A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em agosto de 2025, a comercialização e o uso do Glicowatch – Relógio Inteligente para Controle da Diabetes e da Pressão Arterial. O motivo?
Relógio que mede glicose é barrado pela Anvisa por falta de eficácia
Saiba por que a Anvisa proibiu relógio que promete medir glicose sem eficácia comprovada. Leia e proteja sua saúde!
Falta de comprovação científica da eficácia do produto, ausência de registro na agência e potencial risco à saúde dos usuários. A decisão reacende o debate sobre a segurança de dispositivos tecnológicos voltados para a área da saúde e os limites do marketing digital em plataformas de vendas online.
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Decisão da Anvisa

Produto sem registro e eficácia questionada
O Glicowatch, fabricado pela empresa GWF Negócios Digitais Ltda., vinha sendo comercializado em plataformas online como uma alternativa prática ao monitoramento tradicional da glicose. No entanto, segundo a Anvisa, o produto não possui registro válido no Brasil, o que significa que ele não passou por processos regulatórios que avaliem sua segurança, qualidade e eficácia.
Proibição total
Com a determinação, ficam proibidas:
- Comercialização;
- Distribuição;
- Importação;
- Propaganda;
- Uso do produto em qualquer circunstância.
Segundo nota técnica da Anvisa, o uso desse tipo de dispositivo sem validação científica pode colocar em risco a saúde de pessoas que dependem de leituras precisas para controlar a diabetes.
Riscos do uso de dispositivos não regulamentados
Monitoramento impreciso e falso controle
Para quem convive com diabetes, a medição da glicose é uma rotina crítica. A adoção de dispositivos não validados pode levar a interpretações erradas dos níveis glicêmicos, resultando em hipoglicemia ou hiperglicemia não detectadas a tempo, com consequências sérias, incluindo convulsões, coma e até morte.
Ilusão de segurança
A promessa de um “relógio inteligente” que mede glicose de forma contínua pode criar uma falsa sensação de segurança nos pacientes, levando-os a abandonar métodos comprovados de monitoramento, como o uso de glicosímetros certificados, sensores intersticiais ou medidores contínuos aprovados pela Anvisa.
Papel da Anvisa na proteção do consumidor
Como funciona o registro de dispositivos médicos
A Anvisa é responsável por autorizar a comercialização de equipamentos médicos no Brasil. Para que um produto seja aprovado, é necessário apresentar:
- Documentação técnica completa;
- Estudos clínicos comprovando eficácia;
- Dados sobre fabricação e controle de qualidade;
- Informações de rotulagem e instruções de uso.
Sem essas etapas, nenhum equipamento médico pode ser legalmente vendido ou usado no país.
Importância do selo de aprovação
Produtos devidamente registrados recebem um número de registro visível na embalagem e nas instruções. Isso garante que o consumidor está adquirindo um produto validado, seguro e eficaz.
Avanço dos smartwatches na área da saúde
Tecnologia a serviço da medicina
O uso de smartwatches e outros dispositivos vestíveis tem crescido no monitoramento de:
- Batimentos cardíacos;
- Pressão arterial;
- Qualidade do sono;
- Atividades físicas.
Alguns modelos de marcas reconhecidas vêm sendo desenvolvidos para medir a glicose por meio de sensores ópticos ou infravermelhos, mas nenhum deles obteve aprovação da Anvisa até o momento para essa função.
Promessas não cumpridas
Empresas têm explorado o marketing agressivo com promessas de monitoramento glicêmico sem picadas, mas a maioria desses dispositivos ainda está em fase de pesquisa, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, não há, até o momento, nenhum dispositivo de pulso aprovado para medição de glicose.
Marketing digital e saúde: um terreno perigoso
Vendas em plataformas online
O Glicowatch foi encontrado em sites de marketplace sem qualquer tipo de aviso regulatório, muitas vezes acompanhado de depoimentos duvidosos e garantias de resultados não comprovados.
Esses canais favorecem a disseminação de produtos irregulares, dificultando o controle por parte das autoridades sanitárias.
Responsabilidade do consumidor
É essencial que os consumidores verifiquem a procedência e o registro dos produtos de saúde antes da compra. A Anvisa mantém um portal de consulta pública onde qualquer pessoa pode verificar se um produto está regularizado:
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Como denunciar produtos irregulares
A Anvisa incentiva a população a denunciar produtos comercializados sem registro, especialmente aqueles que envolvam riscos diretos à saúde. As denúncias podem ser feitas por meio de:
- Ouvidoria da Anvisa;
- Central de Atendimento: 0800 642 9782;
- Sites e aplicativos oficiais.
Impactos da decisão no mercado
Alerta para empresas e consumidores
A medida adotada pela Anvisa é um alerta para fabricantes que tentam burlar a legislação e para consumidores que compram baseando-se apenas em propagandas.
O crescimento do comércio eletrônico exige fiscalização rigorosa e educação digital da população, especialmente em temas sensíveis como a saúde.
Possíveis penalizações
Empresas que desrespeitam a legislação podem sofrer sanções, incluindo:
- Multas administrativas;
- Interdição de atividades;
- Processo judicial por crimes contra a saúde pública.
Como se proteger de dispositivos falsos ou não autorizados

Dicas práticas
- Verifique o número de registro na Anvisa antes de comprar.
- Evite produtos com promessas milagrosas sem comprovação científica.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado.
- Busque orientação médica antes de utilizar qualquer novo dispositivo.
- Prefira lojas autorizadas e farmácias licenciadas.
Considerações finais
A proibição do Glicowatch pela Anvisa demonstra a importância do rigor regulatório no setor da saúde. Embora a tecnologia avance rapidamente, a segurança do paciente deve ser sempre prioridade. O uso de dispositivos sem comprovação científica, especialmente em doenças crônicas como a diabetes, pode colocar vidas em risco.
Consumidores devem estar atentos às promessas de soluções fáceis e verificar sempre a autorização dos produtos junto aos órgãos competentes. A responsabilidade pela saúde é compartilhada entre fabricantes, agências reguladoras e usuários.
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil
