A Receita Federal divulgou na segunda-feira, 29, um novo comunicado oficial para desmentir novamente a existência de cobrança de imposto sobre transações financeiras acima de R$ 5 mil realizadas via Pix, assim como a suposta aplicação de uma multa de 150% para quem deixasse de pagar esse tributo inexistente. O órgão reforçou que as informações que voltaram a circular nas redes sociais são falsas e já haviam sido esclarecidas anteriormente, no início de 2025.
Pix sem imposto: Receita volta a esclarecer rumores sobre cobrança e multa de 150%
Receita Federal reafirma que não existe imposto nem multa sobre Pix acima de R$ 5 mil e alerta população contra fake news.
O tema ganhou repercussão nacional após a disseminação de vídeos e mensagens que sugeriam que o governo federal estaria criando uma nova taxação sobre o Pix, especialmente depois que um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizou especulando que o meio de pagamento poderia ser tributado. Segundo a Receita, esse tipo de narrativa não encontra respaldo legal ou constitucional.
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Receita Federal reforça que não existe imposto sobre Pix
Em nota, a Receita foi categórica ao afirmar que a Constituição Federal proíbe a tributação de movimentações financeiras. De acordo com o órgão, não existe, nem nunca existirá, imposto incidente sobre transferências financeiras nos moldes divulgados nas mensagens falsas.
Proibição constitucional de tributar movimentações financeiras
A Receita destacou que qualquer tentativa de tributar transações financeiras, como transferências via Pix, esbarraria diretamente na Constituição. O sistema tributário brasileiro não prevê imposto específico sobre a simples movimentação de recursos entre contas, o que torna inviável a cobrança alegada nas fake news.
Mentira sobre alíquota de 27,5% e multa de 150%
Outro ponto esclarecido no comunicado diz respeito à suposta cobrança de 27,5% sobre transações financeiras e a aplicação de multa de 150% para quem não declarasse esses valores. Segundo a Receita Federal, ambas as informações são completamente falsas e não constam em nenhuma norma vigente.
Fake news misturam temas distintos para confundir população
As mensagens falsas que voltaram a circular relacionam, de forma equivocada, duas medidas totalmente diferentes: o monitoramento mais rígido de transações suspeitas via Pix e a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil
A Receita reforçou que, a partir de janeiro, quem recebe até R$ 5 mil mensais estará completamente isento do pagamento de Imposto de Renda. Além disso, quem ganha até R$ 7.350 terá direito a descontos, conforme proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprovada pelo Congresso Nacional.
O que realmente muda para o contribuinte
Na prática, a medida beneficia milhões de brasileiros, reduzindo a carga tributária sobre a renda do trabalho. Não há qualquer relação entre essa isenção e a criação de impostos sobre transferências financeiras, como tenta sugerir o conteúdo enganoso.
Vídeos antigos voltam a circular nas redes sociais
Um dos exemplos citados pela Receita é um vídeo gravado no início do ano pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente pré-candidato à Presidência da República. Na gravação, que voltou a ser compartilhada recentemente, o senador afirma que um decreto do presidente Lula determinaria a cobrança de imposto de renda para quem recebesse mais de R$ 5 mil via Pix em um único mês.
Segundo a Receita, essa afirmação é falsa e não corresponde a nenhum decreto ou instrução normativa em vigor.
Monitoramento de transações suspeitas não é tributação
A normativa da Receita Federal que serviu de base para a criação das fake news trata exclusivamente do monitoramento de transações suspeitas, especialmente no âmbito de fintechs e instituições de pagamento.
Regras mais rígidas para fintechs
A instrução normativa tornou mais rígidas as regras de fiscalização e aumentou o piso da movimentação monitorada. Para pessoas físicas, o valor passou de R$ 2 mil para R$ 5 mil, enquanto para pessoas jurídicas subiu de R$ 6 mil para R$ 15 mil.
Equiparação com bancos tradicionais
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De acordo com a Receita, o objetivo foi apenas equiparar as exigências feitas às fintechs àquelas já impostas aos bancos tradicionais. Isso inclui a obrigação de reportar movimentações consideradas atípicas ou suspeitas às autoridades competentes.
Combate ao crime organizado como foco da medida
Após a repercussão negativa inicial, o governo chegou a recuar da medida, mas voltou a estabelecer regras mais rígidas em agosto. A decisão ocorreu depois da Operação Carbono Oculto, que revelou o uso de contas em fintechs por facções criminosas para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outros crimes.
Receita alerta para riscos das fake news
No comunicado, a Receita Federal reforçou que a disseminação de informações falsas prejudica a população, gera insegurança e dificulta o entendimento das políticas públicas. O órgão orienta os cidadãos a sempre verificar informações em canais oficiais antes de compartilhar conteúdos alarmistas.
Importância da educação fiscal
Segundo a Receita, compreender a diferença entre fiscalização, monitoramento e tributação é essencial para evitar interpretações equivocadas. Monitorar transações suspeitas não significa cobrar impostos, mas sim fortalecer mecanismos de combate à criminalidade financeira.
Mensagem final do órgão
“A única verdade que mensagens falsas não querem contar é que quem ganha até R$ 5 mil estará completamente isento do imposto de renda e quem ganha até R$ 7.350 terá desconto. Não caia em fake news”, reforçou a Receita Federal.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
