Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Mensagem sobre BPC e remédios é falsa; conheça os critérios para receber o benefício

É falso que tomar determinados remédios garante o BPC. Entenda quem realmente tem direito ao benefício e como evitar golpes.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
bpc

Nos últimos dias, voltou a circular nas redes sociais uma informação de que pessoas que utilizam determinados medicamentos teriam direito automático ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A mensagem cita remédios usados no tratamento de depressão, esquizofrenia, hipertensão e outras doenças, afirmando que apenas o uso dessas medicações garantiria a aprovação do benefício pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação, porém, é falsa.

O BPC não é concedido com base no uso de um medicamento específico. O benefício depende do cumprimento de critérios previstos na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), além de análise documental, avaliação social e, quando necessário, perícia médica realizada pelo INSS.

Entender como funciona a concessão do benefício é fundamental para evitar golpes, falsas promessas e desinformação.

Leia mais:

INSS reforça revisão do BPC/LOAS; entenda as regras

O que diz a fake news sobre o BPC?

BPC
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

As publicações falsas afirmam que pessoas que fazem uso de medicamentos como antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos ou remédios para hipertensão teriam aprovação automática do BPC.

Em alguns casos, as mensagens ainda dizem que quem toma esses medicamentos poderia substituir o Bolsa Família pelo BPC de forma imediata.

Nenhuma dessas informações possui fundamento legal.

Nem o Ministério da Previdência Social, nem o INSS ou o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social divulgaram qualquer norma que relacione medicamentos específicos à concessão automática do benefício.

Como o INSS realmente analisa o pedido do BPC

O Benefício de Prestação Continuada é um benefício assistencial previsto na Constituição Federal e regulamentado pela LOAS.

Ao contrário da aposentadoria, ele não exige contribuições ao INSS. Em compensação, o cidadão precisa cumprir requisitos sociais e legais estabelecidos pela legislação.

No momento da análise, o INSS verifica diversos fatores, entre eles:

  • idade ou existência de deficiência;
  • renda familiar;
  • inscrição atualizada no Cadastro Único (CadÚnico);
  • documentação apresentada;
  • avaliação social;
  • perícia médica, quando o pedido é feito por pessoa com deficiência.

Ou seja, o uso de um medicamento pode fazer parte do histórico médico do cidadão, mas nunca será suficiente, sozinho, para garantir a aprovação.

Quem realmente tem direito ao BPC?

O benefício é destinado a dois grupos específicos.

Idosos

Podem solicitar o BPC pessoas com:

  • 65 anos ou mais;
  • baixa renda;
  • situação de vulnerabilidade social.

Nesse caso, não existe perícia médica, pois o critério principal é a idade associada à condição socioeconômica.

Pessoas com deficiência

Também podem receber o benefício pessoas de qualquer idade que possuam deficiência de longo prazo que gere impedimentos para participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Nesses casos, além da análise documental, o INSS realiza:

  • perícia médica;
  • avaliação social.

Essas duas etapas servem para verificar se a deficiência e a situação econômica atendem aos critérios da legislação.

Quais são os requisitos para receber o benefício?

Além de pertencer a um dos grupos previstos na lei, o cidadão precisa cumprir outras exigências.

Entre elas estão:

Estar inscrito no CadÚnico

O Cadastro Único deve estar atualizado. Em geral, recomenda-se atualização sempre que houver mudança na composição familiar ou, no máximo, a cada dois anos.

Comprovar baixa renda

A legislação utiliza como referência a renda familiar por pessoa.

Embora a renda igual ou inferior a um quarto do salário mínimo por integrante continue sendo um importante parâmetro legal, decisões judiciais e normas administrativas permitem que outros elementos de vulnerabilidade também sejam considerados durante a análise.

Não receber outro benefício previdenciário

Via de regra, quem recebe aposentadoria, pensão ou outro benefício permanente da Previdência Social não pode acumular o BPC.

Existem exceções previstas em lei para benefícios específicos, como assistência médica e pensões de natureza indenizatória.

Ter uma doença garante o BPC?

Não.

Essa é uma das maiores dúvidas entre os brasileiros.

Uma pessoa pode possuir uma doença grave e ainda assim não preencher todos os critérios para receber o benefício.

Da mesma forma, alguém que utiliza medicamentos diariamente não terá aprovação automática apenas por esse motivo.

O que o INSS avalia é o conjunto das informações apresentadas.

No caso das pessoas com deficiência, por exemplo, o órgão analisa se existe impedimento de longo prazo capaz de comprometer a participação social, além da condição econômica da família.

Quem toma antidepressivos pode receber o BPC?

Pode, desde que cumpra todos os requisitos legais.

O fato de utilizar antidepressivos, antipsicóticos ou qualquer outro medicamento não cria direito automático ao benefício.

Existem pessoas que fazem tratamento para depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou outras doenças e conseguem trabalhar normalmente.

Outras apresentam limitações importantes que podem justificar a concessão do benefício, desde que isso seja comprovado durante a perícia e a avaliação social.

Cada caso é analisado individualmente.

Quem recebe Bolsa Família pode pedir o BPC?

Sim.

Não existe regra que impeça uma família beneficiária do Bolsa Família de solicitar o BPC.

Caso uma pessoa da família cumpra os critérios previstos para o benefício assistencial, ela poderá apresentar o pedido normalmente.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Da mesma forma, quem já recebe o BPC também pode fazer parte de uma família contemplada pelo Bolsa Família, desde que essa família continue atendendo às regras do programa de transferência de renda.

Como os dois programas possuem objetivos diferentes, um não substitui automaticamente o outro.

Como evitar golpes envolvendo o BPC

As fake news costumam ser usadas para aplicar golpes financeiros ou roubo de dados pessoais.

Por isso, especialistas orientam que o cidadão adote alguns cuidados básicos.

Consulte apenas canais oficiais

As informações mais confiáveis estão disponíveis nos canais oficiais do Governo Federal, como:

  • Meu INSS;
  • Central 135;
  • Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social;
  • Portal Gov.br.

Desconfie de promessas fáceis

Mensagens que garantem:

  • aprovação imediata;
  • benefício automático;
  • liberação sem perícia;
  • troca automática entre Bolsa Família e BPC;

devem ser encaradas com desconfiança.

Nunca informe seus dados

Evite fornecer:

  • CPF;
  • senha do Gov.br;
  • dados bancários;
  • códigos enviados por SMS;
  • documentos pessoais

para pessoas desconhecidas ou páginas encontradas em redes sociais.

Como solicitar o BPC

Quem acredita preencher os requisitos pode fazer o pedido pelos canais oficiais.

O processo pode ser iniciado:

  • pelo aplicativo Meu INSS;
  • pelo site Meu INSS;
  • pela Central 135;
  • em uma agência do INSS, quando necessário.

Durante a análise, o instituto poderá solicitar documentos complementares e, nos pedidos relacionados à deficiência, agendar perícia médica e avaliação social.

O que fazer antes de pedir o benefício

Para aumentar as chances de uma análise sem atrasos, é importante:

  • manter o CadÚnico atualizado;
  • reunir documentos pessoais;
  • apresentar laudos e exames médicos recentes, quando houver deficiência;
  • informar corretamente todos os integrantes da família;
  • acompanhar o andamento do pedido pelo Meu INSS.

Esses cuidados ajudam a evitar exigências adicionais e reduzem o risco de demora na conclusão do processo.

Considerações finais

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A informação de que determinados medicamentos garantem aprovação automática do BPC é falsa. O benefício assistencial segue critérios definidos em lei e depende da análise individual realizada pelo INSS.

Ter uma doença, utilizar remédios de uso contínuo ou fazer tratamento médico pode fazer parte da documentação apresentada, mas nenhum desses fatores, isoladamente, assegura o direito ao benefício.

Antes de compartilhar mensagens recebidas em grupos de WhatsApp ou redes sociais, vale a pena confirmar a informação em fontes oficiais. Essa simples atitude ajuda a combater a desinformação e evita que pessoas em situação de vulnerabilidade sejam vítimas de golpes ou falsas promessas.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

Topicos relacionados