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Nova proposta pode encerrar férias de 60 dias e igualar regras ao setor privado

Entenda como a Reforma Administrativa pode encerrar férias de 60 dias e mudar benefícios dos servidores. Leia mais!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Mais de 80% dos trabalhadores se sentem esgotados

A Reforma Administrativa voltou ao centro do debate político no Brasil. Comissão geral marcada para 3 de setembro na Câmara dos Deputados promete ser o ponto de partida para a discussão da PEC 32/2020, que traz medidas capazes de transformar profundamente a estrutura do funcionalismo público.

Entre os principais pontos em pauta está o fim das férias de 60 dias em algumas carreiras, tema que mobiliza entidades e divide opiniões.

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O que está em jogo na Reforma Administrativa

Homem com boia e óculos de sol sentado em cima de mesa de escritório
Imagem: Studio Romantic / shutterstock.com

Modernização e eficiência

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem tratado a proposta como prioridade neste semestre. O objetivo, segundo ele, é “modernizar o serviço público, corrigir distorções e elevar a eficiência do Estado”.

A iniciativa parte de um grupo de trabalho coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), criado em maio de 2025. O desenho final deve ser dividido em três frentes legislativas: uma emenda constitucional, um projeto de lei complementar e um projeto de lei ordinária.

Comissão geral como primeiro teste

A comissão geral convocada para setembro será o primeiro grande termômetro político do tema neste semestre. Nesse formato, não há votação, mas sim debate público entre deputados e convidados, preparando o terreno para as deliberações formais.

Fim das férias de 60 dias: padronização para todos os servidores

Como funciona hoje

Atualmente, algumas carreiras, como a magistratura e o Ministério Público, ainda possuem direito a 60 dias de férias por ano — benefício visto como desproporcional em comparação aos 30 dias previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para trabalhadores da iniciativa privada.

Proposta

A reforma prevê padronizar o período de férias em 30 dias para todos os servidores, independentemente do cargo ou função. Segundo o relator, a medida busca “colocar todo mundo no mesmo plano”, criando maior equilíbrio entre o setor público e privado.

Impactos esperados

  • Redução de custos para os cofres públicos.
  • Fim de privilégios históricos em carreiras específicas.
  • Maior igualdade na percepção da sociedade sobre direitos trabalhistas.

Outras mudanças estruturais em discussão

Aposentadoria compulsória como punição

Um dos pontos mais polêmicos é o fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar. Hoje, magistrados e membros do MP que cometem irregularidades podem ser “punidos” com aposentadoria antecipada, mantendo salários proporcionais. O novo texto prevê o afastamento real, sem remuneração.

Home office com limites nacionais

O grupo de trabalho também propõe restringir o teletrabalho a um dia por semana como regra geral, criando parâmetros uniformes em todo o país. A intenção é assegurar presença mínima nos órgãos públicos e evitar disparidades entre carreiras e poderes.

Combate a supersalários e penduricalhos

Outro foco central é a criação de mecanismos mais rígidos contra os chamados supersalários, que ultrapassam o teto constitucional devido ao uso de verbas indenizatórias. A ideia é que até mesmo estatais não listadas em bolsa, como BNDES e Caixa, fiquem submetidas ao limite.

Carreiras, progressão e remuneração

Novas regras para ingresso

A proposta prevê que carreiras tenham no mínimo 20 níveis de progressão. Além disso, o salário inicial não poderá ultrapassar 50% do valor do topo da carreira, evitando que novos servidores ingressem já próximos ao teto.

Avaliação de desempenho

A criação de parâmetros nacionais de avaliação é outro ponto sensível. O modelo prevê metas de produtividade, possibilidade de bônus por resultados e regras claras para progressão. O Ministério da Gestão defende que essa medida pode elevar a eficiência e premiar servidores mais produtivos.

Concursos públicos e estágio probatório reforçado

Vínculo de experiência

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Além da prova tradicional, os concursos públicos poderão incluir um período de “vínculo de experiência” de até dois anos, funcionando como um estágio prático supervisionado. A efetivação ocorreria somente após avaliação de desempenho nessa fase.

Contratações temporárias

Outro eixo é a criação de diretrizes nacionais para contratações temporárias, prática já comum em estados e municípios, mas sem padronização legal. A ideia é garantir segurança jurídica, sem substituir os concursos onde são exigidos.

Calendário e o clima político

Funcionário de escritório descalço e feliz com chapéu de sol, óculos escuros e anel de natação sentado na mesa e bebendo coquetel, enquanto espera por férias de verão.
Imagem: Studio Romantic/shutterstock.com

O relator Pedro Paulo afirmou que o pacote não busca cortes imediatos, mas que muitas medidas devem gerar economia no curto, médio e longo prazo.

O presidente da Câmara reforçou que a discussão “não pode mais ser adiada”, sob pena de comprometer a capacidade do Estado de servir com eficiência e justiça.

A expectativa é de que os textos sejam apresentados ainda em setembro, após a comissão geral, abrindo caminho para votações no segundo semestre.

Desafios e resistências

A proposta deve enfrentar forte resistência de corporações do funcionalismo e entidades de classe, sobretudo em pontos como:

  • Fim das férias de 60 dias.
  • Limitação do home office.
  • Alterações em regimes de carreira.

Ao mesmo tempo, setores do governo e da sociedade civil defendem que a reforma é essencial para alinhar o Brasil a padrões internacionais de eficiência no setor público.

Conclusão

A Reforma Administrativa de 2025 reacende uma das discussões mais delicadas da política brasileira: o equilíbrio entre direitos adquiridos, eficiência do Estado e justiça social.

O fim das férias de 60 dias, a padronização do home office e o combate a supersalários são apenas alguns dos pontos que devem marcar o debate. A comissão geral de setembro será o primeiro passo para medir até onde o Congresso está disposto a avançar nessa pauta.

Imagem: PEERAWICH PHAISITSAWAN/shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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