A reforma tributária brasileira vem sendo tratada como uma das maiores mudanças no sistema fiscal do país em décadas. Embora muito se fale sobre unificação de tributos e simplificação, duas alterações específicas têm chamado atenção dos contribuintes: as novas regras sobre o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação).
Reforma Tributária: modernização de cadastros pode impactar o valor do IPTU
Nova forma de calcular o valor venal dos imóveis pode elevar IPTU e ITCMD. Reforma tributária traz digitalização, mais transparência e mais.
Mesmo sem modificar diretamente as alíquotas desses tributos, a forma de cálculo do valor venal dos imóveis será atualizada, o que pode levar a um aumento real no valor pago. Além disso, o ITCMD passa a contar com alíquotas progressivas, especialmente em heranças de maior valor.
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O que muda no IPTU e no ITCMD?

O que é o IPTU?
O IPTU é um imposto municipal, cobrado anualmente sobre imóveis localizados em áreas urbanas. Sua base de cálculo é o valor venal do bem, definido pela prefeitura, multiplicado pela alíquota estabelecida por lei municipal.
O que é o ITCMD?
Já o ITCMD é um imposto estadual, que incide sobre a transferência de bens por herança ou doação. Até agora, muitos estados aplicavam alíquotas fixas, mas a reforma traz progressividade, ou seja, quanto maior o patrimônio herdado ou recebido em doação, maior será a porcentagem paga.
O papel do valor venal na cobrança de impostos
O valor venal é a estimativa feita pelo poder público sobre o preço de mercado de um imóvel em uma venda à vista. Ele não corresponde exatamente ao preço de venda praticado no mercado, mas serve de referência para cálculo de impostos.
Antes da reforma, havia defasagens: muitas prefeituras não atualizavam esse valor regularmente, o que levava a cobranças de IPTU abaixo do que refletiria o mercado. Já no ITCMD, cada estado tinha autonomia para definir critérios próprios, o que gerava inconsistências.
Novos sistemas criados: CIB e Sinter
O que é o CIB?
O Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) funcionará como um “CPF” para cada imóvel. Cada propriedade no país terá um código único de identificação, reunindo todas as informações relevantes em uma base nacional.
O que é o Sinter?
O Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter) será gerido pela Receita Federal e terá como função integrar informações do CIB com cartórios, prefeituras e órgãos estaduais.
Principais objetivos:
- Integrar informações imobiliárias em tempo real.
- Aumentar a transparência no mercado de imóveis.
- Padronizar o cálculo do valor venal em todo o país.
Quando as mudanças começam a valer?
- Capitais brasileiras: a partir de 1º de janeiro de 2026.
- Demais municípios: a partir de 1º de janeiro de 2027.
Essa implementação gradual busca dar tempo para estados e prefeituras se adequarem à digitalização e à integração dos sistemas.
Por que o valor do IPTU pode aumentar?
Com o Sinter e o CIB, o valor venal do imóvel será atualizado com maior frequência e ficará mais próximo do valor de mercado.
Antes da reforma:
- O valor venal podia ficar anos sem atualização.
- Isso gerava cobrança de IPTU com base em preços defasados.
Depois da reforma:
- O valor venal será atualizado com mais regularidade.
- O IPTU será calculado sobre uma base mais próxima da realidade de mercado.
- Resultado: mesmo sem aumento da alíquota, o valor final do imposto pode subir.
E o que muda no ITCMD?
Progressividade das alíquotas
O ITCMD, antes frequentemente calculado por alíquotas fixas, passa a ser progressivo.
Exemplo prático:
- Quem recebe uma herança de valor mais baixo pagará uma alíquota reduzida.
- Quem recebe uma herança milionária terá alíquotas mais altas.
Impacto esperado
- Contribuintes de menor renda: tendem a pagar menos.
- Heranças de maior valor: podem enfrentar aumento significativo na carga tributária.
Especialistas em direito tributário alertam para a importância de planejamento sucessório para evitar surpresas desagradáveis no momento da transmissão de patrimônio.
Vantagens da mudança
Apesar do receio de aumento nos valores pagos, a reforma traz avanços importantes:
Transparência
Com o CIB e o Sinter, contribuintes terão acesso a informações claras sobre o valor de seus imóveis e a forma de cálculo dos impostos.
Segurança jurídica
A unificação dos dados elimina divergências entre estados, prefeituras e cartórios, reduzindo disputas judiciais.
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Digitalização
A modernização dos sistemas permitirá monitoramento quase em tempo real das transações imobiliárias.
Desafios e críticas
Risco de aumento no IPTU
Muitos especialistas acreditam que a atualização mais frequente do valor venal pode pesar no bolso de contribuintes, principalmente em grandes centros urbanos.
Implementação complexa
A integração entre cartórios, estados, municípios e Receita Federal exige grande esforço tecnológico e institucional.
Resistência política
Prefeituras podem enfrentar pressão de contribuintes contrários a reajustes de IPTU, enquanto estados terão de lidar com debates sobre alíquotas progressivas do ITCMD.
O que dizem os especialistas?
O advogado tributarista Bruno Gonçalves explica que a mudança não é, em essência, de alíquota, mas de base de cálculo.
“O contribuinte deve entender que o risco de aumento no IPTU vem da atualização mais precisa do valor venal. Para o ITCMD, a progressividade é justa do ponto de vista social, mas requer planejamento tributário”, afirma.
O que o contribuinte deve fazer?

Acompanhar a regulamentação local
Cada município e cada estado pode adotar regras complementares sobre IPTU e ITCMD.
Consultar especialistas
Advogados tributaristas e contadores podem auxiliar no planejamento de heranças e doações para minimizar impactos.
Planejamento patrimonial
No caso de heranças, antecipar doações em vida ou criar estruturas jurídicas específicas pode reduzir a carga tributária no futuro.
Considerações finais
A reforma tributária representa um marco importante na modernização do sistema fiscal brasileiro. Embora as alíquotas do IPTU e do ITCMD não tenham sido alteradas, a forma de cálculo do valor venal dos imóveis promete trazer mais precisão e transparência — mas também pode resultar em aumentos no valor final pago.
Para o contribuinte, o momento é de atenção e planejamento. Com a digitalização e a integração de dados, a fiscalização será mais rigorosa, e erros ou omissões terão cada vez menos espaço.
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