O Brasil registrou em agosto a abertura de 147,3 mil vagas formais de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Embora o número ainda seja positivo, representa uma queda de 38% em relação ao mesmo mês de 2024, quando foram criados cerca de 239 mil empregos com carteira assinada.
Marinho afirma que recuo em vagas formais é ‘alerta’ para o BC
Ministro Luiz Marinho vê queda nas vagas formais como alerta ao Banco Central e critica juros altos que afetam a economia brasileira.
Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o resultado é um “alerta” ao Banco Central (BC), que mantém a taxa básica de juros em 15% ao ano.
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Queda no ritmo de contratações preocupa governo

De acordo com o levantamento, esse foi o pior desempenho para um mês de agosto desde 2020, quando o novo formato do Caged passou a integrar informações mais detalhadas do mercado de trabalho. O resultado reflete uma desaceleração no ritmo de admissões e levanta preocupações sobre a capacidade da economia em sustentar o nível de geração de empregos formais.
Setores mais afetados
O recuo se espalhou por diferentes áreas, mas alguns setores foram mais impactados. A indústria e o comércio apresentaram desempenho mais fraco em relação ao ano anterior, pressionados pelo custo do crédito elevado e pela redução no consumo das famílias.
Já a agropecuária e a construção civil mostraram resiliência, ainda que em patamares mais modestos. O setor de serviços seguiu como principal motor de contratações, mas também registrou perda de fôlego.
Marinho critica juros altos e pressiona Banco Central
Ao comentar os dados, o ministro Luiz Marinho voltou a criticar a política monetária conduzida pelo Banco Central. Para ele, a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano está sufocando a atividade econômica e inibindo investimentos.
“A economia está desacelerando. Um alerta para o BC. Escutem, olhem os indicadores, confiram todos os dados. Espero que eles não permaneçam teimosamente com essas tarifas absurdas praticadas na economia brasileira”, afirmou Marinho.
O ministro também usou tom irônico ao pedir que “os santos dos juros baixos possam atacar”, reforçando a pressão política do governo para que a autoridade monetária adote um corte mais rápido na Selic.
O impacto da Selic em 15%
A taxa básica de juros influencia diretamente o crédito, encarecendo financiamentos para empresas e consumidores. Na prática, juros elevados reduzem a demanda por investimentos produtivos e dificultam o acesso das famílias a bens de maior valor, como imóveis e automóveis.
No mercado de trabalho, a consequência é um ritmo mais lento de contratações, já que empresários adiam decisões de expansão.
Tarifaço de Trump tem efeito limitado no Brasil

Além dos juros, Marinho citou o impacto das tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos. O chamado “tarifaço” do ex-presidente Donald Trump teria efeito “pequeno” na dinâmica do emprego brasileiro, segundo o ministro.
Ele destacou que os reflexos atingem setores específicos, especialmente exportadores da região Sul, mas em escala muito inferior ao efeito da política de juros altos.
Setores exportadores em alerta
Indústrias de alimentos processados e de manufaturados com destino ao mercado norte-americano enfrentam aumento de custos para manter sua competitividade. No entanto, analistas apontam que o mercado interno ainda é o principal determinante para a geração de empregos no país, reforçando a crítica do governo ao patamar da Selic.
Debate sobre política econômica deve se intensificar
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O embate entre governo e Banco Central não é novo, mas ganha novos elementos com os números recentes do Caged. Para a equipe econômica do Executivo, a queda nas vagas formais reforça a necessidade de estimular a atividade com juros menores.
Resistência do Banco Central
O BC, por sua vez, argumenta que os juros altos são necessários para manter a inflação sob controle. O índice de preços ao consumidor ainda apresenta sinais de resistência, pressionado por combustíveis e alimentos, o que leva a autoridade monetária a adotar cautela.
A autonomia formal do Banco Central, conquistada em 2021, também limita a influência direta do governo nas decisões da diretoria da instituição.
Perspectivas para os próximos meses
Especialistas projetam que a geração de empregos continuará positiva até o fim do ano, mas em patamares inferiores aos observados em 2024. A proximidade das festas de fim de ano pode impulsionar contratações temporárias, principalmente no comércio, mas a tendência de desaceleração preocupa.
Conclusão: alerta ou tendência estrutural?
O discurso de Marinho evidencia a preocupação do governo com os efeitos da política monetária sobre o mercado de trabalho. O ministro vê na queda de agosto um “sinal vermelho” que pode antecipar dificuldades para os próximos meses caso os juros permaneçam elevados.
Resta saber se o Banco Central vai interpretar os números do Caged como uma justificativa para acelerar cortes na Selic ou se manterá a postura conservadora em nome do controle da inflação.
Enquanto isso, trabalhadores e empresários aguardam sinais mais claros sobre o rumo da economia brasileira em um cenário de pressões externas e internas.
Imagem: Julio Ricco / Shutterstock.com

