Na última terça-feira (5/11), uma situação comum entre usuários de Pix chamou a atenção em Governador Valadares, Minas Gerais: uma mulher recebeu por engano um Pix no valor de R$ 600 e se recusou a devolvê-lo. Após a falha inicial em recuperar o valor, a remetente recorreu à Polícia Civil para solicitar a devolução.
⚖️ Receber Pix por engano e se recusar a devolver pode render até 4 anos de prisão
Saiba o que acontece quando alguém se recusa a devolver um Pix recebido por engano. Entenda o que diz a lei e as penalidades
Esse caso exemplifica um cenário cada vez mais frequente com o uso do Pix, que, apesar da conveniência, pode gerar problemas graves, como apropriação indébita, crime que pode levar a até quatro anos de prisão. Neste artigo, vamos detalhar as implicações legais desse tipo de situação e como proceder caso você se depare com ela.
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Entenda o caso: Pix enviado por engano e recusa na devolução
De acordo com informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o valor de R$ 600 foi transferido de forma equivocada a uma conta de uma moradora de Governador Valadares. Ao perceber o erro, a remetente do valor tentou contato com a destinatária, mas, sem sucesso, precisou registrar uma ocorrência. A polícia interveio e orientou a receptora do dinheiro a realizar a devolução dentro de 24 horas. A destinatária cumpriu o prazo e apresentou o comprovante de transferência.
Essa situação levanta a questão: é crime não devolver um Pix recebido por engano? Segundo o delegado Marco Alberto, sim. O ato configura apropriação indébita, e o descumprimento dessa devolução pode gerar consequências legais para o destinatário.
A recusa em devolver um Pix errado é crime?

Sim, a recusa em devolver valores recebidos por engano configura o crime de apropriação indébita, de acordo com o Código Penal Brasileiro. A apropriação indébita é caracterizada quando alguém se apodera de algo que pertence a outra pessoa, sabendo que não tem direito sobre esse bem. No caso do Pix, a facilidade de transferências instantâneas fez com que situações como essa se tornassem mais frequentes.
O que diz a legislação?
A apropriação indébita está prevista no artigo 168 do Código Penal, que estipula penas de um a quatro anos de prisão, além de multa, para aqueles que se apropriam de valores de terceiros sem autorização. Mesmo que o recebimento do valor tenha ocorrido de maneira acidental, ao recusar a devolução, o destinatário passa a estar sujeito a essa penalidade.
Procedimentos recomendados para recuperar um Pix enviado por engano
Caso você envie um Pix para o destinatário incorreto, há alguns passos que podem ajudar a recuperar o valor:
1. Entre em contato com o destinatário
Assim que perceber o erro, tente entrar em contato com o destinatário para explicar a situação e solicitar a devolução do valor. Muitos bancos oferecem a possibilidade de visualizar os dados de quem recebeu a transação, facilitando o contato.
2. Utilize os canais de atendimento do banco
Caso não consiga contato diretamente com o destinatário, procure o banco. Muitas instituições bancárias podem intervir para solicitar a devolução de valores enviados por engano, seguindo protocolos de segurança e confidencialidade.
3. Registre um boletim de ocorrência
Se as tentativas anteriores falharem, registrar um boletim de ocorrência pode ser necessário. A polícia poderá intimar o destinatário para dar explicações e, caso se recuse a devolver o valor, ele poderá ser indiciado por apropriação indébita.
Como a Polícia Civil atua nesses casos?

Quando o boletim de ocorrência é registrado, a Polícia Civil pode iniciar uma investigação para recuperar o valor transferido indevidamente. A instituição tem o poder de intimar o destinatário e orientá-lo a restituir a quantia.
Como parte do processo, o destinatário pode ser notificado a apresentar o comprovante de devolução em até 24 horas. Caso não cumpra, o procedimento pode ser convertido em um processo judicial, podendo resultar em penalidades.
O delegado Marco Alberto explica: “Se a pessoa se recusar a devolver o valor, podemos indiciá-la por apropriação indébita, uma prática que pode levar a condenações de até quatro anos de prisão”. O registro da ocorrência também ajuda a documentar o caso e serve como prova legal em um eventual processo.
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Exemplos de consequências legais para quem não devolve o Pix
Casos de recusa de devolução de Pix por engano podem evoluir rapidamente para processos judiciais. Dependendo das circunstâncias, a pessoa que se recusa a devolver o valor pode enfrentar as seguintes penalidades:
- Processo criminal por apropriação indébita
- Multa e reparação de danos
- Restrição de crédito e bloqueio de contas (em alguns casos, o juiz pode autorizar bloqueio de valores em contas do acusado)
Essas penalidades variam de acordo com a gravidade da situação e a decisão do juiz, que considerará a intencionalidade e o comportamento do destinatário ao avaliar o caso.
Dicas de segurança para evitar o envio de Pix errado
Evitar enganos ao enviar valores pelo Pix é essencial para não enfrentar a necessidade de recuperar valores posteriormente. Aqui estão algumas dicas úteis:
- Confirme os dados do destinatário antes de finalizar a transação. O Pix permite que o nome do receptor seja exibido antes da confirmação do pagamento.
- Prefira copiar e colar a chave Pix, para evitar erros ao digitar números de celular, CPF ou CNPJ.
- Estabeleça um valor limite para Pix, o que pode ser útil em situações de erro.
- Ative notificações para confirmar transações em tempo real, garantindo que você saiba sobre qualquer transferência imediatamente.
O que fazer se você receber um Pix por engano?
Caso receba um Pix inesperado, o ideal é contatar o remetente, pois o valor provavelmente foi transferido por engano. Em caso de dúvida, procure seu banco para relatar a situação e buscar orientações sobre a devolução correta. Agir com transparência e prontidão ajuda a evitar problemas legais e demonstra boa-fé, essencial para não ser acusado de apropriação indébita.
A importância de conhecer os direitos e deveres no uso do Pix
A conveniência do Pix veio acompanhada de responsabilidades. Situações de erro em transferências podem ocorrer e, ao receber valores por engano, é obrigação do destinatário devolver o valor para evitar problemas legais.
Seguir as orientações de segurança e ter cuidado ao transferir valores são atitudes que ajudam a minimizar incidentes e garantem um uso mais seguro e tranquilo dessa ferramenta essencial para transações diárias.
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