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CEO do iFood vê risco em taxa mínima de R$ 10 no delivery

Proposta de taxa mínima no delivery gera impasse entre governo e iFood e pode afetar preços, pedidos e renda dos entregadores.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Delivery ifood

O avanço da regulamentação do trabalho em aplicativos de delivery no Brasil entrou em uma fase decisiva em 2026, mas ainda enfrenta um impasse central: a definição de uma taxa mínima por entrega. Enquanto o governo federal defende a medida como forma de garantir renda mínima e condições dignas aos entregadores, empresas como o iFood alertam para impactos negativos no volume de pedidos e, consequentemente, na renda dos próprios trabalhadores. O debate envolve interesses econômicos, proteção social e o futuro da chamada gig economy no país.

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Regulação do delivery no Brasil entra na fase decisiva

Desde 2023, o Governo Federal intensificou as discussões sobre a regulamentação dos trabalhadores por aplicativos, incluindo entregadores e motoristas. Grupos de trabalho foram formados com participação de empresas, sindicatos e representantes dos trabalhadores.

Em 2026, o tema chegou a um ponto crítico no Congresso Nacional, com propostas concretas sendo analisadas e possibilidade de votação iminente.

O que está em jogo

A regulamentação busca equilibrar três pilares principais:

  • Garantia de renda mínima para entregadores
  • Proteção social, como acesso ao INSS e seguros
  • Manutenção da flexibilidade do modelo de trabalho

Esse equilíbrio, no entanto, tem se mostrado difícil de alcançar.

Taxa mínima de entrega é o principal ponto de conflito

O maior entrave nas negociações é a proposta de criação de uma taxa mínima por entrega. Atualmente, três modelos estão em discussão:

Proposta do Governo Federal

  • R$ 10 por entrega
  • R$ 2,50 por quilômetro rodado

Proposta do relator no Congresso

  • R$ 8,50 por entrega
  • Tentativa de equilíbrio para não inviabilizar corridas curtas

Proposta das empresas (como iFood)

  • Remuneração por hora trabalhada
  • Argumento de maior previsibilidade e sustentabilidade

Segundo especialistas do setor, a escolha do modelo impacta diretamente o funcionamento do mercado.

Por que o iFood é contra a taxa mínima

O CEO do iFood, Diego Barreto, afirma que a empresa apoia a regulamentação, mas vê a taxa mínima como um obstáculo.

Impacto nos pedidos mais baratos

Pedidos de baixo valor seriam os mais afetados. Por exemplo:

  • Um pedido de R$ 20 poderia ter uma taxa de entrega de R$ 10
  • Isso representaria um aumento de 50% no custo total

Na prática, isso pode reduzir a demanda, principalmente entre consumidores de menor renda.

Redução do volume de entregas

Com menos pedidos, o efeito esperado seria:

  • Menor quantidade de corridas disponíveis
  • Redução da renda total dos entregadores
  • Impacto direto no faturamento da plataforma

Mudança no modelo de contratação

Outro efeito previsto é o aumento de entregadores contratados diretamente por restaurantes.

Hoje, mais de 60% já atuam nesse modelo, sem vínculo direto com plataformas e, muitas vezes, sem acesso a benefícios.

Governo defende “trabalho decente” e maior proteção

O Ministério do Trabalho, liderado por Luiz Marinho, tem defendido uma postura mais rígida na regulamentação.

Principais medidas propostas

  • Taxa mínima por entrega
  • Transparência nos algoritmos
  • Limite de comissão das plataformas (cerca de 30%)
  • Contribuição obrigatória ao INSS

Segundo o governo, o objetivo é corrigir distorções e garantir segurança mínima aos trabalhadores.

Críticas ao modelo atual

O ministro tem classificado o sistema atual como insuficiente, destacando:

  • Falta de proteção em casos de acidentes
  • Ausência de renda previsível
  • Dependência de algoritmos pouco transparentes

Proteção social já é parcialmente adotada pelas plataformas

Mesmo sem regulamentação obrigatória, algumas empresas já oferecem benefícios.

O que o iFood já oferece

  • Seguro contra acidentes gratuito
  • Cobertura médica de até R$ 15 mil
  • Indenização de até R$ 120 mil em casos graves
  • Auxílio de até R$ 3 mil em caso de afastamento

O seguro cobre o entregador desde a aceitação do pedido até o retorno para casa, dentro de limites estabelecidos.

Limitações do modelo atual

Apesar dos benefícios, especialistas apontam que:

  • Não há obrigatoriedade legal
  • Nem todos os entregadores têm acesso igual
  • Falta integração com a Previdência Social

Impactos econômicos da regulação

A definição das regras pode transformar profundamente o setor.

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Para os consumidores

  • Possível aumento no preço das entregas
  • Redução de promoções e pedidos baratos
  • Menor frequência de uso

Para os entregadores

  • Potencial aumento de ganhos por corrida
  • Possível redução no volume de trabalho
  • Maior acesso a benefícios sociais

Para as empresas

  • Aumento de custos operacionais
  • Necessidade de adaptação do modelo de negócio
  • Possível redução de margem

Segundo análises de mercado, um modelo com taxa fixa pode elevar os custos em até 40% em alguns casos.

O papel do Congresso e o cenário político

O projeto deve ser levado à votação ainda em 2026, mesmo sem consenso.

Divergência entre atores

  • Governo defende proteção social e piso mínimo
  • Empresas defendem flexibilidade e sustentabilidade
  • Parlamentares buscam um meio-termo viável

O debate também ganhou tom político, com críticas de ambos os lados sobre possíveis impactos econômicos.

O futuro do delivery no Brasil

O setor de delivery segue em expansão no país, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor e pela digitalização.

Além das entregas de comida, plataformas ampliam atuação em:

  • Mercado e farmácia
  • Serviços financeiros
  • Crédito para restaurantes

No caso do iFood, essas novas verticais já representam cerca de 30% da receita e crescem rapidamente.

Tendência de diversificação

A expectativa é que o modelo de negócios evolua para além do delivery tradicional, reduzindo a dependência da entrega de alimentos.

Conclusão

A regulamentação do delivery no Brasil representa um dos debates mais relevantes da economia digital atual. De um lado, há a necessidade de garantir direitos básicos e proteção social aos trabalhadores. De outro, existe o desafio de manter a viabilidade econômica de um setor que se consolidou pela flexibilidade e escala.

A definição sobre a taxa mínima será determinante para o futuro do mercado. Dependendo do modelo adotado, o Brasil pode criar um sistema mais equilibrado ou enfrentar efeitos colaterais como redução de demanda, informalidade e mudanças no perfil do trabalho.

O desfecho deve moldar não apenas o delivery, mas toda a dinâmica da gig economy no país.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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