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Recuperação judicial no agronegócio cresce 32% no 2º trimestre; entenda os motivos

O agronegócio brasileiro, motor da economia e protagonista de sucessivas supersafras, enfrenta um momento delicado em 2025. Dados da Serasa Experian mostram que

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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O agronegócio brasileiro, motor da economia e protagonista de sucessivas supersafras, enfrenta um momento delicado em 2025. Dados da Serasa Experian mostram que os pedidos de recuperação judicial no setor aumentaram 31,7% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período de 2024.

Ao todo, foram 565 solicitações, somando produtores pessoas físicas, empresas agrícolas e companhias da cadeia de fornecimento. Esse crescimento expõe os desequilíbrios financeiros que se intensificaram desde a quebra da safra 2023/2024, quando fatores climáticos e de mercado apertaram as margens dos produtores rurais.

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Empresas agrícolas lideram a estatística

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Imagem: DedovStock / shutterstock.com

Mudança no perfil dos pedidos

Pela primeira vez desde o quarto trimestre de 2023, as empresas agrícolas superaram os produtores pessoas físicas em volume de solicitações de recuperação.

  • Empresas agrícolas: 243 pedidos, o dobro do registrado no segundo trimestre de 2024;
  • Produtores pessoas físicas: 220 pedidos, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.

A Serasa destacou que, tradicionalmente, as empresas formalizadas têm maior porte e organização administrativa. O avanço expressivo entre esse grupo acende um sinal de alerta sobre a saúde financeira de companhias consideradas mais estruturadas.

Fornecedores também pressionados

Além de produtores e empresas agrícolas, o impacto da crise se estendeu à cadeia de insumos. No trimestre, foram registrados 102 pedidos de recuperação judicial por empresas fornecedoras de insumos, alta de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado.


Fatores que explicam a disparada

Margens apertadas desde a safra 2023/2024

A safra 2023/2024 marcou o início de um ciclo de aperto nas margens, causado por:

  • Custos mais altos de insumos (fertilizantes, defensivos e sementes);
  • Juros elevados, que encarecem o crédito agrícola;
  • Cotações em queda, especialmente da soja e do milho, reduzindo o valor de venda da produção.

O peso dos financiamentos rurais

O endividamento crescente se reflete também nos balanços de bancos públicos, tradicionais financiadores do setor. No primeiro semestre de 2025, a inadimplência do agronegócio afetou o desempenho de instituições como:

  • Banco do Brasil (BB), principal agente financeiro do setor;
  • Caixa Econômica Federal, que ampliou a carteira agro no governo Bolsonaro;
  • Banco do Nordeste (BNB) e Banco da Amazônia (Basa).

Impactos climáticos e incertezas do mercado

Embora a safra 2025/2026 tenha começado sob expectativas positivas, com a Conab projetando alta de 1% na produção de grãos, o histórico recente mostra como fatores climáticos e oscilações de preços podem rapidamente comprometer a rentabilidade.


O que dizem produtores e especialistas

Depoimentos do campo

Para Marion Kompier, sócia do Grupo Kompier, que administra a Fazenda Brasilanda em Goiás, a principal preocupação é com a sustentabilidade financeira:

“Estamos preocupados se vamos conseguir pagar as contas e se vai sobrar alguma coisa, se vamos ter rentabilidade”, afirmou.

Visão da Serasa Experian

A nota da Serasa chama atenção para a fragilidade das empresas agrícolas formalizadas, que em teoria possuem mais estrutura. O cenário sugere que a crise ultrapassou o perfil de pequenos produtores, atingindo também companhias médias e grandes.

Avaliação do governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou no podcast 3Irmãos que a pasta acompanha o avanço dos pedidos de recuperação judicial no país e levantou a hipótese de que alguns setores possam estar fazendo “uso abusivo” do mecanismo. Ainda que não tenha citado diretamente o agronegócio, os dados recentes reforçam a necessidade de monitoramento.


Recuperação judicial: como funciona no agronegócio

Definição

A recuperação judicial é um instrumento legal que permite que empresas ou produtores rurais reorganizem suas dívidas, evitando a falência imediata. O processo suspende temporariamente as cobranças dos credores, permitindo a renegociação.

Particularidades no campo

No caso do agronegócio, o mecanismo se aplica tanto a pessoas jurídicas (empresas agrícolas) quanto a pessoas físicas (produtores rurais que atuam de forma individual). Essa peculiaridade amplia o alcance da recuperação judicial, mas também revela o grau de endividamento generalizado no setor.


Perspectivas para a safra 2025/2026

plano safra agroamigo
Imagem: Freepik

Projeções positivas de produção

A Conab projeta novo recorde de produção de grãos, com crescimento de 1% em relação à safra anterior. A expectativa é impulsionada por condições climáticas mais favoráveis no início do plantio da soja.

Riscos financeiros permanecem

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Apesar da supersafra, a rentabilidade segue comprometida por fatores estruturais:

  • Cotações internacionais em queda;
  • Custos de produção elevados;
  • Dívidas acumuladas em função de safras passadas deficitárias.

Essa combinação pode manter a pressão sobre os produtores, mesmo com maior volume colhido.


Possíveis saídas para o setor

Renegociação de dívidas

O governo e bancos públicos têm adotado programas de renegociação, mas a eficácia depende da capacidade de os produtores gerarem fluxo de caixa para honrar novos prazos.

Políticas públicas de apoio

Especialistas defendem:

  • Ampliação do seguro agrícola, para mitigar riscos climáticos;
  • Subsídios direcionados ao crédito rural, reduzindo o peso dos juros;
  • Incentivo à diversificação de culturas, diminuindo a dependência de commodities como soja e milho.

Uso de tecnologia e gestão financeira

A adoção de ferramentas digitais para monitorar custos e produtividade é apontada como caminho para aumentar a eficiência. A profissionalização da gestão financeira nas propriedades também se torna urgente.


Impactos econômicos mais amplos

agronegócio
Imagem: Achmad Khoeron – Freepik

O agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro e desempenha papel central nas exportações. O avanço da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial pode gerar:

  • Pressão sobre bancos públicos e privados;
  • Redução de investimentos no campo;
  • Reflexos negativos no PIB agrícola nos próximos trimestres;
  • Maior volatilidade nos preços dos alimentos.

Considerações finais

O aumento de 31,7% nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio no segundo trimestre de 2025 sinaliza uma crise que vai além de pequenos produtores. Empresas agrícolas de maior porte e fornecedores de insumos também estão recorrendo ao mecanismo legal para enfrentar dívidas.

Apesar de uma safra promissora em 2025/2026, os custos elevados, os juros altos e as margens apertadas ameaçam a sustentabilidade do setor. O desafio é equilibrar produção recorde com rentabilidade suficiente para evitar que a espiral de endividamento continue.

A solução passa por políticas públicas mais robustas, gestão eficiente dentro das propriedades e maior articulação entre produtores, governo e instituições financeiras. Caso contrário, o “motor do PIB brasileiro” pode continuar girando em meio a uma engrenagem cada vez mais fragilizada.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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