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Redução de jornada pode afetar 40 mil empregos em SC

Estudo aponta que jornada de 40h pode eliminar 41 mil empregos e reduzir PIB de SC em 0,6%.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Escala 6x1

A proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e extinguir a escala 6×1 voltou ao centro do debate no Congresso Nacional e deve ganhar força nas eleições de 2026. Em Santa Catarina, o tema já provoca forte reação do setor produtivo.

Estudo apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) à bancada catarinense em Brasília projeta a eliminação de 41,4 mil empregos no estado nos próximos dois anos caso a medida seja aprovada sem redução proporcional de salários.

Segundo o presidente da entidade, Gilberto Seleme, a mudança pode afetar diretamente a competitividade internacional da indústria catarinense, especialmente em setores intensivos em mão de obra.

Leia mais:

Mudança na jornada 6×1 impactaria comércio e serviços

O que está em debate no Congresso

Atualmente, a jornada máxima prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é de 44 horas semanais. A proposta em discussão reduz esse limite para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1 — modelo comum em comércio, serviços e parte da indústria, no qual o trabalhador atua seis dias consecutivos com um de descanso.

A proposta ainda não foi votada, mas mobiliza empresários, sindicatos e economistas devido ao potencial impacto macroeconômico.

Impacto projetado no emprego em Santa Catarina

De acordo com a FIESC, a redução da jornada pode gerar:

  • Corte de 41,4 mil postos de trabalho em dois anos
  • Recuo de 0,6% no PIB estadual
  • Queda de 1,15% no PIB industrial

A região Oeste seria a mais impactada, com retração estimada de 1,39% na atividade industrial.

Por que o emprego pode cair?

A lógica apresentada pelo estudo é baseada em aumento de custos. Se a jornada for reduzida sem redução salarial, o custo por hora trabalhada sobe. Para manter margens, empresas podem:

  • Reduzir quadros
  • Aumentar preços
  • Investir em automação
  • Perder competitividade para importados

Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, o Brasil já enfrenta avanço da concorrência externa. A participação de importados no mercado brasileiro passou de 13,4% em 2003 para 25% em 2023.

Setores mais afetados: alimentos e madeira

Santa Catarina é um dos principais exportadores do país, com forte presença nos segmentos de proteína animal e indústria florestal.

O estudo projeta queda nas exportações estaduais de 1,07%, com destaque para:

  • Carne de aves: -3,3%
  • Carne suína: -3,1%
  • Madeira bruta: -2,6%
  • Produtos de madeira: -2,4%

Esses setores competem em mercados internacionais altamente sensíveis a preço. Pequenas variações de custo podem significar perda de contratos e redução de produção.

Efeito nos preços e no consumo das famílias

A FIESC estima aumento médio de preços de 2,64% em Santa Catarina caso a medida entre em vigor.

Setores mais afetados:

  • Construção civil: +4,26%
  • Alimentos: +3,6%
  • Vestuário: +3,57%

Esses segmentos têm grande peso no orçamento familiar. Ou seja, mesmo que haja eventual ganho salarial por hora trabalhada, o aumento de preços pode neutralizar o poder de compra.

Exemplo prático

Se uma empresa de alimentos precisa contratar mais funcionários para manter a produção com jornada menor, seu custo operacional sobe. Para compensar, ela pode reajustar preços. O consumidor paga mais no supermercado — o que pode reduzir o volume vendido e impactar novamente o emprego.

Competitividade internacional em risco

Santa Catarina é um estado exportador. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o estado figura entre os principais exportadores de proteína animal do país.

Grande parte dos concorrentes internacionais opera com jornadas semanais superiores às brasileiras. Se o Brasil reduzir a carga horária sem ganho proporcional de produtividade, o custo unitário tende a subir.

Isso pode resultar em:

  • Perda de contratos externos
  • Redução da produção industrial
  • Aumento da penetração de importados

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Automação pode substituir empregos?

Outro possível efeito colateral apontado é a aceleração da automação industrial.

Com custo de mão de obra mais elevado por hora, empresas podem optar por:

  • Investir em máquinas
  • Implementar sistemas automatizados
  • Reduzir dependência de trabalho intensivo

Embora aumente produtividade no longo prazo, a transição pode reduzir postos de trabalho no curto e médio prazo.

Argumentos favoráveis à redução da jornada

Defensores da proposta sustentam que jornadas menores podem:

  • Melhorar qualidade de vida
  • Reduzir doenças ocupacionais
  • Aumentar produtividade por hora
  • Estimular geração de empregos pela necessidade de novas contratações

Experiências internacionais mostram resultados variados, geralmente acompanhados de forte ganho de eficiência e inovação tecnológica.

No Brasil, o desafio central é garantir que a redução venha acompanhada de aumento real de produtividade — algo que depende de investimento, qualificação profissional e ambiente regulatório estável.

O que esperar até 2026?

O tema deve ganhar peso no calendário eleitoral. A discussão envolve:

  • Política trabalhista
  • Competitividade industrial
  • Geração de emprego
  • Crescimento econômico

Especialistas apontam que mudanças estruturais na jornada exigem análise técnica profunda e diálogo entre governo, Congresso, trabalhadores e setor produtivo.

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Imagem: Canva

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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