Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Reforma Tributária: Split Payment fica só para 2027 e exclui o consumidor; entenda

A Reforma Tributária prevê o split payment a partir de 2027, com início opcional e sem impacto ao consumidor. Entenda como funcionará.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
reforma tributaria Freepik (1)

O governo confirmou que o sistema de split payment, previsto na Reforma Tributária, só será implementado de forma plena após 2027. Segundo o gerente do Projeto de Implantação da Reforma na Receita Federal, Marcos Hübner Flores, o mecanismo de recolhimento automático de tributos começará de forma opcional e por etapas, concentrando-se inicialmente nas transações entre empresas (B2B).

A medida faz parte do esforço para modernizar o sistema tributário brasileiro e tornar o recolhimento mais transparente e eficiente. Entenda a seguir como será essa transição e o que muda na prática para empresas e consumidores.

Leia mais: Empresas devem atualizar cadastros fiscais com nova reforma

O que é o Split Payment na Reforma Tributária

split payment
Imagem: Freepik

O Split Payment é uma das principais inovações da Reforma Tributária do consumo. O modelo prevê que, no momento em que uma transação financeira é liquidada, o valor dos tributos devidos — a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) — seja automaticamente direcionado aos cofres públicos.

Hoje, o recolhimento desses impostos depende do contribuinte, o que pode gerar atrasos e inconsistências. Com o novo sistema, o processo será automatizado, reduzindo fraudes e garantindo maior previsibilidade na arrecadação.

Implementação gradual até 2027

De acordo com a Receita Federal, a implementação do Split Payment seguirá três fases distintas:

  1. Primeira fase (2027) – uso facultativo no mercado B2B, permitindo que empresas adotem o modelo conforme sua estrutura tecnológica.
  2. Segunda fase – o sistema passará a ser obrigatório para transações entre empresas, quando houver maturidade operacional.
  3. Terceira fase – expansão para o mercado consumidor (B2C), após testes e estabilidade nos estágios anteriores.

Ainda não há data definida para as fases dois e três. Segundo Marcos Hübner Flores, o cronograma dependerá da adaptação do mercado e dos prestadores de serviço financeiro.

Adaptação das instituições financeiras

O avanço da Reforma Tributária exige adaptação tecnológica das instituições financeiras. Elas deverão atualizar seus sistemas para processar o split payment em todas as formas de pagamento eletrônico, desde cartões até transferências instantâneas.

Flores destacou que o governo não esperará que todas as instituições estejam prontas para aplicar o sistema, mas sim que a maioria esteja apta. Essa estratégia visa equilibrar a implementação gradual com a necessidade de garantir confiabilidade e segurança no recolhimento automático.

Objetivos e benefícios do novo modelo

A Reforma Tributária, ao adotar o Split Payment, busca eliminar gargalos históricos do sistema brasileiro. Entre os principais benefícios esperados estão:

  • Redução da sonegação fiscal, com o recolhimento automático;
  • Simplificação tributária, substituindo diversos tributos por CBS e IBS;
  • Previsibilidade nas finanças públicas, com fluxo contínuo de arrecadação;
  • Segurança para empresas, ao eliminar etapas manuais de recolhimento;
  • Transparência e rastreabilidade, garantindo maior controle para o Fisco.

Essas mudanças fazem parte da proposta mais ampla de modernização do sistema, que também prevê unificação de tributos e criação de um regime de transição entre 2026 e 2032.

Impactos para o consumidor final

O Split Payment não afetará diretamente o consumidor no curto prazo. Nas fases iniciais, o modelo será restrito ao mercado corporativo (B2B), sem interferir nos preços ou na forma de pagamento das compras comuns.

Somente em etapas posteriores — e após a consolidação do sistema entre empresas — é que o governo pretende ampliar a aplicação para o consumidor final (B2C). Mesmo nesse cenário, a expectativa é que as mudanças ocorram de maneira invisível para o público, sem alterar a experiência de compra.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Desafios para a implementação

Apesar dos avanços, o Split Payment apresenta desafios. O principal deles é a complexidade técnica necessária para integrar sistemas bancários e plataformas de pagamento ao modelo automatizado de arrecadação.

Outro ponto sensível é a capacitação das empresas, especialmente as de pequeno e médio porte, que precisarão adaptar seus processos contábeis e operacionais. Especialistas alertam que o sucesso da implementação dependerá da cooperação entre governo, Receita Federal e setor financeiro.

Próximos passos da Reforma Tributária

Enquanto o sistema é testado, o grupo de trabalho responsável pela Reforma Tributária segue desenvolvendo as bases operacionais do split payment e avaliando ajustes necessários.

A Receita Federal deve publicar regulamentações complementares ao longo de 2026, detalhando prazos, obrigações e mecanismos de fiscalização. O governo também pretende promover testes-piloto com grandes empresas e bancos para garantir que o sistema esteja pronto para a etapa de 2027.

Perspectiva econômica e política

Reforma Tributária explicada: etapas do CBS e IBS até o IVA dual
Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock.com

A implementação do Split Payment ocorre em um momento de reestruturação fiscal e política. O governo federal vê o mecanismo como uma forma de fortalecer a arrecadação sem aumentar a carga tributária, otimizando os processos de cobrança.

Economistas avaliam que o novo modelo pode representar uma mudança estrutural no sistema de arrecadação, aproximando o Brasil de práticas adotadas em países da União Europeia. No entanto, alertam para a necessidade de garantir simplicidade operacional e segurança jurídica, fatores essenciais para o sucesso da Reforma Tributária.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

Topicos relacionados