Com uma proposta ousada de reforma no setor elétrico, o governo federal quer baratear a conta de luz para até 60 milhões de brasileiros.
Governo amplia redução na conta de luz; veja se tem direito!
Reforma do setor elétrico pode cortar conta de luz de 60 milhões de brasileiros. Saiba mais sobre a novidade!
A medida, que será implementada por meio de uma Medida Provisória (MP), traz mudanças profundas na estrutura tarifária atual, promovendo justiça social e redistribuição de encargos no sistema energético nacional.
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Justiça tarifária no centro da proposta

Durante o anúncio feito pelos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes do Congresso Nacional, o foco principal ficou claro: tornar a cobrança da energia mais justa.
Segundo Rui Costa, a proposta visa corrigir distorções no sistema:
“Hoje, alguns custos da energia elétrica, de subsídio para energia solar, eram pagos pelos consumidores cativos: aqueles que têm a conta de energia simples. Vários outros não pagavam isso. Então, essa medida busca diluir, (de forma) que todos paguem o custo da energia elétrica. Com isso, a classe média será beneficiada, pois a maioria não está no mercado livre nem tem geração de energia própria”, disse o ministro, comparando a lógica com a de um condomínio, onde todos os moradores dividem os custos.
Início dos efeitos: a partir de junho
Conforme detalhado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), as mudanças devem começar a valer já em junho. A MP, que passou por análise técnica na Casa Civil nas últimas semanas, ainda precisará de aprovação no Congresso Nacional.
A expectativa é de que, com a tramitação acelerada, os efeitos sejam sentidos rapidamente pelos consumidores, especialmente aqueles das faixas mais vulneráveis.
Desconto social: alívio para famílias de baixa renda
Uma das principais inovações da proposta é a criação de um novo modelo de tarifa social. Com ela, famílias com renda per capita entre meio e um salário mínimo (de R$ 759 a R$ 1.518) e consumo de até 120kWh por mês serão isentas da cobrança da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Esse encargo representa cerca de 12% da fatura de energia, o que significa uma economia significativa para quem mais precisa.
Com essa medida, aproximadamente 21 milhões de famílias – ou cerca de 55 milhões de pessoas – poderão ser beneficiadas.
Tarifa zero para os mais vulneráveis
A reformulação da tarifa social inclui ainda a isenção total da conta de luz para quem consome até 80kWh por mês, desde que atenda aos seguintes critérios:
- Inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 759);
- Pessoas com deficiência ou idosos que recebam o Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Famílias indígenas ou quilombolas cadastradas no CadÚnico;
- Moradores de áreas remotas, não integradas ao sistema elétrico nacional.
Nesses casos, o benefício será aplicado aos primeiros 80kWh consumidos mensalmente. Se o consumo ultrapassar esse limite, apenas o excedente será cobrado.
A expectativa do governo é que 17 milhões de famílias (cerca de 60 milhões de pessoas) sejam atendidas por essa modalidade, com custo anual estimado em R$ 3,6 bilhões — compensado por ajustes no mercado de energia.
Como é a tarifa social atualmente
Hoje, o programa de tarifa social oferece descontos progressivos de até 65% na fatura de energia, mas com critérios mais restritivos. Ele abrange:
- Famílias do CadÚnico com renda per capita inferior a meio salário mínimo;
- Beneficiários do BPC;
- Famílias com renda de até três salários mínimos que tenham membro com deficiência.
A reformulação busca ampliar o alcance, garantir maior equidade e simplificar a aplicação dos benefícios.
Corte de isenções: energia solar e eólica na mira
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Um dos pontos mais polêmicos da proposta é o fim gradual das isenções concedidas a consumidores de energia solar e eólica. Atualmente, esses benefícios custam cerca de R$ 10 bilhões por ano, valor que é repassado a todos os consumidores via CDE.
A nova estrutura pretende realocar esses recursos para ampliar a tarifa social, tornando o sistema mais justo, segundo o governo.
Liberdade de escolha a partir de 2028
Outro aspecto relevante da MP é a proposta de abertura total do mercado de energia. A partir de 2028, todos os consumidores – incluindo residenciais – poderão escolher seus fornecedores de energia com base em preço ou fonte de geração (solar, eólica, hidráulica, etc.).
O cronograma é o seguinte:
- Agosto de 2026 – Abertura para indústrias e comércios
- Dezembro de 2027 – Liberação para consumidores residenciais
Com isso, o governo busca democratizar o acesso ao mercado livre, hoje restrito a grandes consumidores, permitindo maior concorrência e preços potencialmente mais baixos.
Outras mudanças estruturais

Além das ações voltadas ao consumidor, a reforma propõe ajustes técnicos no setor elétrico:
- Inclusão dos consumidores livres como compradores da energia produzida nas usinas nucleares Angra 1 e 2;
- Extensão da responsabilidade desses consumidores pelo financiamento de subsídios via CDE;
- Revisão nos descontos para irrigação e aquicultura, incentivando o consumo em horários alternativos para aliviar o sistema elétrico.
Com informações de: EXTRA
