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Reconhecimento facial obrigatório é nova arma contra cambismo em shows e eventos

Clubes brasileiros adotam reconhecimento facial em estádios para combater o cambismo e cumprir a nova Lei Geral do Esporte, em vigor desde junho.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Reconhecimento Facial

Desde o dia 14 de junho, clubes brasileiros com estádios que comportam mais de 20 mil pessoas são obrigados, por força da nova Lei Geral do Esporte, a implementar sistemas de reconhecimento facial. A medida, que visa combater o cambismo e ampliar a segurança nos eventos esportivos, está gerando transformações significativas na relação entre clubes, torcedores e forças de segurança.

O uso dessa tecnologia em arenas esportivas representa um marco para o futebol nacional, alinhando o país a práticas já comuns em países europeus e em grandes eventos internacionais. A obrigatoriedade passou a valer oficialmente com a entrada em vigor da legislação sancionada em 2023, mas ainda em fase de adaptação por diversos clubes.

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Palmeiras e Santos lideram a adoção da tecnologia

Reconhecimento Facial
Imagem: Shutterstock

Palmeiras: pioneirismo e parceria com segurança pública

O Palmeiras foi o primeiro clube brasileiro a implantar o sistema de reconhecimento facial no Allianz Parque, ainda em maio de 2023. O clube destaca que, desde a instalação, a tecnologia tem sido uma aliada no combate ao cambismo e à criminalidade.

Segundo a diretoria, o clube conseguiu identificar cambistas infiltrados no programa de sócio-torcedor, que utilizavam cadastros legítimos para adquirir ingressos e revendê-los por valores abusivos. O reconhecimento facial permitiu cruzar informações e bloquear essas práticas, reduzindo consideravelmente o número de casos.

Além disso, o Palmeiras atua em conjunto com a polícia civil e militar de São Paulo, fornecendo imagens e registros de frequentadores, o que já resultou na prisão de foragidos da justiça que tentavam acessar o estádio.

Santos: adoção gradual com foco na integração

O Santos também se adiantou à obrigatoriedade legal, iniciando a implementação do sistema em julho de 2024. A diretoria optou por uma adoção gradual, buscando reduzir atritos com a torcida e garantir a eficiência do processo.

De acordo com o gerente administrativo do clube, Luiz Fernando Vella, uma das prioridades foi a realização de um cadastramento prévio eficiente dos torcedores. O Santos também aposta na integração entre clubes, permitindo que torcedores visitantes tenham seus dados reconhecidos em qualquer estádio do país.

Essa interoperabilidade, embora ainda incipiente, representa uma das principais promessas de modernização do sistema, com potencial para facilitar o fluxo nos dias de jogo e fortalecer a cooperação entre os clubes da Série A.

Corinthians e São Paulo: desafios na implementação recente

Corinthians enfrenta baixa adesão e falhas iniciais

No último domingo (13), o Corinthians estreou seu novo sistema de reconhecimento facial na Neo Química Arena, mas a primeira experiência foi marcada por obstáculos. O clube trocou de fornecedor às vésperas do evento, o que gerou instabilidade na leitura de dados e atrasos no acesso.

O diretor de tecnologia do clube, Marcelo Munhoes, admitiu os desafios da estreia, mas afirmou que a taxa de erro foi inferior a 0,5%. Ainda assim, a presença no estádio foi a mais baixa do ano, com apenas 33.847 torcedores, contra uma média anual de 43.471.

A baixa adesão foi atribuída à falta de informação sobre o novo sistema, bem como à resistência de parte da torcida à digitalização do acesso. Torcedores relataram dificuldades no cadastro facial e longas filas na entrada.

São Paulo moderniza Morumbi, mas encara críticas

O São Paulo FC, outro gigante paulista, implementou o reconhecimento facial no Morumbi, um dos maiores estádios do país. A decisão foi recebida com críticas por parte da torcida organizada, que teme o uso da tecnologia como ferramenta de repressão.

A diretoria são-paulina, por sua vez, enfatiza os benefícios do sistema e garante que todas as imagens coletadas são armazenadas com segurança, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O clube também realiza campanhas educativas para conscientizar os torcedores sobre a nova exigência.

Apesar das tensões iniciais, o clube espera que, com o tempo, o reconhecimento facial seja visto como um instrumento de proteção coletiva, e não de controle.

Benefícios esperados com o reconhecimento facial

Segurança reforçada e combate ao cambismo

O principal objetivo da nova exigência é reforçar a segurança dentro e fora dos estádios. Com o reconhecimento facial, torna-se possível identificar indivíduos procurados, bloquear cambistas e dificultar a entrada de pessoas com comportamento violento.

O sistema também possibilita um controle de acesso mais preciso, permitindo o mapeamento de quem entra e sai das arenas. Isso auxilia na prevenção de brigas de torcidas e na investigação de incidentes, que, até então, eram de difícil elucidação.

Eliminação dos ingressos físicos e maior fluidez

A implementação da tecnologia também deve representar o fim dos ingressos físicos. Com a leitura facial, o torcedor pode acessar o estádio sem precisar apresentar bilhete impresso ou QR Code, o que reduz filas e fraudes.

Clubes como o Santos já testam a integração com aplicativos de sócio-torcedor, permitindo que o cadastro facial seja feito diretamente via celular. Isso não só acelera o processo como melhora a experiência geral do torcedor.

Valorização da experiência do torcedor

Os clubes esperam que, com menos filas, menos risco de violência e maior agilidade no acesso, a experiência de assistir a uma partida presencialmente volte a ser mais atrativa para o público.

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Além disso, a tecnologia abre espaço para ações de marketing personalizadas, com torcedores podendo receber mensagens de boas-vindas, promoções e outras interações personalizadas ao serem identificados no sistema.

Preocupações com privacidade e exclusão digital

Reconhecimento Facial
Imagem: Freepik

Apesar dos benefícios, a nova exigência levanta questionamentos legítimos. A privacidade dos dados biométricos é uma das maiores preocupações, especialmente após escândalos envolvendo o uso indevido de informações pessoais.

Organizações de defesa do consumidor e da liberdade digital alertam para o risco de vigilância excessiva, e pedem transparência sobre como os dados estão sendo armazenados, por quanto tempo, e com quem são compartilhados.

Outro ponto crítico é a exclusão digital. Parte dos torcedores, especialmente os mais velhos ou com menos familiaridade tecnológica, pode ter dificuldades para realizar o cadastro facial. Para esses casos, clubes têm buscado criar postos físicos de apoio, mas a adesão ainda é limitada.

O que diz a nova Lei Geral do Esporte

A Lei nº 14.597/2023, conhecida como Lei Geral do Esporte, estabelece que estádios com capacidade superior a 20 mil lugares devem obrigatoriamente contar com sistemas de controle de acesso com reconhecimento biométrico.

A regra vale tanto para partidas do Campeonato Brasileiro quanto para competições internacionais e amistosos. A lei também exige que os clubes mantenham registro digitalizado de todos os presentes nos eventos, podendo ser acionados judicialmente em caso de incidentes.

Especialistas apontam que a norma é um avanço regulatório, mas que a falta de padronização nacional pode dificultar a plena eficácia. Há, por exemplo, sistemas que não se comunicam entre si, e clubes que utilizam plataformas distintas.

Expectativas para o futuro do futebol brasileiro

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Imagem: Freepik/Reprodução

A expectativa geral é que, nos próximos meses, a maioria dos clubes da Série A e B conclua a implementação do sistema, em conformidade com a lei. O reconhecimento facial deve se tornar parte integrante da cultura de estádio no Brasil, como já ocorre na Europa e em países asiáticos.

Além disso, há a possibilidade de que outras práticas de segurança digital, como scanner corporal, detecção de objetos perigosos por IA e monitoramento por drones, passem a ser consideradas nos grandes eventos.

O futebol brasileiro, tão marcado por paixões intensas e desafios de segurança, entra agora em uma nova era, na qual tecnologia e esporte caminham juntos para oferecer uma experiência mais moderna, segura e eficiente.

Conclusão

A implementação do reconhecimento facial nos estádios brasileiros representa um avanço significativo na segurança e no combate ao cambismo, alinhando o futebol nacional às práticas internacionais mais modernas. Apesar dos desafios técnicos, preocupações com privacidade e adaptação do público, a tecnologia promete transformar a experiência dos torcedores, tornando o acesso mais ágil e seguro. Com a Lei Geral do Esporte como marco regulatório, a tendência é que essa inovação se consolide como padrão nos grandes eventos esportivos do país, contribuindo para um ambiente mais organizado e protegido para todos.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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