Aprovada em 2023, a reforma tributária promete modificar profundamente o funcionamento do sistema de impostos no Brasil. Uma das transformações mais sensíveis envolve o impacto nas micro e pequenas empresas (MPEs) que operam sob o regime do Simples Nacional.
Reforma tributária: novo IBS e CBS pode impactar empresas do Simples Nacional
Entenda como o novo IBS e CBS da reforma tributária pode afetar o Simples Nacional. Veja aqui se sua empresa deve migrar. Leia agora!!!!
Embora o modelo simplificado tenha sido mantido, especialistas já apontam que ele poderá se tornar menos vantajoso para negócios que vendem para outras empresas (B2B). Isso se deve à forma como os créditos tributários serão tratados com os novos tributos CBS e IBS.

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Mudança para o Simples Nacional: Entendendo a reforma tributária
O que são CBS e IBS?
Com o objetivo de unificar e simplificar a cobrança de impostos sobre o consumo, a reforma criou dois novos tributos:
- Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), em nível federal, que substituirá o PIS, Cofins e IPI;
- Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, que substituirá o ICMS e ISS.
Essa estrutura, conhecida como IVA dual, segue o padrão adotado em diversos países, priorizando a não cumulatividade e a transparência da tributação.
Calendário de transição
A mudança não será imediata. A transição dos tributos atuais para os novos impostos se dará gradualmente entre 2026 e 2033, conforme cronograma definido na emenda constitucional. Durante esse período, haverá a convivência entre os modelos antigo e novo, exigindo planejamento cuidadoso por parte das empresas.
Simples Nacional permanece, mas com ressalvas
O que muda para empresas do Simples?
A reforma preservou o regime do Simples Nacional, que unifica impostos em uma guia única e facilita o recolhimento para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano. No entanto, surgiu uma nova alternativa: o Simples Nacional Híbrido.
Nesse modelo, a empresa pode continuar no Simples para alguns tributos (como IRPJ e CSLL), mas opta por recolher a CBS e o IBS no regime normal, com direito a aproveitamento de créditos tributários.
O impacto da mudança para quem vende para empresas
Para empresas que atuam no modelo B2B, ou seja, que vendem para outras empresas, essa alteração é significativa. O motivo? As empresas compradoras não poderão aproveitar créditos de CBS e IBS nas aquisições feitas com fornecedores do Simples Nacional tradicional. Isso pode torná-las menos atrativas.
Especialistas já alertam que muitas dessas empresas precisarão repensar sua estratégia de tributação para manter a competitividade.
Desafios para quem permanece no modelo atual
Redução de competitividade no mercado B2B
Empresas que permanecem integralmente no Simples Nacional deixam de gerar créditos fiscais aos seus clientes. Isso tende a afetar diretamente sua posição no mercado, pois compradores buscarão fornecedores com possibilidade de recuperar créditos.
Exemplo prático: o fornecedor invisível
Imagine uma empresa que vende para um supermercado. Se ela estiver no Simples, o supermercado não poderá aproveitar os créditos da CBS e IBS. Isso pode levar o supermercado a preferir outro fornecedor que esteja fora do Simples, mesmo que tenha um preço ligeiramente maior, mas que gere crédito.
Regime híbrido: alternativa ou complicação?
Como funciona o Simples Nacional Híbrido
A empresa permanece no Simples para alguns tributos, mas recolhe CBS e IBS fora. A vantagem está no direito ao crédito fiscal, o que melhora a atratividade no mercado B2B. No entanto, o novo modelo exige maior estrutura contábil, similar ao Lucro Presumido.
O risco de mais complexidade
Especialistas alertam que, para muitas MPEs, a simplicidade do Simples Nacional pode desaparecer com essa opção híbrida. A nova estrutura pode demandar mais investimento em contabilidade, aumento de custo operacional e maior risco de erros fiscais.
Empresas B2C: estabilidade no radar
Para empresas que vendem diretamente ao consumidor final (modelo B2C), o cenário é outro. Como o cliente final não se beneficia dos créditos tributários, a manutenção no Simples continua sendo vantajosa.
Victor Tavolaro Barbieri, do Polycarpo Advogados, afirma que para esse grupo “as faixas de faturamento e alíquotas serão mantidas”, com impacto reduzido. As mudanças ocorrerão basicamente na substituição dos tributos dentro da guia de recolhimento.
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Simulações fiscais serão essenciais
Avaliação caso a caso
Empresas precisarão realizar simulações comparativas entre diferentes regimes. O tributarista Raphael Okano Oliveira, do CTM Advogados, recomenda que os empresários analisem o perfil de seus clientes e avaliem qual modelo será mais eficiente em termos de carga tributária e margem de lucro.
Impacto para quem fatura próximo ao teto
Empresas com faturamento entre R$ 3,6 e R$ 4,8 milhões devem ter ainda mais cuidado. Segundo Leonardo Aguirra, do Andrade Maia Advogados, nessas faixas a alíquota total pode chegar a 19%. Já no regime regular, dependendo do uso de créditos e da estrutura de custos, a carga tributária pode ser menor.
O papel dos contadores e consultores fiscais
Planejamento tributário antecipado
Contadores terão papel fundamental na orientação das MPEs. A análise precisa de cenários futuros e o acompanhamento da regulamentação complementar serão decisivos para uma escolha acertada do regime.
Entre as ações recomendadas, destacam-se:
- Avaliar se os principais clientes são empresas que exigem créditos fiscais;
- Analisar a estrutura de custos e a possibilidade de aproveitamento de créditos;
- Simular a carga tributária no modelo híbrido;
- Monitorar a legislação infraconstitucional em tramitação.
A importância da capacitação
O novo cenário tributário demandará capacitação contínua. Empresas e escritórios de contabilidade terão que se atualizar para lidar com uma legislação em transformação e com obrigações acessórias mais exigentes.

A reforma tributária trouxe avanços importantes na racionalização do sistema de tributos sobre o consumo. No entanto, também colocou micro e pequenas empresas diante de um novo dilema: permanecer no Simples Nacional, com possíveis desvantagens comerciais, ou migrar para o modelo híbrido, mais complexo, mas potencialmente mais competitivo.
Empresas que atuam com vendas para outras empresas precisarão repensar seus modelos fiscais e logísticos. Já os negócios focados no consumidor final terão um caminho mais estável, mas ainda assim devem acompanhar a regulamentação e realizar simulações periódicas.
O momento é de planejamento e decisão estratégica. Antecipar-se às mudanças poderá evitar perdas de mercado e contribuir para a sustentabilidade financeira no novo ambiente tributário. Os próximos meses serão decisivos para a adaptação de milhares de empresas em todo o país.
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