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Record demite funcionários que não são evangélicos?

Roteirista da rede Record abre processo contra emissora por intolerância religiosa e solicita indenização pelo preconceito.

Vanessa CostaPor Vanessa Costa2 min de leitura
Imagem de um malhete, uma algema e documentos.

A emissora brasileira Record está sendo acusada de demitir funcionários que não sejam adeptos ou se convertam à religião cristã evangélica. A autora de novelas Paula Richard abriu um processo judicial contra a empresa ao afirmar que sempre respeitou todas as ideologias do local de trabalho e dos funcionários da casa, mas não teve o mesmo respeito por parte deles.

A roteirista acusa ainda, como principal propulsora da intolerância, a diretora de dramaturgia Cristiane Cardoso, filha do pastor Edir Macedo, dono da empresa e líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Outros autores também teriam sido desligados da casa, como Emílio Boechat, Camillo Pelegrini e Cristiane Fridman.

Entenda a intolerância religiosa

No Brasil, a intolerância religiosa é crime passível de 2 a 5 anos de prisão. Na ação, qualquer pessoa que empregar violência ou impedir práticas e comportamentos religiosos pode ser acusada, bem como multada. Na ação aberta por Ana Paula, a escritora pede indenização próxima a R$ 5,6 milhões por preconceito de ordem religiosa.

No texto do processo, divulgado pelo “Notícias TV”, é afirmado que Cristiane Cardoso estava disposta a manter como colegas de trabalho apenas aqueles que seguissem os princípios da Igreja Universal. O depoimento também alega que atualmente apenas adeptos da religião permaneceram com contrato ativo.

Ana Paula ainda anexou provas de e-mails de quando foi subordinada a dramaturga que comprovariam a existência do crime de intolerância. A função de Cristiane passaria da coordenação das tramas, para a garantia de manutenção dos funcionários religiosos e de roteiros que pregassem as doutrinas postuladas pela rede Universal de igrejas evangélicas.

Em defesa as acusações de intolerância religiosa, a Rede Record emitiu a seguinte nota: “A Record TV vem a público declarar que é contra qualquer tipo de intolerância, inclusive a religiosa. Portanto, o Grupo Record anuncia que tomará todas as providências judiciais necessárias com relação à acusação sofrida hoje.”

Imagem: Proxima Studio / Shutterstock.com

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Vanessa Costa

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