Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bolsa registra R$ 11 bilhões em recompras de ações; entenda o que isso sinaliza

Recompras de ações na Bolsa chegam a R$ 11,1 bilhões em 2026. Entenda o movimento e veja Hapvida, Prio, Axia, Localiza e TIM em destaque.

Bruna MachadoPor Bruna Machado20 min de leitura
bolsa de valores ações

As empresas brasileiras voltaram a colocar bilhões de reais na compra das próprias ações. Somente nos seis primeiros meses de 2026, as recompras executadas por companhias listadas na B3 chegaram a R$ 11,1 bilhões, superando o volume registrado no mesmo período do ano anterior.

O movimento ganhou velocidade em maio e junho. Depois de R$ 2,5 bilhões recomprados em maio, o montante subiu para R$ 3,2 bilhões em junho, segundo levantamento do Itaú BBA. Ao mesmo tempo, dezenas de empresas mantêm programas abertos que, juntos, ainda permitem a aquisição de mais de R$ 65 bilhões em ações.

Para o investidor, a recompra pode ser interpretada como sinal de que a administração considera o papel barato ou entende que usar o caixa dessa maneira é vantajoso. Porém, essa leitura exige cautela: autorizar um programa não obriga a empresa a executá-lo integralmente, e uma companhia pode recomprar ações mesmo enfrentando problemas operacionais ou financeiros.

Entre os programas analisados pelo Itaú BBA, Hapvida, Prio, Axia Energia, Localiza e TIM aparecem com um potencial de recompra elevado em relação aos respectivos valores de mercado. Isso não representa uma indicação automática de investimento, mas coloca essas ações no radar de quem acompanha a estratégia de alocação de capital das empresas.

Leia mais:

Fundo imobiliário do Inter vai recomprar até 10% das cotas; entenda o impacto

O que é uma recompra de ações?

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A recompra acontece quando uma empresa listada na Bolsa utiliza recursos próprios para adquirir ações que ela mesma emitiu.

Na prática, a companhia vai ao mercado e compra papéis que estavam nas mãos de investidores. As ações adquiridas podem ser mantidas em tesouraria, canceladas posteriormente ou utilizadas em planos de remuneração de administradores e funcionários.

A B3 explica que esse procedimento pode reduzir a quantidade de ações em circulação, conhecida como free float. Quando há menos papéis disponíveis, cada ação remanescente pode passar a representar uma parcela maior dos resultados da empresa.

Imagine uma companhia com lucro de R$ 100 milhões e 100 milhões de ações. Nesse caso, o lucro por ação seria de R$ 1.

Se a empresa cancelar 10 milhões de ações recompradas e mantiver o mesmo lucro, o resultado passa a ser dividido por 90 milhões de papéis. O lucro por ação subiria para aproximadamente R$ 1,11, mesmo sem crescimento do lucro total.

Esse é um dos motivos pelos quais as recompras podem beneficiar os acionistas.

Por que as empresas recompram as próprias ações?

Não existe uma única razão. A decisão depende do caixa disponível, do preço das ações, dos investimentos planejados e da estratégia da administração.

A empresa considera a ação barata

Uma das explicações mais comuns é a avaliação de que o preço negociado na Bolsa está abaixo do valor que a administração enxerga para o negócio.

Nesse cenário, a companhia entende que comprar suas próprias ações pode gerar um retorno melhor do que manter o dinheiro parado ou aplicá-lo em projetos menos rentáveis.

Programas de recompra costumam ser interpretados como demonstração de confiança da administração na empresa, embora esse sinal não deva ser analisado isoladamente.

Há excesso de caixa disponível

Empresas maduras, com geração consistente de caixa e poucas oportunidades de expansão, podem devolver parte dos recursos aos acionistas.

Essa distribuição pode ocorrer por meio de:

  • dividendos;
  • juros sobre capital próprio;
  • redução de capital;
  • recompra de ações.

Enquanto os dividendos colocam dinheiro diretamente na conta do investidor, a recompra reduz a quantidade de ações no mercado ou aumenta a posição da empresa em tesouraria.

A companhia quer melhorar indicadores por ação

Ao reduzir o número de papéis em circulação, a recompra pode elevar indicadores como lucro por ação e fluxo de caixa por ação.

Isso não significa que a empresa ficou mais lucrativa em termos absolutos. O resultado total pode continuar igual, mas passa a ser dividido entre uma quantidade menor de ações.

Por esse motivo, o investidor deve observar se a melhora dos indicadores veio de crescimento operacional ou apenas da redução do número de papéis.

As ações podem ser usadas em planos de remuneração

Muitas companhias utilizam ações para remunerar executivos e funcionários.

Nesses casos, a recompra pode servir para formar um estoque de papéis em tesouraria e atender aos planos de incentivo de longo prazo.

A Itaúsa, por exemplo, informou em junho de 2026 a compra de 5 milhões de ações preferenciais destinadas a seu plano de incentivos, demonstrando que nem todo programa tem como objetivo imediato cancelar papéis.

Quanto as empresas já recompraram em 2026?

De acordo com o levantamento do Itaú BBA, o volume de recompras executadas na B3 chegou a R$ 11,1 bilhões no acumulado de 2026.

O resultado representa crescimento de 22,8% em relação ao mesmo período de 2025.

A aceleração ficou mais evidente nos últimos dois meses analisados:

  • maio: R$ 2,5 bilhões;
  • junho: R$ 3,2 bilhões.

O desempenho de junho representa uma alta de aproximadamente 28% em relação a maio.

Esses valores mostram que as empresas não estão apenas anunciando programas. Uma parcela relevante das autorizações está sendo efetivamente utilizada para comprar ações na Bolsa.

Quanto ainda pode ser recomprado?

O estoque de programas ativos é muito maior do que o volume já executado.

Segundo o Itaú BBA, havia 107 programas de recompra abertos, pertencentes a 92 companhias diferentes. O valor total autorizado chegava a R$ 77,6 bilhões.

Desse montante, aproximadamente R$ 65,4 bilhões ainda não haviam sido executados.

Isso significa que cerca de 84% do potencial financeiro dos programas permanecia disponível, considerando as estimativas do banco.

O número impressiona, mas não deve ser interpretado como uma previsão de que todo esse dinheiro chegará à Bolsa.

As empresas podem:

  • executar integralmente o programa;
  • recomprar apenas uma parte;
  • interromper as compras;
  • esperar condições mais favoráveis;
  • deixar o prazo terminar sem executar o total.

A autorização representa uma possibilidade, não uma obrigação.

Por que as recompras aceleraram em 2026?

A alta pode estar relacionada a uma combinação de preços considerados atrativos, recuperação da geração de caixa e busca por formas mais eficientes de remunerar acionistas.

Depois de períodos de forte oscilação na Bolsa, algumas administrações podem avaliar que suas ações continuam descontadas em relação aos resultados e aos ativos das empresas.

Outro fator é a maior disciplina de capital. Em vez de usar caixa em aquisições arriscadas ou expansões com retorno incerto, algumas companhias preferem recomprar papéis.

Também existe um efeito de comparação. Quanto mais abaixo do valor considerado justo estiver a ação, maior tende a ser a atratividade da recompra para a própria empresa.

Essa decisão, no entanto, precisa respeitar as regras do mercado e não pode comprometer a saúde financeira da companhia.

Quais são as regras para uma empresa recomprar ações?

As negociações de ações de emissão própria são regulamentadas pela Comissão de Valores Mobiliários.

A Resolução CVM 77 estabelece as regras aplicáveis às companhias abertas que compram ou negociam seus próprios papéis. A norma trata de temas como aprovação do programa, limites, divulgação das condições e responsabilidades da administração.

A empresa precisa informar ao mercado dados relevantes, como:

  • objetivo do programa;
  • quantidade máxima de ações;
  • prazo previsto;
  • instituições financeiras intermediárias;
  • quantidade de ações em circulação;
  • quantidade mantida em tesouraria.

A CVM também disponibiliza dados sobre programas de recompra para ampliar a transparência e permitir que investidores acompanhem as operações divulgadas pelas companhias.

As operações não podem ocorrer de qualquer maneira. Existem períodos e circunstâncias em que a negociação pode ser vedada, especialmente para impedir o uso de informação privilegiada ou manipulação de mercado.

O que é buyback yield?

Buyback yield pode ser traduzido como retorno potencial de recompra.

O indicador compara o tamanho da recompra com o valor de mercado da empresa.

Uma fórmula simplificada seria:

Valor potencial da recompra ÷ valor de mercado da empresa × 100

Se uma companhia vale R$ 10 bilhões na Bolsa e ainda pode recomprar R$ 500 milhões em ações, seu buyback yield potencial seria de 5%.

Esse percentual ajuda a dimensionar a relevância do programa em relação ao tamanho da empresa.

Quanto maior o indicador, maior pode ser o impacto da recompra caso o programa seja realmente executado.

Buyback yield é igual a dividend yield?

Não.

O dividend yield mede os dividendos pagos em relação ao preço da ação. Ele representa dinheiro distribuído diretamente ao acionista.

O buyback yield mede o volume de recompras em relação ao valor de mercado. Nesse caso, o benefício é indireto.

A diferença pode ser resumida assim:

  • dividend yield: dinheiro pago diretamente ao investidor;
  • buyback yield: recursos usados pela empresa para comprar suas próprias ações;
  • retorno total ao acionista: pode reunir dividendos, juros sobre capital próprio, recompras e valorização dos papéis.

Um buyback yield elevado não significa que o investidor receberá aquele percentual na conta ou que a ação necessariamente subirá na mesma proporção.

Qual é o buyback yield do Ibovespa?

Considerando os programas ainda disponíveis, o Itaú BBA calculou um buyback yield potencial de 1,1% para o Ibovespa.

Isso significa que o volume de recompras pendentes nas empresas que compõem o índice corresponde a aproximadamente 1,1% do valor conjunto dessas companhias.

O indicador oferece uma visão geral da magnitude dos programas, mas não revela como o impacto será distribuído.

Algumas empresas possuem recompras pequenas em relação ao próprio tamanho. Outras apresentam programas que representam uma parcela mais relevante do seu valor de mercado.

Cinco ações aparecem em destaque

O Itaú BBA selecionou cinco companhias com valor de mercado superior a R$ 1 bilhão, potencial elevado de recompra e menos de 30% do programa executado.

São elas:

  • Hapvida;
  • Prio;
  • Axia Energia;
  • Localiza;
  • TIM.

A seleção não significa que essas sejam as melhores ações da Bolsa. O destaque está relacionado apenas ao tamanho potencial dos programas de recompra em relação ao valor de mercado.

Hapvida tem potencial equivalente a 9,9% do valor de mercado

A Hapvida aparece com o maior buyback yield potencial entre as cinco companhias destacadas, de 9,9%.

Em termos simples, o valor que ainda poderia ser utilizado no programa corresponde a quase 10% da capitalização da empresa na Bolsa.

Esse percentual é expressivo. Caso a recompra seja executada em grande escala, poderá reduzir significativamente a quantidade de ações disponíveis no mercado ou reforçar a posição em tesouraria.

Entretanto, o investidor precisa analisar também:

  • geração de caixa;
  • endividamento;
  • custos médicos;
  • margens operacionais;
  • crescimento de beneficiários;
  • integração de aquisições;
  • qualidade dos resultados.

Uma recompra elevada não elimina os desafios enfrentados pelo setor de saúde suplementar.

Prio apresenta potencial de 8,2%

A Prio aparece com buyback yield potencial de 8,2%.

A petroleira atua na aquisição e revitalização de campos maduros, buscando elevar a produção e reduzir custos.

No caso de empresas de petróleo, o caixa disponível para recompras pode variar significativamente conforme:

  • preço internacional do petróleo;
  • câmbio;
  • nível de produção;
  • custos de extração;
  • investimentos em novos campos;
  • aquisições;
  • endividamento.

Se o barril cair ou os investimentos aumentarem, a companhia poderá escolher preservar caixa em vez de executar todo o programa.

Por isso, o potencial de recompra precisa ser analisado junto à capacidade de geração de recursos.

Axia Energia tem potencial de 8%

A Axia Energia apresenta buyback yield potencial de 8%.

O programa aprovado permite a recompra de até 10% das ações, com prazo previsto até junho de 2027.

Segundo os dados apresentados pelo Itaú BBA, a companhia ainda não havia iniciado a execução do programa no momento do levantamento.

Isso evidencia a diferença entre potencial e realização.

Uma empresa pode anunciar um plano relevante, mas esperar vários meses antes de efetuar a primeira compra. Também pode não executar o total autorizado.

O investidor deve acompanhar os comunicados posteriores para verificar se as aquisições estão realmente ocorrendo.

Localiza aparece com potencial de 6,7%

A Localiza apresenta recompra potencial equivalente a 6,7% do valor de mercado.

A empresa atua em aluguel de carros, gestão de frotas e venda de veículos seminovos.

Em negócios como esse, a recompra precisa ser comparada com outras necessidades de capital, como:

  • compra e renovação da frota;
  • pagamento de dívidas;
  • custo dos financiamentos;
  • expansão das operações;
  • manutenção dos veículos;
  • comportamento dos preços dos seminovos.

O programa também aparecia com 0% de execução no levantamento citado.

Portanto, o percentual de 6,7% mostra o tamanho máximo estimado da recompra, mas não confirma que esse volume será utilizado.

TIM tem potencial de 4,2%

A TIM fecha o grupo com buyback yield potencial de 4,2%.

Empresas de telecomunicações costumam apresentar forte geração de caixa, mas também possuem necessidades relevantes de investimento em redes, espectro, tecnologia e infraestrutura.

A administração precisa equilibrar diferentes usos para os recursos:

  • expansão do 5G;
  • manutenção da rede;
  • dividendos;
  • redução de dívida;
  • aquisições;
  • recompra de ações.

Um programa de 4,2% pode ser significativo, principalmente quando combinado com dividendos. Ainda assim, o investidor deve observar a sustentabilidade da geração de caixa e a evolução do negócio.

Quais empresas mais recompraram em junho?

Quando o critério é o volume adquirido como percentual do free float no mês, a CSN Mineração liderou as recompras de junho, com o equivalente a 7% das ações em circulação.

Na sequência apareceram:

  • Vittia, com 4,8%;
  • Marfrig;
  • C&A Modas;
  • Technos.

O free float corresponde à parcela das ações efetivamente disponível para negociação no mercado.

Se uma empresa possui 1 bilhão de ações, mas os controladores mantêm 700 milhões, o free float é formado, de maneira simplificada, pelos 300 milhões restantes.

Uma recompra equivalente a 7% do free float pode ter impacto relevante sobre a liquidez e a quantidade de papéis disponíveis.

Quais empresas avançaram mais em seus programas?

Considerando a parcela já executada em relação ao total previsto, a Rede D’Or liderou o levantamento, com 62,3% do programa concluído.

Depois apareceram:

  • Vittia, com 59,8%;
  • CSN Mineração, com 59,2%;
  • C&A Modas, com 50,3%;
  • Totvs, com 33,6%.

Esse indicador mostra quais empresas estão mais próximas de utilizar o limite autorizado.

Ele não informa, sozinho, se a recompra foi realizada a preços atrativos ou se criou valor para os acionistas.

Uma empresa pode executar grande parte do programa e, posteriormente, ver a ação cair. Também pode comprar papéis por valores elevados e reduzir sua disponibilidade de caixa.

Quais setores apresentam maior potencial de recompra?

O levantamento do Itaú BBA mostra que os maiores buyback yields potenciais estão nos seguintes setores:

  • energia: 6,4%;
  • utilities: 4,8%;
  • indústria: 3,9%.

Utilities reúne empresas que prestam serviços considerados essenciais, como energia elétrica, saneamento e infraestrutura.

Essas companhias frequentemente possuem fluxos de caixa mais previsíveis, embora também possam apresentar endividamento elevado e grandes necessidades de investimento.

Quando o critério é o volume financeiro que ainda pode ser recomprado, a maior concentração está em:

  • utilities: 31,2%;
  • financeiro: 22,3%;
  • materiais: 16,8%.

Isso mostra que boa parte do estoque de programas está em empresas grandes, pertencentes a setores com peso relevante no mercado brasileiro.

Novos programas também ganharam força

Nos 30 dias anteriores ao levantamento, 11 companhias anunciaram novos programas, somando aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Entre elas estavam:

  • Eneva;
  • Ultrapar;
  • Klabin;
  • Natura;
  • Multiplan.

No acumulado de 2026, foram anunciados 55 novos programas, com potencial total de R$ 27,4 bilhões.

O aumento no número de autorizações reforça que as recompras voltaram a ocupar espaço importante na estratégia financeira das companhias.

Porém, será necessário acompanhar os próximos meses para saber quanto desse valor sairá do papel.

Recompra sempre faz a ação subir?

Não.

A recompra pode gerar demanda adicional pelos papéis, mas o preço da ação depende de muitos outros fatores.

Entre eles estão:

  • lucros e prejuízos;
  • crescimento das receitas;
  • endividamento;
  • juros;
  • inflação;
  • câmbio;
  • situação do setor;
  • risco político e regulatório;
  • preços de commodities;
  • expectativas dos investidores.

Se uma empresa anuncia recompra, mas divulga resultados ruins, a ação ainda pode cair.

O mercado também pode interpretar que a companhia está sem projetos interessantes de expansão ou que utiliza a recompra apenas para sustentar artificialmente indicadores por ação.

Quando a recompra pode ser positiva?

O programa tende a ser mais favorável quando a empresa:

  • possui caixa suficiente;
  • não compromete investimentos essenciais;
  • mantém dívida controlada;
  • compra ações abaixo do valor considerado justo;
  • cancela os papéis ou evita diluição;
  • tem resultados sustentáveis;
  • comunica claramente os objetivos.

Nessas condições, a recompra pode representar uma alocação eficiente de capital.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

A empresa troca dinheiro disponível por uma participação maior de cada acionista nos resultados futuros.

Quando a recompra pode ser um problema?

Ela pode destruir valor quando a companhia compra ações caras ou utiliza recursos que deveriam ser destinados a outras prioridades.

Alguns sinais de atenção são:

  • dívida elevada;
  • caixa apertado;
  • necessidade de investimentos urgentes;
  • queda estrutural do negócio;
  • recompra financiada por empréstimos;
  • executivos recebendo grande volume de ações;
  • ausência de cancelamento dos papéis;
  • programa anunciado, mas nunca executado.

Também é preciso observar se a recompra apenas compensa a emissão de novas ações para executivos.

Nesse caso, a quantidade total de papéis pode não diminuir de forma relevante.

A empresa pode cancelar as ações recompradas?

Sim.

Depois da aquisição, as ações podem permanecer em tesouraria ou ser canceladas, conforme as decisões societárias e as regras aplicáveis.

Quando ocorre o cancelamento, a quantidade total de ações emitidas diminui.

Se os papéis ficam em tesouraria, eles deixam temporariamente de participar de alguns direitos, mas podem ser utilizados ou vendidos posteriormente pela companhia.

Por isso, o investidor deve acompanhar o destino das ações.

Uma recompra seguida de cancelamento pode ter efeito diferente de uma aquisição destinada exclusivamente a remunerar executivos.

Recompra é melhor do que dividendos?

Não existe uma resposta válida para todas as empresas e investidores.

Dividendos oferecem retorno direto e previsível quando são pagos. O dinheiro entra na conta do acionista, que decide como utilizá-lo.

A recompra pode aumentar o valor econômico das ações remanescentes, mas seu efeito é indireto e depende do preço pago e do destino dos papéis.

Para a empresa, a recompra também é mais flexível. Um dividendo recorrente cria expectativas de continuidade, enquanto o programa pode ser reduzido ou interrompido.

O ideal é analisar como cada companhia combina:

  • investimentos no negócio;
  • redução de dívida;
  • dividendos;
  • juros sobre capital próprio;
  • recompras.

Como saber se a empresa está realmente recomprando?

O investidor não deve acompanhar apenas o anúncio inicial.

É necessário verificar os documentos divulgados pela companhia, como:

  • fatos relevantes;
  • comunicados ao mercado;
  • formulários de referência;
  • atas do conselho de administração;
  • demonstrações financeiras;
  • relatórios de recompra;
  • posição de ações em tesouraria.

A CVM passou a disponibilizar um conjunto específico de dados sobre programas de recompra de companhias abertas, facilitando o acompanhamento das autorizações e operações informadas ao mercado.

A área de relações com investidores da própria empresa também costuma reunir esses documentos.

O que analisar nas cinco ações destacadas?

O tamanho da recompra deve ser apenas o ponto de partida.

Antes de tomar uma decisão, o investidor precisa observar:

Situação financeira

A companhia possui caixa suficiente para recomprar ações sem aumentar excessivamente a dívida?

Preço pago

A empresa está comprando os papéis por um preço realmente atrativo ou depois de uma forte valorização?

Percentual executado

O programa está avançando ou existe apenas como autorização?

Objetivo da recompra

As ações serão canceladas, mantidas em tesouraria ou entregues a executivos?

Perspectivas do negócio

A empresa tem capacidade de aumentar lucros e gerar caixa nos próximos anos?

Riscos específicos

Cada companhia possui riscos próprios, como regulação, preços de commodities, juros, concorrência, custos e endividamento.

Recompras elevadas são recomendação de compra?

Não.

O fato de uma empresa possuir buyback yield elevado não significa que suas ações estejam baratas nem que apresentarão valorização.

A recompra é apenas um dos elementos da análise.

Uma companhia pode ter um programa grande porque suas ações sofreram forte queda. Essa desvalorização pode representar oportunidade, mas também pode refletir problemas reais no negócio.

O investidor deve combinar a análise da recompra com:

  • resultados financeiros;
  • balanço patrimonial;
  • fluxo de caixa;
  • dívida;
  • governança;
  • perspectivas do setor;
  • preço da ação;
  • riscos.

Também é importante considerar o próprio perfil e evitar concentrar recursos em uma única empresa.

O que esperar dos próximos meses?

O estoque de R$ 65,4 bilhões ainda disponível sugere que as recompras continuarão sendo um tema relevante na B3.

Entretanto, a execução dependerá das condições de mercado.

Se as ações subirem fortemente, algumas empresas poderão reduzir as compras por considerar os preços menos atrativos.

Se houver queda da Bolsa, as companhias com caixa disponível poderão acelerar os programas.

Juros, atividade econômica, câmbio e resultados corporativos também influenciarão as decisões.

O principal indicador a acompanhar não é apenas o volume autorizado, mas quanto foi efetivamente comprado e a que preço.

O que o investidor deve fazer agora?

O avanço das recompras mostra que muitas companhias brasileiras enxergam valor em suas próprias ações ou buscam uma forma alternativa de devolver recursos aos acionistas.

Isso merece atenção, principalmente nos casos em que o programa representa uma parcela elevada do valor de mercado.

Ao mesmo tempo, o investidor deve evitar decisões baseadas somente no anúncio.

Hapvida, Prio, Axia Energia, Localiza e TIM aparecem em destaque pelo potencial de recompra, mas cada uma possui características, riscos e necessidades de capital diferentes.

O próximo passo é acompanhar a execução dos programas, estudar os balanços e verificar se as recompras estão sendo realizadas sem prejudicar a saúde financeira das empresas.

Perguntas frequentes

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O que é recompra de ações?

É a operação em que uma empresa listada na Bolsa compra ações de sua própria emissão. Os papéis podem ser mantidos em tesouraria, cancelados ou usados em planos de remuneração.

Por que uma empresa recompra suas ações?

A companhia pode considerar os papéis baratos, possuir excesso de caixa, querer reduzir o número de ações em circulação ou precisar dos papéis para planos de incentivo.

Recompra faz a ação subir?

Não necessariamente. A operação pode aumentar a demanda e reduzir o número de papéis, mas o preço também depende dos resultados, das perspectivas e das condições do mercado.

O que é buyback yield?

É o percentual que compara o valor da recompra com o valor de mercado da empresa. Quanto maior, mais relevante pode ser o programa em relação ao tamanho da companhia.

Buyback yield é igual a dividend yield?

Não. O dividend yield mede os dividendos pagos ao acionista. O buyback yield mede o valor das recompras em relação à capitalização da empresa.

Quais ações foram destacadas pelo Itaú BBA?

Hapvida, Prio, Axia Energia, Localiza e TIM apareceram com programas de recompra relevantes em relação ao valor de mercado e menos de 30% executados.

Programa autorizado significa que a empresa vai recomprar tudo?

Não. A companhia pode comprar apenas uma parte, esperar uma oportunidade melhor ou deixar o programa terminar sem executar todo o limite.

O que acontece com as ações recompradas?

Elas podem ficar em tesouraria, ser canceladas, utilizadas para remunerar funcionários e executivos ou vendidas posteriormente.

Recompra é melhor do que dividendos?

Depende da situação da empresa e do preço das ações. Dividendos geram pagamento direto, enquanto a recompra pode beneficiar o acionista indiretamente.

Como acompanhar um programa de recompra?

O investidor pode consultar comunicados, fatos relevantes, atas, demonstrações financeiras e informações divulgadas pela companhia e pela CVM.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

Topicos relacionados