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22% mais caro? Entenda o impacto no seu bolso com o fim da escala 6×1

FecomercioSP alerta que reduzir jornada sem cortar salário pode elevar custo da hora em 22% e impactar MPMEs.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
escala 6x1

A proposta de redução da jornada semanal de trabalho sem compensação salarial voltou ao centro do debate no Congresso Nacional. Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a mudança pode gerar aumento de aproximadamente 22% no custo da hora trabalhada.

O estudo considera uma redução de cerca de 18% na carga horária semanal — por exemplo, de 44 para 36 horas — mantendo o mesmo salário mensal. Na avaliação da entidade, o impacto seria significativo, sobretudo para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que possuem menor capacidade de absorver custos adicionais.

A discussão ocorre em meio à análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe rever o modelo atual de jornada, inclusive com debates sobre o fim da escala 6×1.

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O que muda na prática com a redução da jornada?

A jornada legal máxima no Brasil é de 44 horas semanais, conforme previsto na Constituição Federal. Entretanto, a média negociada é menor: cerca de 39 horas, segundo dados de acordos coletivos já firmados em diversos setores.

A proposta em debate prevê reduzir a jornada para 36 horas semanais, sem redução salarial.

Simulação prática do impacto

Com base em um salário hipotético de R$ 2.200:

Modelo atual (44 horas semanais):

  • Custo da hora trabalhada: R$ 10

Modelo proposto (36 horas semanais):

  • Custo da hora trabalhada: R$ 12,22

Variação da carga horária: -18,2%
Variação do custo da hora trabalhada: +22,2%

Ou seja, o empregador pagaria o mesmo salário mensal por menos horas trabalhadas, elevando o custo unitário da mão de obra.

Por que o impacto preocupa o setor empresarial?

De acordo com a FecomercioSP, que representa cerca de 1,8 milhão de empresas responsáveis por aproximadamente 10% do PIB nacional, o reajuste implícito supera com folga os aumentos reais negociados em convenções coletivas — que giram em torno de 1% ao ano, considerando ganhos de produtividade.

Na avaliação da entidade, os principais riscos incluem:

  • Aumento dos custos operacionais
  • Pressão sobre margens de lucro
  • Redução da competitividade
  • Maior risco de informalidade

A federação argumenta que mudanças estruturais deveriam continuar sendo discutidas no âmbito das negociações coletivas, respeitando as particularidades de cada setor.

Impacto maior sobre micro e pequenas empresas

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), micro e pequenas empresas são responsáveis pela criação de aproximadamente 1 milhão de empregos por ano no Brasil.

Esses negócios operam, em geral, com:

  • Margens mais apertadas
  • Menor capital de giro
  • Maior dependência de mão de obra intensiva

Uma elevação de 22% no custo da hora trabalhada poderia afetar diretamente:

  • Comércio varejista
  • Serviços de alimentação
  • Pequenas indústrias
  • Setor de construção civil

Em alguns casos, a alternativa poderia ser reduzir quadro de funcionários ou repassar custos ao consumidor.

O que dizem os dados da RAIS?

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) mostram que, em 2023, 63% dos vínculos formais estavam concentrados em contratos entre 41 e 44 horas semanais.

Em setores como:

  • Comércio varejista
  • Serviços intensivos em mão de obra

Esse percentual se aproxima de 90%.

Na agricultura e na construção civil, a proporção é semelhante, o que indica forte dependência de jornadas próximas ao limite legal atual.

Argumentos favoráveis à redução da jornada

Defensores da PEC afirmam que a redução pode:

  • Melhorar a qualidade de vida
  • Reduzir estresse e doenças ocupacionais
  • Estimular geração de novos empregos
  • Aumentar produtividade por hora

Alguns países europeus já adotaram jornadas menores com resultados mistos. O sucesso dessas experiências costuma depender de alta produtividade e forte investimento em tecnologia.

Negociação coletiva como alternativa

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A FecomercioSP defende que ajustes na jornada devem ocorrer por meio de:

  • Convenções coletivas
  • Acordos coletivos de trabalho

Esses instrumentos permitem:

  • Adequação à realidade de cada setor
  • Compensação de horas em períodos sazonais
  • Modelos flexíveis de banco de horas

Na prática, muitos setores já adotam jornadas inferiores a 44 horas como estratégia para melhorar produtividade e retenção de talentos.

Possíveis reflexos na economia

Uma mudança constitucional pode gerar efeitos amplos:

No curto prazo

  • Reavaliação de contratos de trabalho
  • Revisão de escalas operacionais
  • Impacto nos custos das empresas

No médio prazo

  • Ajustes em preços
  • Mudança em modelos de contratação
  • Possível avanço da automação

Setores com maior intensidade de capital podem substituir mão de obra por tecnologia para compensar custos.

O debate ainda está em aberto

A PEC segue em análise no Congresso Nacional, com posicionamentos divergentes entre representantes empresariais e entidades de trabalhadores.

O desafio central é equilibrar:

  • Sustentabilidade econômica das empresas
  • Manutenção e geração de empregos
  • Qualidade de vida dos trabalhadores

Qualquer alteração estrutural na jornada exige análise cuidadosa de seus impactos macroeconômicos e sociais.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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