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CNI: 50% das empresas avaliam mudar investimentos se PEC da 6×1 avançar

Pesquisa da CNI mostra que quase metade das indústrias pode rever investimentos caso a jornada semanal seja reduzida.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Uma eventual mudança na legislação trabalhista para reduzir a jornada semanal de trabalho ou extinguir a escala 6×1 pode provocar impactos significativos nos planos de investimento da indústria brasileira. É o que revela uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mostra que 46% das empresas consultadas afirmam que poderiam rever seus projetos de expansão caso as propostas avancem.

O levantamento indica que o setor industrial enxerga riscos relacionados ao aumento dos custos operacionais, à perda de competitividade e à redução da produção. Ao mesmo tempo, o debate sobre a jornada de trabalho tem ganhado espaço no Congresso Nacional e na sociedade, impulsionado por propostas que defendem maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos trabalhadores.

Embora ainda não exista uma mudança definitiva na legislação, os dados da pesquisa ajudam a entender como parte do setor produtivo avalia os possíveis efeitos econômicos das medidas.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O que mostra a pesquisa da CNI

A sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria ouviu empresas de diferentes portes e segmentos para avaliar os possíveis impactos de alterações nas regras da jornada de trabalho.

Entre os principais resultados estão:

  • 46% das indústrias afirmaram que poderiam rever seus planos de investimento;
  • 54% disseram que manteriam seus projetos mesmo diante das mudanças;
  • 97% acreditam que seriam afetadas por uma eventual redução da jornada semanal.

Os números demonstram que praticamente todo o setor industrial prevê algum tipo de impacto caso ocorram alterações na legislação trabalhista.

Quais mudanças estão em discussão

O debate envolve principalmente duas propostas que vêm sendo discutidas em diferentes esferas políticas e sindicais.

Redução da jornada semanal

Uma das propostas prevê reduzir a jornada legal de 44 para 40 horas semanais, mantendo os salários atuais dos trabalhadores.

Na prática, isso diminuiria o número máximo de horas que um empregado poderia trabalhar por semana sem redução da remuneração.

Fim da escala 6×1

Outra proposta busca limitar ou extinguir a tradicional escala 6×1, na qual o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e folga um.

A discussão ganhou força principalmente em setores como comércio, serviços e indústria, onde esse modelo de organização da jornada ainda é bastante utilizado.

Até o momento, essas propostas seguem em debate e ainda não representam mudanças definitivas na legislação trabalhista brasileira.

Maioria das empresas é contra as propostas

Segundo a pesquisa da CNI, a maior parte das empresas entrevistadas demonstrou preocupação com as possíveis alterações.

Os resultados mostram que:

  • 73% são contrárias à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial;
  • 57% discordam da proibição da escala 6×1.

De acordo com a entidade, as empresas argumentam que mudanças dessa natureza poderiam elevar os custos operacionais, especialmente em atividades que dependem de mão de obra intensiva.

Aumento dos custos é a principal preocupação

Entre os impactos apontados pelas empresas, o crescimento das despesas aparece como o principal desafio.

Segundo o levantamento:

  • 85% acreditam que haveria aumento dos custos com empregados;
  • 82% esperam elevação dos custos com fornecedores.

Na avaliação das indústrias, uma jornada menor poderia exigir contratações adicionais, reorganização de turnos ou pagamento maior de horas extras para manter os níveis atuais de produção.

Esses fatores tendem a pressionar o orçamento das empresas, especialmente em segmentos com margens de lucro mais apertadas.

Indústrias também temem perda de competitividade

Outro ponto destacado pela pesquisa é a preocupação com a capacidade competitiva das empresas brasileiras.

Os dados mostram que:

  • 70% acreditam que as mudanças poderiam reduzir a competitividade;
  • 68% projetam queda no volume de produção.

Além disso:

  • 76% classificam o impacto sobre a competitividade como alto ou médio;
  • 81% consideram elevado ou moderado o risco de redução da produção.

Na visão das empresas consultadas, custos maiores podem dificultar a concorrência com fabricantes de outros países que operam sob regras trabalhistas diferentes.

Pequenas empresas podem sentir impactos maiores

A pesquisa também identificou diferenças importantes conforme o porte da empresa.

As pequenas indústrias demonstraram maior preocupação com os efeitos financeiros das mudanças.

Entre os motivos estão:

  • menor capacidade de absorver custos adicionais;
  • menor disponibilidade de recursos para investir em tecnologia;
  • maior dificuldade para reorganizar escalas de trabalho.

Esse cenário faz com que pequenas empresas apresentem maior tendência a rever investimentos ou adiar projetos de expansão.

Automação aparece como alternativa

Diante da possibilidade de aumento dos custos, muitas empresas afirmam que buscariam alternativas para manter a produtividade.

Entre as principais medidas citadas estão:

Repasse de custos ao consumidor

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Foi a alternativa mais mencionada na pesquisa.

51% das empresas disseram que poderiam reajustar preços para compensar o aumento das despesas.

Investimentos em automação

A automação aparece como segunda principal estratégia.

Ela foi citada por 41% das indústrias entrevistadas.

Entre as grandes empresas, esse percentual sobe para 49%, enquanto nas pequenas cai para 29%, evidenciando que empresas maiores possuem maior capacidade financeira para investir em tecnologia.

Redução de reajustes salariais

Outra medida apontada foi a diminuição da concessão de aumentos salariais e promoções.

Essa possibilidade foi mencionada por 34% das empresas.

Redução do quadro de funcionários

Embora menos frequente, algumas empresas também afirmaram considerar cortes no número de empregados.

Entre as pequenas indústrias, essa hipótese foi citada por 17% dos entrevistados.

Nas grandes empresas, o percentual ficou em 10%.

O que dizem os defensores da redução da jornada

Enquanto parte do setor empresarial destaca os impactos econômicos, os defensores da redução da jornada argumentam que a medida pode trazer benefícios sociais e econômicos de longo prazo.

Entre os principais argumentos apresentados por especialistas favoráveis estão:

  • melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores;
  • redução do estresse e do adoecimento ocupacional;
  • aumento da produtividade em algumas atividades;
  • maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
  • possibilidade de geração de novos empregos em determinados setores.

Experiências internacionais mostram que os resultados podem variar conforme o segmento econômico, a produtividade das empresas e a forma como a mudança é implementada.

Por esse motivo, o tema continua sendo objeto de debates entre representantes dos trabalhadores, empresários, economistas e parlamentares.

O debate ainda está em andamento

Congresso
Imagem: gary yim/shutterstock.com

As propostas relacionadas à redução da jornada semanal e ao fim da escala 6×1 ainda passam por discussões no Congresso Nacional e não produziram alterações imediatas na legislação.

Caso alguma mudança seja aprovada, sua implementação dependerá do texto final aprovado pelos parlamentares, podendo incluir regras de transição ou adaptações específicas para determinados setores da economia.

Até lá, empresas, trabalhadores e especialistas continuam acompanhando as discussões para avaliar os possíveis efeitos sobre o mercado de trabalho, os custos das empresas e a competitividade da indústria brasileira.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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