O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (17) um projeto de lei que institui a regulação das big techs no Brasil. A medida visa impor regras mais rigorosas a empresas de grande porte no setor digital, com faturamento anual acima de R$ 5 bilhões no país e R$ 50 bilhões globalmente. A iniciativa pretende aumentar a transparência, proteger a concorrência e evitar práticas anticoncorrenciais.
Lula sanciona projeto que regula atuação das big techs
Presidente Lula sanciona projeto que regula big techs no Brasil, garantindo transparência e concorrência no setor digital. Confira os detalhes.
A regulação das big techs coloca o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como principal órgão fiscalizador, com poderes ampliados para lidar com o dinamismo do mercado digital. A medida inclui a criação de uma superintendência específica para Mercados Digitais, que terá atuação semelhante à Superintendência-Geral do Cade.
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Objetivos da regulação das big techs

O projeto sancionado busca equilibrar o mercado digital e oferecer mais segurança para consumidores e empresas menores. Entre os principais objetivos da regulação das big techs estão:
- Garantir transparência nos critérios de ranqueamento e exibição de produtos;
- Impedir práticas desleais e anticoncorrenciais;
- Proteger pequenos e médios negócios frente ao poder de grandes empresas digitais;
- Criar mecanismos de fiscalização ágeis para acompanhar o crescimento rápido do setor.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que a iniciativa não está relacionada a barreiras tarifárias internacionais e destacou que a proposta começou antes das recentes tensões comerciais globais. Segundo Haddad, o objetivo é que o Estado regule um setor tão concentrado e de impacto econômico expressivo.
Empresas afetadas pela regulação das big techs
A nova lei se aplica a grandes empresas com características típicas de big tech, como economias de escala, rendimentos de rede e relevância sistêmica no mercado digital.
Entre as estrangeiras estão Google, Meta, Apple, Microsoft e Tiktok. Já as brasileiras incluem iFood, reconhecida pela forte atuação em plataformas digitais.
Critérios para classificação
O projeto define que empresas com faturamento anual acima de R$ 5 bilhões no Brasil e R$ 50 bilhões globalmente, combinados com características de mercado digital, serão consideradas de relevância sistêmica.
Esse status permitirá que o Cade imponha regras mais rigorosas, incluindo a obrigação de divulgar critérios de ranqueamento e oferta de produtos aos usuários.
Cade e a fiscalização das big techs
O Cade terá papel central na regulação das big techs, com a criação da Superintendência de Mercados Digitais. O superintendente será nomeado pelo presidente da República, com aprovação do Senado, e terá mandato de dois anos, podendo ser reconduzido.
Entre as atribuições do órgão estão:
- Designar agentes econômicos para supervisionar o mercado;
- Avaliar número de usuários, oferta de produtos e poder de mercado;
- Monitorar integrações em mercados adjacentes;
- Garantir a concorrência e evitar abuso de posição dominante.
Impactos esperados da regulação das big techs
A expectativa do governo é que a lei aumente a competitividade e a transparência, criando um ambiente mais justo para empresas de todos os tamanhos. A regulação das big techs também deve permitir que o Brasil acompanhe decisões internacionais sobre práticas anticompetitivas, trazendo maior alinhamento ao cenário global.
Especialistas afirmam que a iniciativa pode reduzir abusos de poder das grandes plataformas e facilitar a entrada de novos players no mercado digital, além de proteger consumidores de possíveis práticas injustas de ranqueamento e promoção de produtos.
Benefícios para o consumidor
- Maior transparência nos mecanismos de busca e ofertas;
- Proteção contra manipulação de preços e favoritismo;
- Estímulo à inovação de pequenos e médios empreendedores;
- Segurança jurídica para empresas nacionais e estrangeiras.
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Expectativa de implementação
O projeto foi enviado oficialmente como lei e o governo espera que a regulação das big techs comece a ser aplicada ainda este ano. O Cade deve estruturar a Superintendência de Mercados Digitais e estabelecer os primeiros critérios de fiscalização em curto prazo.
O projeto representa um passo significativo na política de concorrência brasileira, reconhecendo a necessidade de adaptação da legislação à realidade do setor digital, que cresce de forma acelerada e exige fiscalização constante.
Contexto internacional e concorrência global
A assinatura do projeto ocorre em meio a debates globais sobre o poder das big techs e práticas anticompetitivas. Países como EUA e União Europeia já adotaram medidas semelhantes, impondo regras para garantir maior transparência, proteger consumidores e regular o mercado digital.
Segundo Haddad, o Brasil acompanha de perto essas iniciativas e busca criar uma estrutura que permita respostas rápidas a desafios regulatórios, evitando lacunas legais que possam prejudicar a concorrência.
Próximos passos da regulação das big techs

O Cade iniciará a implementação da Superintendência de Mercados Digitais, definindo agentes econômicos e estabelecendo regras detalhadas para o setor. A expectativa é que as primeiras fiscalizações e orientações aos usuários comecem nos próximos meses, fortalecendo o ambiente de negócios e garantindo maior transparência.
A regulação das big techs marca um movimento estratégico para modernizar a legislação brasileira, alinhando o país às práticas internacionais e promovendo um mercado digital mais equilibrado, competitivo e seguro.
O setor agora terá diretrizes claras para atuação, ao mesmo tempo em que consumidores e empresas menores ganham proteção contra abusos, promovendo um mercado mais justo e sustentável.
