inconsistências em mais de 55 mil pedidos de ressarcimento e compensação — mecanismos que permitem às empresas abater valores de impostos a pagar.
As notificações estão sendo enviadas por meio do e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) e também pelos Correios. As empresas terão prazo até 30 de junho para regularizar a situação antes da aplicação de multas.
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O que são créditos de PIS e Cofins
Como funciona o sistema de créditos
No regime não cumulativo de PIS e Cofins, empresas podem descontar créditos tributários sobre determinados insumos utilizados na atividade.
Na prática:
- A empresa paga tributos sobre a receita
- Pode descontar créditos vinculados a custos e despesas
- O objetivo é evitar a tributação em cascata
No entanto, esse mecanismo exige atenção rigorosa às regras fiscais.
Onde ocorreram as irregularidades
Segundo a Receita, muitos supermercados utilizaram créditos sem respaldo legal, principalmente em:
- Itens da cesta básica com alíquota zero
- Produtos tributados na origem (monofásicos), como:
- Bebidas
- Combustíveis
- Produtos de higiene
Nesses casos, não há direito ao crédito nas etapas seguintes da cadeia, o que torna o abatimento indevido.
Operação caixa rápido: o que a receita identificou
Inconsistências em larga escala
A operação analisou milhares de pedidos e encontrou padrões de irregularidades que indicam:
- Uso indevido de créditos tributários
- Compensações realizadas sem base legal
- Possível orientação equivocada por consultorias
De acordo com o órgão, parte dos contribuintes pode ter sido induzida ao erro devido à complexidade da legislação.
Papel das consultorias tributárias
A Receita destacou que, em alguns casos:
- Empresas terceirizam a gestão tributária
- Recebem orientações agressivas de planejamento fiscal
- Acabam utilizando créditos indevidos
Isso reforça a importância de auditorias internas e validação técnica das estratégias fiscais adotadas.
Prazo e consequências para os supermercados
Prazo para regularização
Os contribuintes têm até 30 de junho para:
- Corrigir inconsistências
- Evitar penalidades
- Regularizar sua situação fiscal
O que acontece se não regularizar
Caso não haja correção no prazo, a Receita pode:
- Aplicar multas e juros
- Cobrar integralmente os valores devidos
- Iniciar processos de execução fiscal
Além disso, há um risco relevante:
Responsabilização dos sócios
A Receita informou que, em determinadas situações, os sócios ou dirigentes podem ser responsabilizados pessoalmente pelas dívidas da empresa.
Isso significa que:
- O patrimônio pessoal pode ser afetado
- A cobrança pode ultrapassar a pessoa jurídica
Como regularizar a situação
Passo a passo para empresas
Para evitar penalidades, os supermercados devem:
- Revisar suas declarações fiscais
- Identificar créditos utilizados indevidamente
- Retificar as informações no sistema da Receita
- Cancelar pedidos de ressarcimento irregulares
- Efetuar o pagamento dos tributos devidos
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Esse processo pode ser feito via e-CAC, com acompanhamento contábil especializado.
Importância de suporte técnico
Diante da complexidade tributária brasileira, é recomendável:
- Consultar contadores especializados
- Revisar contratos com consultorias
- Implementar controles internos mais rigorosos
Impacto para o setor supermercadista
Risco financeiro elevado
A cobrança de R$ 10 bilhões representa um impacto relevante para o setor, especialmente para empresas que operam com margens reduzidas.
Mudança de comportamento fiscal
A operação tende a gerar:
- Maior cautela no uso de créditos tributários
- Revisão de práticas fiscais
- Redução de estratégias agressivas de compensação
Alinhamento com boas práticas
A Receita reforça que o objetivo da ação é:
- Corrigir inconsistências
- Promover conformidade fiscal
- Estimular práticas alinhadas à legislação
O que outros empresários podem aprender com o caso
Mesmo fora do setor supermercadista, o episódio traz lições importantes:
- Nem todo crédito tributário é válido
- Planejamento fiscal exige base legal sólida
- O risco de autuação pode surgir anos depois
Exemplo prático
Uma empresa que utiliza crédito sobre produto com alíquota zero:
- Pode reduzir tributos no curto prazo
- Mas corre risco de autuação futura
- Pode ter que devolver valores com multa e juros
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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