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Estudo aponta impacto da escala 6×1 no preço de imóveis novos

Entenda como a redução da jornada de trabalho pode afetar custos, lançamentos e preços dos imóveis no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Estudo aponta impacto da escala 6×1 no preço de imóveis novos

A possibilidade de redução da jornada de trabalho no Brasil, com a mudança do limite semanal de 44 para 40 horas, abriu um novo debate dentro do setor imobiliário. Embora a proposta tenha como objetivo alterar a relação entre tempo de trabalho e produtividade, o mercado da construção civil avalia que a medida pode gerar efeitos relevantes sobre os custos dos empreendimentos.

O alerta ocorre em um momento em que o setor já enfrenta desafios importantes, como juros elevados, aumento dos custos de produção, inflação em determinados insumos e dificuldade para encontrar profissionais qualificados.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em conjunto com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que a mudança pode elevar o custo total dos empreendimentos imobiliários entre 5% e 11%, dependendo do formato de implementação adotado.

A preocupação das empresas está principalmente nos projetos que já foram vendidos. Como muitos contratos possuem valores previamente definidos, especialmente no segmento de habitação popular, incorporadoras podem ter dificuldade para repassar uma eventual alta de custos aos compradores.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Por que a construção civil pode ser mais afetada pela mudança

A construção civil possui uma característica diferente de muitos outros setores da economia: grande parte da produção depende diretamente da presença de trabalhadores nos canteiros de obras.

Diferentemente de atividades que conseguem compensar uma redução de jornada com automação ou ganhos rápidos de produtividade, uma obra depende de etapas sequenciais, equipes especializadas e cumprimento de cronogramas.

Uma redução no número de horas trabalhadas pode exigir adaptações como:

  • contratação de mais funcionários;
  • reorganização dos turnos;
  • aumento de custos operacionais;
  • revisão dos cronogramas de entrega.

Na prática, o impacto não está apenas no salário pago aos trabalhadores, mas em toda a estrutura envolvida para manter o ritmo de produção.

Efeito em cadeia pode atingir materiais e serviços terceirizados

Um dos pontos destacados pelo setor é que o aumento de custos não ficaria restrito à folha de pagamento.

A construção civil funciona por meio de uma extensa cadeia produtiva que envolve fornecedores de materiais, transportadoras, empresas terceirizadas, serviços especializados e fabricantes de componentes.

Se uma obra passa a exigir mais equipes ou mais horas adicionais para manter o mesmo ritmo, os custos podem se espalhar por diferentes áreas do empreendimento.

Esse efeito pode pressionar desde pequenas construtoras até grandes incorporadoras, especialmente aquelas que trabalham com margens mais apertadas.

Empreendimentos populares podem sofrer maior impacto

O segmento econômico é apontado como um dos mais vulneráveis a uma eventual redução da jornada.

Projetos voltados ao público de menor renda, incluindo empreendimentos ligados ao programa Minha Casa Minha Vida, possuem características específicas: preços mais controlados, dependência de regras de financiamento e menor espaço para reajustes.

Nesse mercado, as incorporadoras normalmente trabalham com margens mais reduzidas. Um aumento significativo no custo da construção pode comprometer a viabilidade financeira de novos projetos.

Além disso, como parte desses imóveis depende dos limites de financiamento e das condições estabelecidas pela Caixa Econômica Federal, existe menor flexibilidade para ajustar valores rapidamente.

Projetos já vendidos podem ter impacto direto nas margens

Um dos maiores desafios apontados pelo setor está nos empreendimentos que já foram comercializados.

Atualmente, milhares de unidades habitacionais estão em diferentes fases de construção com contratos firmados antes de qualquer mudança definitiva na jornada de trabalho.

Nesse cenário, a incorporadora pode enfrentar uma situação delicada: custos maiores durante a execução, mas preço de venda já definido.

O resultado pode ser uma redução das margens de lucro, necessidade de ajustes operacionais ou reavaliação de novos lançamentos.

Mercado já enfrenta pressão com mão de obra e custos elevados

A discussão sobre a jornada de trabalho acontece em um ambiente que já apresenta dificuldades.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getulio Vargas, acompanha a variação dos custos do setor e tem mostrado pressão especialmente nos componentes relacionados à mão de obra.

Além disso, empresas relatam há anos dificuldades para encontrar profissionais qualificados, como pedreiros especializados, técnicos e trabalhadores com experiência em determinadas etapas construtivas.

Segundo estimativas divulgadas pelo setor, uma redução da jornada poderia exigir a entrada de centenas de milhares de novos trabalhadores para preservar os níveis atuais de produtividade.

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O desafio está justamente em encontrar esse contingente em um mercado que já apresenta escassez de profissionais.

Construtoras podem buscar novas estratégias para reduzir impactos

Diante de possíveis mudanças, empresas do setor devem avaliar alternativas para manter produtividade e controlar custos.

Entre as estratégias consideradas estão:

Maior uso de tecnologia nas obras

Soluções digitais, gestão integrada de projetos e sistemas de acompanhamento de produtividade podem ajudar empresas a reduzir perdas e melhorar o planejamento.

Avanço da construção industrializada

Métodos como pré-moldados, componentes produzidos fora do canteiro e sistemas modulares podem ganhar espaço por reduzir etapas presenciais e aumentar a previsibilidade da execução.

Revisão dos modelos de contratação

Empresas também podem buscar novas formas de organizar equipes, turnos e processos internos para evitar grandes impactos no cronograma.

Como a mudança pode afetar o preço dos imóveis

obra construção
Imagem: Freepik

Um dos principais questionamentos do consumidor é se uma eventual redução da jornada poderia tornar os imóveis mais caros.

O impacto dependerá de vários fatores, como produtividade das empresas, adaptação do mercado, comportamento dos juros e capacidade do setor de absorver custos.

Caso as empresas não consigam compensar o aumento das despesas, parte desse impacto pode aparecer nos preços de novos lançamentos.

Por outro lado, uma evolução tecnológica e ganhos de eficiência poderiam reduzir parte dessa pressão ao longo do tempo.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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