A nova regra da Receita Federal, estabelecida pela Resolução CGSN nº 183/2025, mudou de forma significativa o cálculo do faturamento dos microempreendedores individuais (MEI) e já está provocando preocupação entre milhões de pequenos negócios no país. A partir de agora, toda a receita da pessoa física vinculada ao MEI será somada à receita do CNPJ para fins de enquadramento no regime do Simples Nacional. Essa alteração tem impacto direto sobre quem possui outras fontes de renda além das atividades registradas como MEI, considerando que o limite anual permanece em R$ 81 mil.
Novo risco para microempreendedor: MEI pode perder enquadramento por mudança de regra
Nova regra da Receita soma renda de CPF e CNPJ no MEI e pode levar ao desenquadramento.
A mudança representa um novo capítulo na forma como a Receita Federal cruza informações tributárias, especialmente em um cenário em que o compartilhamento de dados entre União, estados e municípios está mais integrado. Isso faz com que o controle sobre faturamento e atividades econômicas aconteça praticamente em tempo real, com base em notas fiscais eletrônicas, transações digitais e declarações fiscais.
Para especialistas, como a contadora Kályta Caetano, da MaisMei, a regra traz tanto pontos positivos quanto desafios para os microempreendedores. O risco de desenquadramento aumentou, e com ele a necessidade de organização contábil, planejamento financeiro e atenção às obrigações legais.
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O que mudou com a Resolução CGSN nº 183/2025
A resolução altera diretamente a interpretação sobre o que compõe o faturamento do MEI. Até 2024, apenas a receita emitida pelo CNPJ do microempreendedor era considerada para o limite de R$ 81 mil. Agora, a soma inclui:
- Rendas provenientes de atividades exercidas como pessoa física
- Ganhos extras ligados ao CPF do mesmo titular
- Receitas de serviços não permitidos ao MEI
- Atividades complementares que geram nota fiscal ou movimentação financeira
Exemplos de como a regra se aplica
A combinação de atividades permitidas e não permitidas
Um caso ilustrado por Kályta Caetano ajuda a entender o impacto da nova diretriz. Ela explica que se um profissional atua como personal trainer – uma função não permitida no MEI – e ao mesmo tempo mantém uma pequena loja online registrada como MEI, ambas as rendas serão somadas na sua Declaração Anual de Faturamento.
Assim, se o personal obtiver R$ 50 mil como pessoa física e mais R$ 40 mil em vendas da loja digital pelo CNPJ, o total de R$ 90 mil ultrapassa o limite permitido, resultando em desenquadramento.
Outras situações comuns
- Profissionais autônomos que oferecem serviços como CPF e vendem produtos como MEI
- Artistas, professores particulares, consultores e freelancers com múltiplas fontes de renda
- Microempreendedores que recebem aluguéis declarados no CPF
- Prestadores de serviço que alternam entre emissão de recibos e notas fiscais
A regra já vale para a DASN de 2026
Como a norma entrou em vigor no final de outubro de 2025, os valores referentes ao ano-base de 2025 devem constar na Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-MEI) em 2026. Isso significa que o cruzamento de dados começará a impactar o contribuinte já nas obrigações do próximo ano.
Por que a Receita tomou essa decisão
A Receita Federal tem reforçado seu processo de modernização tributária e fiscalização orientada por dados. A integração entre os sistemas estaduais e municipais de notas fiscais, pagamentos digitais e declarações online torna o monitoramento mais rápido e preciso.
Transparência e sustentabilidade do regime MEI
Para Kályta Caetano, a regra tem um papel importante na preservação do regime MEI, que existe para facilitar a formalização de profissionais com faturamento limitado e perfil simplificado. Ela afirma que o uso indevido do MEI por contribuintes com renda acima dos critérios gera desequilíbrio e perda de receita para o sistema tributário.
Combate ao uso indevido do regime
A Receita vem identificando situações em que pessoas exercem atividades não permitidas pelo MEI ou utilizam o regime como forma de ocultar faturamento superior ao permitido. Com a nova regra:
- Receitas ficam mais facilmente rastreáveis
- Atividades paralelas deixam de ser invisíveis para o sistema
- O contribuinte terá menos espaço para omissão de informações
Como evitar o desenquadramento com as novas regras
Diante de um cenário mais rigoroso, especialistas orientam que os microempreendedores reforcem sua organização e revisem suas atividades.
Organize separadamente receitas de PF e CNPJ
Kályta recomenda práticas simples, como:
- Manter registros separados para cada tipo de atividade
- Criar pastas específicas para notas fiscais de cada operação
- Registrar a origem de cada pagamento recebido
- Utilizar aplicativos ou planilhas para controle mensal do faturamento
Busque orientação contábil
Com as mudanças, a orientação de um contador se torna ainda mais importante. Profissionais especializados conseguem:
- Identificar riscos de ultrapassar o limite
- Indicar melhor regime tributário caso o MEI deixe de ser viável
- Ajudar no planejamento para o próximo ano
- Explicar impactos em impostos e contribuições
Use ferramentas digitais de gestão
Aplicativos especializados para MEI podem facilitar a organização fiscal. A MaisMei, por exemplo, oferece no SuperApp:
- Diagnóstico MEI gratuito
- Organização de notas fiscais
- Avisos de obrigações mensais
- Controle automático de faturamento
O que acontece se o MEI ultrapassar o limite de faturamento
Ultrapassar o limite de R$ 81 mil pode resultar em consequências importantes:
Desenquadramento automático
O microempreendedor passa para a categoria de microempresa (ME) e:
- Passa a pagar mais impostos
- Deve recolher tributos pelo Simples Nacional ou outro regime
- Precisa emitir notas fiscais de acordo com novas regras
- Tem aumento de obrigações acessórias
Pagamento retroativo de impostos
Se a Receita identificar que a soma das receitas excedeu o limite, o MEI:
- Pode ter que pagar diferenças de impostos com juros
- Corre risco de multas
- Pode precisar reenquadrar-se desde a data em que ultrapassou o limite
A questão social: a realidade do trabalhador brasileiro
Embora a medida tenha objetivo fiscal, ela encontra uma realidade em que grande parte dos brasileiros combina múltiplas atividades para complementar renda.
Renda extra como necessidade
A alta do custo de vida, inflação acumulada e dificuldades no mercado de trabalho fazem com que muitos brasileiros:
- Prestem serviços paralelos
- Façam trabalhos eventuais
- Alternem entre aplicações formais e informais
- Tenham duas ou três fontes de renda ao mesmo tempo
Impacto direto para quem depende do MEI
Como o MEI oferece benefícios como:
- CNPJ ativo
- Contribuição reduzida
- Acesso à aposentadoria por idade
- Possibilidade de emitir notas fiscais
- Cobertura previdenciária
A ameaça de desenquadramento gera insegurança e pode prejudicar pequenos negócios em desenvolvimento.
O debate sobre o aumento do limite de faturamento
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Um ponto destacado por Kályta Caetano é que a regra atual pressiona ainda mais a urgência da aprovação do novo teto de faturamento do MEI. Hoje limitado a R$ 81 mil, o valor não acompanha a inflação acumulada dos últimos anos e a realidade econômica dos microempreendedores.
Projeto que aumenta o limite para R$ 140 mil
Um projeto aprovado recentemente na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado estabelece:
- Limite anual de até R$ 140 mil
- Possibilidade de contratação de até dois funcionários
- Regras mais modernas para enquadramento
O texto agora segue para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) antes de ir ao plenário.
Consequências do atraso na aprovação
Enquanto o valor não é atualizado:
- Mais MEIs correm risco de desenquadramento
- A informalidade pode voltar a crescer
- O pagamento de impostos pode se tornar mais complexo
- Pequenos empreendedores podem perder competitividade
Como a mudança impacta o futuro do regime MEI
A nova regra marca o início de um ciclo de maior fiscalização e cruzamento de dados. Especialistas enxergam um caminho inevitável rumo à modernização tributária.
Fiscalização mais eficiente
Com dados integrados, a Receita:
- Identifica inconsistências rapidamente
- Reduz brechas para fraudes
- Monitora atividades paralelas em tempo real
Maior transparência
O microempreendedor terá mais clareza sobre:
- O que pode ou não ser incluído no limite
- Quais registros devem ser guardados
- Como planejar o faturamento anual
Pressão por reformas estruturais
A discussão sobre o novo limite de R$ 140 mil deve ganhar força no Congresso, justamente para adequar o regime à atual realidade econômica.
O que o MEI deve fazer agora
Diante da mudança, a recomendação imediata é:
- Rever todas as atividades exercidas como CPF
- Acompanhar mensalmente o faturamento acumulado
- Conversar com um contador sobre riscos reais
- Regularizar atividades não permitidas no MEI
- Adotar ferramentas digitais de gestão
Manter a documentação organizada será crucial para evitar problemas na DASN de 2026.
O que esperar para 2026
A Declaração Anual de 2026 será a primeira a refletir integralmente as mudanças da Resolução 183/2025. A tendência é que muitos contribuintes percebam pela primeira vez o impacto da soma entre rendas e busquem alternativas tributárias mais adequadas.
Além disso, o avanço do projeto que amplia o limite do MEI deve ganhar urgência, já que o novo cenário deixa milhares de microempreendedores vulneráveis a autuações e desenquadramentos.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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