Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Influencers que divulgam bets irregulares entram no radar da Receita

A regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil ganhou um novo capítulo com a publicação da Portaria MF nº 1.766/2026. A nova regra amplia o alcance da fiscalização tributária e pode impactar diretamente influenciadores digitais, além de pessoas físicas e jurídicas que participem da divulgação de operadores de apostas não autorizados. Pela norma, esses […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 5 min de leitura
Influenciadores

A regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil ganhou um novo capítulo com a publicação da Portaria MF nº 1.766/2026. A nova regra amplia o alcance da fiscalização tributária e pode impactar diretamente influenciadores digitais, além de pessoas físicas e jurídicas que participem da divulgação de operadores de apostas não autorizados. Pela norma, esses envolvidos poderão ser responsabilizados solidariamente pelos tributos relacionados à atividade irregular.

A medida representa um endurecimento da fiscalização sobre toda a cadeia econômica das chamadas “bets”, indo além das próprias plataformas de apostas. Influenciadores digitais, afiliados, agências de marketing e até instituições financeiras podem ser atingidos caso continuem colaborando com operações irregulares após notificação oficial das autoridades.

Leia mais:

Caixa abre prazo para solicitar saque de até R$ 6.220

O que muda com a Portaria MF nº 1.766/2026?

Influenciadores
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A Portaria MF nº 1.766/2026, publicada pelo Ministério da Fazenda, regulamenta a responsabilidade tributária envolvendo a exploração irregular de apostas de quota fixa.

Na prática, a norma estabelece que diferentes participantes da cadeia econômica podem responder solidariamente pelos tributos devidos quando houver colaboração com operadores sem autorização federal.

A medida busca fortalecer a fiscalização do setor regulamentado e reduzir a atuação de empresas que operam fora das regras estabelecidas pela legislação brasileira.

Quem pode ser responsabilizado?

A nova regulamentação amplia significativamente o alcance da responsabilização.

Entre os principais envolvidos estão:

Influenciadores digitais

Criadores de conteúdo remunerados para divulgar casas de apostas sem autorização federal poderão responder solidariamente pelos tributos relacionados à atividade irregular.

Isso vale para campanhas publicitárias, publicações patrocinadas, vídeos promocionais e outras ações comerciais realizadas mediante remuneração.

Afiliados

Profissionais que recebem comissão por indicar novos usuários para plataformas de apostas ilegais também passam a integrar o grupo potencialmente responsabilizado.

Esse modelo de negócios é bastante comum no mercado de apostas e pode envolver pagamento por cadastro, depósito ou volume de apostas realizadas pelos usuários indicados.

Agências de marketing

Empresas responsáveis pela criação e execução de campanhas publicitárias também poderão ser alcançadas pela regulamentação quando participarem da promoção comercial de operadores irregulares.

Instituições financeiras e de pagamento

Bancos, fintechs e instituições de pagamento continuam sujeitos à responsabilização caso mantenham transações relacionadas às apostas ilegais após comunicação oficial realizada pelos órgãos competentes.

Como funciona a notificação?

A Portaria determina que a comunicação às instituições financeiras será realizada conjuntamente pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e pela Receita Federal.

Após receberem a notificação oficial, essas instituições terão prazo de 24 horas para adotar medidas destinadas a impedir novas transações vinculadas à exploração irregular de apostas.

O objetivo é interromper rapidamente o fluxo financeiro das operações consideradas ilegais.

A responsabilização é automática?

Não.

A própria Portaria prevê que eventual responsabilização ocorrerá por meio de procedimento administrativo fiscal.

Isso significa que os envolvidos terão garantidos os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa antes de qualquer decisão definitiva.

Cada caso deverá ser analisado individualmente pelas autoridades fiscais.

Por que o governo endureceu a fiscalização?

O mercado brasileiro de apostas passou por profundas mudanças após a regulamentação das apostas de quota fixa.

Com a criação de regras específicas para autorização das empresas, o governo busca:

  • combater operadores clandestinos;
  • aumentar a arrecadação tributária;
  • proteger consumidores;
  • reduzir fraudes financeiras;
  • garantir concorrência mais equilibrada entre empresas autorizadas.

A responsabilização de toda a cadeia econômica funciona como um mecanismo para desestimular a promoção de plataformas que atuam sem autorização federal.

O que os influenciadores devem fazer?

Especialistas em direito digital e tributário recomendam que influenciadores adotem maior rigor antes de firmar contratos publicitários com casas de apostas.

Entre os principais cuidados estão:

Verificar a autorização da empresa

Antes de divulgar qualquer plataforma, é importante confirmar se ela possui autorização para operar no Brasil conforme as regras estabelecidas pelo Ministério da Fazenda.

Formalizar contratos

Contratos claros ajudam a definir responsabilidades entre anunciantes e influenciadores, reduzindo riscos jurídicos.

Manter registros das campanhas

Guardar contratos, comprovantes de pagamento e materiais publicitários pode ser importante em eventual procedimento administrativo.

Buscar orientação jurídica

Campanhas envolvendo setores altamente regulados, como apostas, exigem análise preventiva para evitar riscos tributários e legais.

A medida afeta apenas influenciadores?

Não.

A regulamentação alcança praticamente toda a cadeia econômica envolvida na divulgação e operacionalização das apostas irregulares.

Dependendo da participação na atividade, podem ser atingidos:

  • afiliados;
  • agências de publicidade;
  • empresas de marketing digital;
  • plataformas intermediadoras;
  • instituições financeiras;
  • instituições de pagamento.

Cada situação dependerá da análise das autoridades fiscais.

O que esperar daqui para frente?

Influenciadores
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A tendência é que a fiscalização sobre o mercado de apostas se torne cada vez mais rigorosa.

Nos últimos anos, o governo federal vem implementando uma série de medidas para consolidar um ambiente regulado, com maior controle sobre operadores autorizados e combate às plataformas clandestinas.

Para empresas, influenciadores e profissionais do marketing digital, a principal recomendação passa a ser verificar cuidadosamente a regularidade das casas de apostas antes de aceitar campanhas comerciais.

Essa postura reduz riscos tributários, evita possíveis sanções administrativas e contribui para maior segurança jurídica nas relações comerciais.

Conclusão

Conclusão

A Portaria MF nº 1.766/2026 reforça o compromisso do governo em combater a exploração irregular de apostas no Brasil ao ampliar a responsabilização para toda a cadeia envolvida na atividade. Para influenciadores, afiliados, agências e demais profissionais do setor, a principal mudança é a necessidade de verificar a regularidade das plataformas antes de promover qualquer campanha. Com a fiscalização mais rigorosa, influenciadores e empresas que atuam na divulgação de casas de apostas devem agir em conformidade com a legislação para evitar riscos tributários, administrativos e jurídicos.

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.