A proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e extinguir a escala 6×1 voltou ao centro do debate no Congresso Nacional e deve ganhar força nas eleições de 2026. Em Santa Catarina, o tema já provoca forte reação do setor produtivo.
Redução de jornada pode afetar 40 mil empregos em SC
Estudo aponta que jornada de 40h pode eliminar 41 mil empregos e reduzir PIB de SC em 0,6%.
Estudo apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) à bancada catarinense em Brasília projeta a eliminação de 41,4 mil empregos no estado nos próximos dois anos caso a medida seja aprovada sem redução proporcional de salários.
Segundo o presidente da entidade, Gilberto Seleme, a mudança pode afetar diretamente a competitividade internacional da indústria catarinense, especialmente em setores intensivos em mão de obra.
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Mudança na jornada 6×1 impactaria comércio e serviços
O que está em debate no Congresso
Atualmente, a jornada máxima prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é de 44 horas semanais. A proposta em discussão reduz esse limite para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1 — modelo comum em comércio, serviços e parte da indústria, no qual o trabalhador atua seis dias consecutivos com um de descanso.
A proposta ainda não foi votada, mas mobiliza empresários, sindicatos e economistas devido ao potencial impacto macroeconômico.
Impacto projetado no emprego em Santa Catarina
De acordo com a FIESC, a redução da jornada pode gerar:
- Corte de 41,4 mil postos de trabalho em dois anos
- Recuo de 0,6% no PIB estadual
- Queda de 1,15% no PIB industrial
A região Oeste seria a mais impactada, com retração estimada de 1,39% na atividade industrial.
Por que o emprego pode cair?
A lógica apresentada pelo estudo é baseada em aumento de custos. Se a jornada for reduzida sem redução salarial, o custo por hora trabalhada sobe. Para manter margens, empresas podem:
- Reduzir quadros
- Aumentar preços
- Investir em automação
- Perder competitividade para importados
Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, o Brasil já enfrenta avanço da concorrência externa. A participação de importados no mercado brasileiro passou de 13,4% em 2003 para 25% em 2023.
Setores mais afetados: alimentos e madeira
Santa Catarina é um dos principais exportadores do país, com forte presença nos segmentos de proteína animal e indústria florestal.
O estudo projeta queda nas exportações estaduais de 1,07%, com destaque para:
- Carne de aves: -3,3%
- Carne suína: -3,1%
- Madeira bruta: -2,6%
- Produtos de madeira: -2,4%
Esses setores competem em mercados internacionais altamente sensíveis a preço. Pequenas variações de custo podem significar perda de contratos e redução de produção.
Efeito nos preços e no consumo das famílias
A FIESC estima aumento médio de preços de 2,64% em Santa Catarina caso a medida entre em vigor.
Setores mais afetados:
- Construção civil: +4,26%
- Alimentos: +3,6%
- Vestuário: +3,57%
Esses segmentos têm grande peso no orçamento familiar. Ou seja, mesmo que haja eventual ganho salarial por hora trabalhada, o aumento de preços pode neutralizar o poder de compra.
Exemplo prático
Se uma empresa de alimentos precisa contratar mais funcionários para manter a produção com jornada menor, seu custo operacional sobe. Para compensar, ela pode reajustar preços. O consumidor paga mais no supermercado — o que pode reduzir o volume vendido e impactar novamente o emprego.
Competitividade internacional em risco
Santa Catarina é um estado exportador. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o estado figura entre os principais exportadores de proteína animal do país.
Grande parte dos concorrentes internacionais opera com jornadas semanais superiores às brasileiras. Se o Brasil reduzir a carga horária sem ganho proporcional de produtividade, o custo unitário tende a subir.
Isso pode resultar em:
- Perda de contratos externos
- Redução da produção industrial
- Aumento da penetração de importados
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Automação pode substituir empregos?
Outro possível efeito colateral apontado é a aceleração da automação industrial.
Com custo de mão de obra mais elevado por hora, empresas podem optar por:
- Investir em máquinas
- Implementar sistemas automatizados
- Reduzir dependência de trabalho intensivo
Embora aumente produtividade no longo prazo, a transição pode reduzir postos de trabalho no curto e médio prazo.
Argumentos favoráveis à redução da jornada
Defensores da proposta sustentam que jornadas menores podem:
- Melhorar qualidade de vida
- Reduzir doenças ocupacionais
- Aumentar produtividade por hora
- Estimular geração de empregos pela necessidade de novas contratações
Experiências internacionais mostram resultados variados, geralmente acompanhados de forte ganho de eficiência e inovação tecnológica.
No Brasil, o desafio central é garantir que a redução venha acompanhada de aumento real de produtividade — algo que depende de investimento, qualificação profissional e ambiente regulatório estável.
O que esperar até 2026?
O tema deve ganhar peso no calendário eleitoral. A discussão envolve:
- Política trabalhista
- Competitividade industrial
- Geração de emprego
- Crescimento econômico
Especialistas apontam que mudanças estruturais na jornada exigem análise técnica profunda e diálogo entre governo, Congresso, trabalhadores e setor produtivo.
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Imagem: Canva
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
