Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Fase de testes da reforma tributária começa

Reforma tributária entra em fase prática em 2026, promete simplificação, ganho de produtividade e impacto positivo no PIB ao longo dos próximos anos.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana4 min de leitura
Reforma tributária (2)

Uma das reformas mais aguardadas das últimas décadas finalmente começa a ganhar forma no Brasil. A reforma tributária sobre o consumo, debatida por anos no Congresso, entra em uma fase decisiva a partir de 2026, com efeitos práticos que devem se intensificar até a implantação plena do IBS e da CBS em 2027.

Embora não preveja redução da carga tributária, a grande promessa é a simplificação. Em um país conhecido pela complexidade fiscal, reduzir burocracia significa, na prática, reduzir custos operacionais, aumentar produtividade e liberar recursos que hoje são consumidos pela gestão de impostos.

Leia mais:

Mesmo declarando, falha pode travar restituição do IR

O peso da burocracia no dia a dia das empresas

Estudos amplamente citados por economistas e pelo governo indicam que empresas brasileiras gastam, em média, 1.500 horas por ano apenas para calcular, apurar e pagar tributos. Esse tempo excessivo se traduz em custos elevados com equipes fiscais, sistemas paralelos e retrabalho constante para acompanhar mudanças na legislação.

Com a consolidação de tributos sobre o consumo em um modelo mais racional, a expectativa é que esse esforço seja drasticamente reduzido, permitindo que empresas direcionem energia para inovação, expansão e geração de riqueza.

Impacto econômico esperado da reforma tributária

A simplificação do sistema não é apenas uma questão administrativa. Ela tem potencial direto de impacto macroeconômico.

Projeções de crescimento do PIB

As estimativas mais citadas apontam que a reforma pode gerar um crescimento adicional do PIB entre 12% e 20% ao longo de 15 anos. Estudos mais conservadores também indicam ganhos relevantes:

  • O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima um ganho acumulado de 2,39% até 2032, em relação ao cenário sem reforma.
  • Pesquisas da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o PIB potencial do país pode crescer até 8%, apenas com melhor alocação de recursos.

Esses números reforçam que o principal motor da reforma é a eficiência econômica, não o aumento de arrecadação.

2026 é ano de teste, mas não de espera

Apesar de o novo sistema entrar em vigor de forma plena apenas nos próximos anos, 2026 já é um período estratégico. A alíquota de teste de 1% — sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS — tem como objetivo calibrar sistemas, processos e integrações.

Segundo Lucas Sousa, gerente comercial da GestãoClick, o ganho imediato não é financeiro, mas operacional. A previsibilidade oferecida pelo período de testes permite que empresas se adaptem sem o risco de multas e caos administrativo no futuro.

“A reforma tributária não cria problemas; ela apenas tira o tapete onde a sujeira da gestão estava escondida”, afirma Sousa, ao alertar que a falta de organização prévia pode custar caro.

Empresas ainda não estão prontas

Dados recentes da GestãoClick revelam um cenário preocupante. Cerca de 97% das empresas não se sentem preparadas para a reforma, e quase 70% ainda não iniciaram qualquer adaptação prática.

O fenômeno é descrito como “paralisia por análise”: o empresário sabe que será impactado, mas não consegue dimensionar como nem por onde começar. O risco não está na nova lei em si, mas na desorganização acumulada.

O que fazer agora para evitar prejuízos

Especialistas são unânimes em afirmar que não é hora de mudanças drásticas no escuro, como troca de regime tributário sem dados confiáveis. O foco inicial deve ser operacional.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Saneamento de dados e cadastros

O primeiro passo recomendado é organizar o cadastro de produtos e serviços. Erros nessa etapa tendem a se multiplicar com as novas regras, gerando problemas na emissão de notas fiscais.

Integração com contabilidade

A falta de integração entre sistemas internos e o contador é apontada como um dos principais “ralos” financeiros das empresas. Com a reforma, esse problema tende a se agravar para quem não se adaptar.

Redução de retrabalho

Segundo Sousa, “a emissão de notas precisa ser mecânica e precisa”. O retrabalho consome margem de lucro hoje e pode se tornar insustentável quando o novo sistema estiver plenamente ativo.

Uma reforma que já é realidade

Mesmo em fase de testes, a reforma tributária já produz efeitos concretos. Ela expõe fragilidades na gestão, exige maior controle de dados e premia empresas organizadas com eficiência e previsibilidade.

O grande ganho, ao menos neste primeiro momento, não está em pagar menos impostos, mas em parar de desperdiçar recursos para pagá-los. Para quem se antecipa, a reforma deixa de ser ameaça e passa a ser oportunidade.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Jessica Cassana

Autor

Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

Topicos relacionados