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Famílias brasileiras se aproximam de recorde de endividamento, diz BC

Endividamento das famílias chega a 49,7% da renda disponível, com comprometimento de renda recorde e alta inadimplência, alerta BC.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Famílias

O endividamento das famílias brasileiras voltou a se aproximar do patamar histórico, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). Em janeiro de 2026, o indicador chegou a 49,7% da renda disponível das famílias, ficando apenas atrás do recorde de julho de 2022, que marcou 49,9%. O nível elevado de endividamento indica que quase metade da renda disponível das famílias está comprometida com dívidas, gerando preocupação sobre o impacto financeiro no dia a dia dos brasileiros.

O comprometimento de renda, que mede quanto do dinheiro disponível é destinado ao pagamento das dívidas no mês, também atingiu um recorde: 29,3% em janeiro. Sem considerar o crédito habitacional, esse índice sobe para 27,1%, o maior nível já registrado na série histórica. Para o governo, esses números reforçam a necessidade de medidas que aliviem a pressão sobre o bolso das famílias.

Como o BC calcula o endividamento das famílias?

Leia mais: Rotativo do cartão alcança 436% ao ano, diz BC

O Banco Central mede o endividamento das famílias a partir da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF). Esse indicador considera todas as fontes de renda das pessoas físicas, incluindo salários, rendas de aluguel e transferências governamentais, descontando impostos.

O cálculo do endividamento é feito dividindo o total das dívidas das famílias pela renda disponível acumulada nos últimos 12 meses. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, explica que o indicador fornece uma visão macroeconômica da capacidade de pagamento das famílias, considerando dívidas com o sistema financeiro, como cartão de crédito, cheque especial e crédito consignado.

Endividamento alto mesmo sem o crédito imobiliário

O crédito habitacional representa cerca de 40% do total de dívidas das famílias. Sem ele, o endividamento cai de 49,7% para 31,3%. Ou seja, grande parte da pressão financeira é motivada por dívidas imobiliárias, que possuem parcelas diluídas ao longo de anos.

No entanto, as dívidas de curto prazo, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, impactam diretamente o comprometimento mensal de renda. Quem usa o rotativo do cartão, por exemplo, precisa pagar o valor total da dívida em um único mês, o que aumenta a exposição ao risco de inadimplência e aos juros elevados.

Juros altos pressionam o comprometimento de renda

O crescimento do comprometimento das famílias está ligado à alta dos juros de crédito. Em fevereiro de 2026, a taxa do rotativo do cartão de crédito chegou a 435,9% ao ano, enquanto o parcelado do cartão subiu para 202,2% e o cheque especial alcançou 147%. Esses valores tornam mais difícil para as famílias reduzir dívidas de curto prazo sem comprometer sua renda disponível.

Aumento da inadimplência

Os dados do BC mostram que a inadimplência das famílias também aumentou. O atraso de 15 a 90 dias em parcelas de crédito subiu de 4,86% para 5,48% em um ano, enquanto atrasos acima de 90 dias (inadimplência grave) passaram de 3,85% para 5,24%, o maior patamar desde 2012.

Entre as operações de crédito com recursos livres, a inadimplência do rotativo do cartão de crédito atingiu 59,75% em fevereiro, enquanto a do cheque especial chegou a 14,42%. Esses números indicam que famílias com dívidas de curto prazo enfrentam dificuldades crescentes para honrar seus compromissos financeiros.

O que as famílias podem fazer?

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Especialistas recomendam atenção ao orçamento mensal, evitando o uso do rotativo do cartão de crédito e priorizando renegociações de dívidas com juros mais baixos. Conhecer o valor total das dívidas e calcular o comprometimento da renda pode ajudar a planejar pagamentos sem comprometer gastos essenciais.

O governo, por sua vez, estuda medidas para reduzir a dívida das famílias, mas ainda não há prazo definido para ações concretas. A recomendação do BC é cautela no uso de crédito de alto custo e planejamento financeiro para evitar a inadimplência.

Comparação com anos anteriores

O endividamento das famílias em janeiro de 2026 (49,7%) é ligeiramente menor que o recorde de julho de 2022 (49,9%), mas permanece em patamar elevado. Desde janeiro de 2025, o índice subiu 1,1 ponto percentual. Já o comprometimento de renda aumentou 1,8 ponto percentual em relação a fevereiro de 2025, indicando que a pressão sobre os orçamentos familiares continua crescente.

Considerações finais

O cenário de endividamento alto e comprometimento de renda recorde exige cuidado das famílias e atenção das autoridades. Controlar dívidas, evitar operações de crédito caras e planejar pagamentos são medidas essenciais para reduzir riscos financeiros. O acompanhamento de indicadores do Banco Central ajuda a compreender a situação real do bolso das famílias brasileiras.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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