Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Reforma tributária avança: 123 empresas participam de piloto do IBS

CGIBS inicia projeto piloto do IBS com 123 empresas para testar o Sistema de Apuração Assistida e avançar na reforma tributária.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
reforma tributária

A implementação da reforma tributária sobre o consumo deu mais um passo relevante no início de 2026. O Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) divulgou a lista das 123 empresas selecionadas para participar da fase inicial do projeto piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS. A iniciativa começa oficialmente nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, e marca um momento estratégico na transição para o novo modelo de tributação no Brasil.

O IBS é o tributo criado pela reforma tributária para substituir impostos sobre o consumo atualmente existentes, com o objetivo de simplificar a cobrança, reduzir distorções e aumentar a transparência do sistema. O projeto piloto surge como uma etapa essencial para garantir que a mudança ocorra de forma gradual, segura e tecnicamente validada antes de sua aplicação plena em todo o país.

Leia mais:

Reforma Tributária 2026: prazo crítico para empresas evitarem paralisação

O que é o projeto piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS

Objetivo da fase inicial

O projeto piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS tem como principal finalidade testar a solução tecnológica que será responsável pela apuração do novo imposto. Durante um período de três meses, o sistema será avaliado em ambiente real, porém sem qualquer impacto financeiro para as empresas participantes.

Nesta primeira fase, será aplicada uma alíquota simbólica de 0,1%, exclusivamente para fins de simulação. Não haverá cobrança efetiva nem geração de obrigações fiscais adicionais, o que permite que empresas e órgãos públicos testem o funcionamento do sistema com segurança.

Desenvolvimento da solução tecnológica

A plataforma utilizada no projeto piloto foi desenvolvida pelo Estado do Rio Grande do Sul, com apoio técnico de outros Estados e municípios. A proposta é criar um sistema nacional robusto, capaz de lidar com o grande volume de dados fiscais gerados diariamente no país.

A expectativa é que, quando plenamente implementado, o sistema seja capaz de validar documentos fiscais do IBS em todo o território nacional, com um processamento anual estimado em cerca de 70 bilhões de transações.

Critérios de seleção das empresas participantes

Qualidade e consistência dos dados fiscais

A escolha das 123 empresas que integram o projeto piloto não ocorreu de forma aleatória. Um dos principais critérios considerados pelo CGIBS foi a qualidade das informações destacadas nos Documentos Fiscais Eletrônicos (DF-e). Empresas com histórico consistente de emissão correta de documentos fiscais tiveram maior chance de seleção.

Representatividade econômica e diversidade

Além dos critérios técnicos, o comitê buscou garantir diversidade econômica e geográfica entre os participantes. Foram considerados fatores como volume de operações, setores de atuação, porte das empresas e presença em diferentes regiões do país.

Essa diversidade é considerada fundamental para testar o sistema em múltiplos cenários e identificar eventuais ajustes necessários antes da expansão do projeto.

Adesão voluntária e colaborativa

A participação no projeto piloto é voluntária, gratuita e de caráter exclusivamente colaborativo. As empresas selecionadas não assumem obrigações adicionais nem sofrem penalidades em razão de sua participação. O objetivo é construir o sistema de forma conjunta, com base em dados reais e na experiência prática dos contribuintes.

Regulamentação e base legal do projeto

Portaria 85/25 e comunicado oficial

O projeto piloto foi regulamentado pela portaria 85/25, que estabelece as diretrizes gerais da iniciativa. Os critérios de seleção das empresas e os detalhes da fase inicial foram apresentados no comunicado oficial nº 1 do CGIBS, publicado em novembro.

Esses documentos definem o escopo do projeto, os prazos, os objetivos técnicos e o caráter experimental da iniciativa, reforçando que não haverá efeitos fiscais para os participantes durante a fase de testes.

Atuação do Pré-Comitê Gestor do IBS

O projeto piloto integra a estratégia definida pelo Pré-Comitê Gestor do IBS, formalizada na resolução 1/25. Essa estrutura provisória foi criada para viabilizar o desenvolvimento antecipado dos sistemas necessários à implementação do novo tributo, enquanto o Comitê Gestor definitivo é estruturado.

A medida permitiu que o cronograma da reforma tributária fosse mantido, evitando atrasos na criação das bases tecnológicas do IBS.

Impactos esperados para a reforma tributária

Preparação para o uso em larga escala

O ambiente de testes do Sistema de Apuração Assistida do IBS tem como foco principal identificar falhas, oportunidades de melhoria e ajustes necessários nos fluxos de informação. A partir dos resultados do piloto, o CGIBS poderá aprimorar o sistema antes de sua utilização em larga escala.

Essa etapa é vista como essencial para garantir estabilidade, segurança da informação e eficiência operacional no novo modelo de tributação.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Ampliação do projeto no segundo trimestre

Após a conclusão da fase inicial, a expectativa do CGIBS é ampliar o número de empresas participantes no segundo trimestre de 2026. Essa expansão permitirá testar o sistema com um volume ainda maior de dados e operações, aproximando-o cada vez mais da realidade que será enfrentada quando o IBS estiver plenamente em vigor.

O que muda para empresas e contribuintes

Mais transparência e padronização

Com a implementação do IBS e do Sistema de Apuração Assistida, a tendência é que haja maior padronização na apuração do imposto sobre o consumo. Isso pode reduzir divergências interpretativas, diminuir litígios e facilitar o cumprimento das obrigações tributárias.

Redução de custos no longo prazo

Embora a transição exija adaptação dos sistemas internos das empresas, especialistas avaliam que, no longo prazo, o novo modelo pode reduzir custos operacionais relacionados à apuração de tributos, especialmente para empresas que atuam em vários Estados.

Próximos passos da implementação do IBS

Ajustes técnicos e normativos

Com base nos resultados do projeto piloto, o CGIBS deverá promover ajustes técnicos na plataforma e, se necessário, propor aperfeiçoamentos normativos. O objetivo é garantir que o sistema esteja plenamente alinhado às regras da reforma tributária e às necessidades dos contribuintes.

Consolidação do novo modelo tributário

O projeto piloto representa uma etapa decisiva na consolidação do IBS como principal tributo sobre o consumo no país. Ao antecipar testes e envolver empresas desde o início, o governo busca reduzir riscos e aumentar a previsibilidade da transição tributária.

A expectativa é que, ao final do processo, o Brasil conte com um sistema mais simples, transparente e eficiente, capaz de apoiar o crescimento econômico e melhorar o ambiente de negócios.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Freepik/ Canva – Edição: Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados