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Norma que equipara fintechs a bancos é publicada pela Receita Federal

Receita Federal publica norma que equipara fintechs a bancos para combater crimes financeiros e aumentar a transparência do setor.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
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A Receita Federal publicou, nesta sexta-feira (29/8), uma nova instrução normativa que equipara as fintechs às instituições financeiras tradicionais no que diz respeito às obrigações fiscais e de transparência.

A medida foi anunciada após uma série de operações da Polícia Federal que revelaram esquemas de lavagem de dinheiro com o uso de empresas financeiras digitais.

O governo federal afirma que a nova regulamentação é uma resposta direta às brechas exploradas por organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), para movimentar grandes quantias de dinheiro ilícito.

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O que são fintechs e por que estão no centro do debate?

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Imagem: jcomp / Freepik

As fintechs são empresas que atuam no setor financeiro utilizando tecnologia para oferecer serviços como pagamentos, transferências, empréstimos, investimentos e outros produtos bancários.

Seu modelo de negócios inovador tem ganhado espaço no Brasil e no mundo, especialmente por proporcionar praticidade, menores custos e acessibilidade a serviços financeiros.

Entretanto, segundo a Receita Federal, o rápido crescimento do setor expôs lacunas regulatórias.

Por não estarem plenamente sujeitas às mesmas regras de instituições bancárias tradicionais, algumas fintechs passaram a ser utilizadas por grupos criminosos para práticas como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Contexto: operações contra o crime organizado

Megaoperação revela uso de fintechs por facção criminosa

A publicação da norma ocorre um dia após uma série de operações da Polícia Federal deflagradas contra o crime organizado. As investigações apontaram que fintechs e fundos de investimentos estavam sendo utilizados para movimentar ilegalmente cerca de R$ 30 bilhões, parte deles ligados ao PCC.

Destaques das operações:

  • Operação Quasar: Mirou organizações envolvidas em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
  • Operação Tank: Desarticulou uma das maiores redes de lavagem de dinheiro do Paraná.
  • Operação Carbono Oculto: Atuou em oito estados contra um esquema que teria sonegado cerca de R$ 7 bilhões.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, somente no dia 28/8 foram lançados R$ 8 bilhões em autuações fiscais. O montante pode crescer à medida que as investigações avancem.

Detalhes da norma publicada pela Receita Federal

A nova norma foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Ela traz quatro artigos que formalizam a equiparação das fintechs às instituições financeiras tradicionais, no que diz respeito às obrigações acessórias. O destaque vai para o envio de dados à e-Financeira — plataforma de informações fiscais da Receita Federal.

Os principais pontos da norma:

  1. Objetivo declarado: Combate a crimes contra a ordem tributária e financeira.
  2. Equiparação jurídica: Fintechs, instituições de pagamento e participantes de arranjos de pagamento passam a ter as mesmas obrigações das instituições financeiras do SFN (Sistema Financeiro Nacional) e do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro).
  3. Referência legal: Citação expressa à Lei do Sistema de Pagamentos Brasileiro, que define tecnicamente os termos usados.
  4. Aplicação imediata: A norma entra em vigor imediatamente com a publicação no DOU.

Impactos para o setor financeiro

Maior fiscalização e transparência

A principal consequência imediata da nova norma é a ampliação da obrigatoriedade de envio de dados financeiros das fintechs para a Receita Federal.

Isso significa que essas empresas deverão informar transações, movimentações financeiras e demais dados relevantes da mesma forma que bancos e financeiras já fazem há décadas.

Reação do setor

Embora ainda seja cedo para avaliar a reação completa do mercado, entidades representativas das fintechs e do setor de inovação financeira expressaram preocupações com a forma como a regulamentação foi conduzida.

Algumas empresas alegam que a medida pode representar um aumento significativo de custos operacionais e burocráticos, especialmente para startups em fase inicial.

Por outro lado, especialistas em direito financeiro e tributário veem a medida como um passo necessário para garantir equilíbrio regulatório e evitar o uso indevido dessas plataformas por organizações criminosas.

Análise: combate ao crime e segurança jurídica

Falhas regulatórias e exploração por criminosos

A Receita Federal afirmou, em nota, que a brecha regulatória existente vinha sendo explorada por criminosos justamente pela ausência de exigências de transparência equivalentes às dos bancos.

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“Fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado, porque há um vácuo regulamentar”, declarou o órgão.

Fake news e desinformação

A Receita também criticou a disseminação de notícias falsas a respeito de instruções normativas anteriores, ressaltando que a nova norma é clara, objetiva e baseada em leis já existentes, sem criar novas exigências tributárias, mas apenas aplicando as mesmas regras a todos os participantes do sistema.

O que muda na prática para as fintechs?

Obrigatoriedade de envio da e-Financeira

A partir da norma, fintechs deverão:

  • Reportar operações e saldos de clientes.
  • Informar transações financeiras superiores a determinados valores.
  • Cooperar com autoridades em investigações contra lavagem de dinheiro e crimes tributários.

Mais fiscalização, menos anonimato

A ideia é que os mesmos mecanismos de rastreabilidade e auditoria usados no setor bancário tradicional sejam estendidos ao universo digital das fintechs, tornando mais difícil o uso dessas plataformas por criminosos.

Próximos passos: CPI das Fintechs?

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Imagem: Wright Studio / shutterstock.com

A publicação da norma fortalece o debate político em torno da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o papel das fintechs no financiamento do crime organizado. A proposta já foi defendida por membros do Congresso, especialmente da base governista.

Declaração do líder do PT na Câmara

“É preciso apurar a fundo como essas empresas foram utilizadas para lavar dinheiro. A regulamentação é bem-vinda, mas precisamos ir além”, afirmou o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Conclusão

A nova norma da Receita Federal representa um marco na regulamentação das fintechs no Brasil. Com a equiparação às instituições financeiras tradicionais, o governo busca fechar brechas utilizadas por criminosos e garantir maior segurança ao sistema financeiro nacional.

Embora possa gerar desafios operacionais para as empresas do setor, a medida é vista como essencial para fortalecer a confiança dos usuários e investidores nas fintechs brasileiras.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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