A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (4), a proibição da comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso do Glicowatch, um relógio inteligente comercializado como dispositivo para controle da diabetes e da pressão arterial.
Relógio medidor de glicose é proibido pela Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (4), a proibição
O produto é fabricado pela GWF Negócios Digitais Ltda e vinha sendo vendido em plataformas de comércio eletrônico.
Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após constatação de que o Glicowatch não possui registro junto à agência, requisito obrigatório para a comercialização de produtos de saúde no Brasil.
A falta de comprovação científica de eficácia e segurança coloca consumidores em risco, especialmente pessoas com doenças crônicas que dependem de medições confiáveis.
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Por que o Glicowatch foi proibido

A Anvisa informou que nenhum modelo de smartwatch com função de medição de glicose e controle de diabetes possui registro na autarquia até o momento. Isso significa que nenhum desses dispositivos teve eficácia comprovada por meio de estudos clínicos e investigações científicas conduzidas de acordo com padrões internacionais.
A resolução que determinou a proibição cita que:
- O produto não apresentou evidências científicas válidas para comprovar que mede com precisão os níveis de glicose ou pressão arterial;
- A comercialização foi feita de forma irregular em plataformas de e-commerce;
- O dispositivo foi oferecido com promessas de resultados não validados, o que caracteriza propaganda enganosa.
Riscos à saúde apontados pela Anvisa
A Anvisa reforçou que o uso de equipamentos não registrados oferece sérios riscos à saúde, pois não há garantias de qualidade, precisão ou eficácia.
No caso do Glicowatch, os riscos incluem:
- Resultados incorretos de glicose: podem levar o paciente a tomar decisões erradas sobre uso de insulina ou alimentação;
- Controle inadequado da pressão arterial: aumenta o risco de complicações como infartos e AVC;
- Falsa sensação de segurança: usuários podem acreditar que estão monitorando adequadamente a doença, quando na verdade os dados não são confiáveis;
- Atraso no tratamento: resultados imprecisos podem postergar a busca por atendimento médico adequado.
“O uso desse tipo de equipamento traz riscos às pessoas que precisam monitorar o seu nível de glicose diariamente, já que seus resultados não estão validados cientificamente”, destacou a Anvisa no comunicado oficial.
Como funciona o registro de produtos na Anvisa
No Brasil, qualquer dispositivo médico ou de monitoramento de saúde precisa passar por um processo rigoroso de registro na Anvisa antes de ser comercializado. Esse processo envolve:
- Análise técnica da documentação apresentada pela empresa fabricante;
- Avaliação de estudos clínicos que comprovem a eficácia do produto;
- Verificação de segurança, com base em testes laboratoriais;
- Classificação de risco do equipamento;
- Autorização formal para venda no território nacional.
No caso do Glicowatch, nenhuma dessas etapas foi cumprida. A ausência de registro impede que a agência ateste que o produto é seguro e eficaz para uso médico.
Situação da GWF Negócios Digitais Ltda
A GWF Negócios Digitais Ltda, responsável pelo Glicowatch, não apresentou à Anvisa os documentos e estudos necessários para obtenção do registro.
A empresa também não se manifestou oficialmente sobre a proibição até o momento da publicação desta matéria.
Com a decisão, a empresa está impedida de fabricar, importar, comercializar ou divulgar o produto no Brasil. Caso descumpra a determinação, estará sujeita a multas e sanções administrativas, além de possível responsabilização criminal.
Medidas para quem comprou o Glicowatch
A Anvisa recomenda que quem adquiriu o Glicowatch suspenda imediatamente o uso do aparelho.
As orientações para consumidores são:
- Procurar orientação médica para avaliar possíveis impactos no tratamento;
- Solicitar reembolso ao vendedor ou plataforma de compra;
- Registrar denúncia junto ao Procon de sua cidade ou estado;
- Informar à Anvisa sobre estabelecimentos que continuarem oferecendo o produto.
O consumidor pode registrar a ocorrência pelo Sistema de Ouvidoria da Anvisa ou pelo telefone 0800 642 9782.
O que diz a lei sobre venda de produtos sem registro
De acordo com a Lei nº 6.437/1977, a venda de produtos sujeitos à vigilância sanitária sem registro configura infração sanitária grave. As penalidades incluem:
- Multa que pode chegar a R$ 1,5 milhão;
- Apreensão e inutilização do produto;
- Suspensão das atividades da empresa;
- Ações judiciais e responsabilização criminal.
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Alternativas seguras para controle de diabetes e pressão arterial

A Anvisa reforça que apenas dispositivos médicos registrados devem ser utilizados para monitoramento de glicose e pressão arterial. Entre as opções seguras estão:
- Glicosímetros portáteis aprovados pela Anvisa;
- Monitores de pressão digital ou manual com certificação do Inmetro e registro na Anvisa;
- Aplicativos que funcionam como diário eletrônico de glicemia e pressão, mas não realizam a medição, apenas registram valores obtidos com equipamentos validados.
Pacientes devem consultar um médico ou profissional de saúde para escolher o método mais adequado de monitoramento, especialmente no caso de doenças crônicas.
Como identificar se um produto tem registro na Anvisa
Qualquer consumidor pode verificar se um produto médico possui registro na Anvisa seguindo estes passos:
- Acesse o site oficial da Anvisa: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
- No campo de busca, selecione a opção “Produtos para Saúde”;
- Digite o nome comercial do produto ou da empresa fabricante;
- Verifique se há registro válido e se o status está “Ativo”.
Próximos passos e reforço da fiscalização
A Anvisa informou que seguirá monitorando e fiscalizando plataformas de e-commerce para coibir a venda de produtos irregulares como o Glicowatch. A agência também promete intensificar campanhas de conscientização sobre os riscos do uso de dispositivos médicos sem comprovação científica.
A operação se soma a outras ações recentes que visam combater a comercialização de suplementos, cosméticos e equipamentos de saúde irregulares no Brasil.
Considerações finais
A proibição do Glicowatch pela Anvisa reforça a importância de verificar a procedência e o registro de qualquer equipamento médico antes de sua compra e uso.
Dispositivos sem validação científica podem oferecer risco à saúde, atrasar diagnósticos e prejudicar tratamentos, especialmente no caso de doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
Consumidores devem estar atentos a promessas milagrosas e buscar sempre orientação médica, além de utilizar somente equipamentos aprovados pelos órgãos reguladores.
