Um estudo recente do Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que a renda dos 20% mais pobres do Brasil poderia ter dobrado caso o país tivesse acompanhado o crescimento médio dos emergentes.
Renda dos mais pobres poderia dobrar com economia mais forte, diz estudo
Um estudo recente do Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que a renda dos 20% mais pobres do Brasil poderia ter dobrado caso o país tivesse acompanhado o cr
A pesquisa, conduzida por Daniel Duque, gerente da Inteligência Técnica do CLP, destaca que o avanço econômico é mais decisivo para a elevação da renda do que apenas políticas de redistribuição.
Continue lendo para entender os impactos e caminhos sugeridos pelos especialistas.
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Crescimento econômico versus distribuição de renda
Nos últimos 30 anos, o Brasil reduziu significativamente a pobreza, especialmente entre os mais vulneráveis. A pobreza extrema caiu de cerca de 30% em 1992 para menos de 5% atualmente. A pobreza intermediária, que afetava mais de 40% da população, diminuiu para aproximadamente 7%.
Segundo Duque, a melhoria da qualidade de vida decorreu de fatores como:
- Estabilização econômica e controle da inflação
- Aumento da escolaridade da população
- Valorização do salário-mínimo
- Expansão de programas de transferência de renda
Apesar desses avanços, a renda dos mais pobres ainda está abaixo do potencial. Entre 1995 e 2022, os 20% mais pobres viram sua renda crescer 57,5%, enquanto os 20% mais ricos tiveram aumento de apenas 22,1%.
Renda por faixa de população
| Faixa de renda | Crescimento 1995-2022 |
|---|---|
| 0-20% | 57,5% |
| 20-40% | 61,6% |
| 40-60% | 65,5% |
| 60-80% | 53,5% |
| 80-100% | 22,1% |
Mesmo assim, os 20% mais pobres concentram apenas 1,2% da renda total, enquanto os 20% mais ricos detêm quase 40%. A desigualdade ainda é marcada, e a pesquisa sugere que o crescimento econômico poderia alterar substancialmente esse cenário.
Impacto da carga tributária na renda
Entre 1992 e 2024, a carga tributária brasileira aumentou de menos de 25% para quase 35% do PIB. Esse aumento ajudou a financiar políticas sociais, mas também travou o crescimento econômico.
- PIB per capita brasileiro: < 1,2% ao ano
- Média mundial: > 2% ao ano
- Países emergentes de renda média-alta: 4% ao ano
Duque alerta que o crescimento limitado reduz oportunidades de emprego de qualidade e diminui a mobilidade social, afetando diretamente a renda dos mais pobres.
“Ganhamos em redução da pobreza, mas perdemos posições de renda. Menos crescimento significa menos prosperidade para os vulneráveis”, afirma Duque.
Cenários simulados para a renda
O estudo do CLP analisou diferentes cenários de crescimento e distribuição de renda:
- Crescimento médio mundial: renda dos 20% mais pobres subiria de R$ 275 para R$ 355
- Crescimento médio de emergentes: renda subiria para R$ 607
- Distribuição como países de renda média-alta: renda subiria para R$ 298
- Distribuição como países desenvolvidos: renda subiria para R$ 436
O ponto central do estudo é que o crescimento sustentado é a variável mais eficaz para elevar o piso material dos mais vulneráveis.
Desenvolvimento econômico e produtividade
Segundo Duque, o crescimento aumenta o valor do trabalho, elevando salários e renda nacional. Um ambiente econômico mais dinâmico gera mais oportunidades, incentiva o empreendedorismo e promove maior prosperidade para toda a população.
- Mais empregos de qualidade
- Maior renda disponível
- Maior incentivo ao empreendedorismo
- Expansão de negócios e inovação
O estudo reforça que crescimento econômico e políticas sociais devem caminhar juntos, mas com foco em sustentabilidade fiscal e eficiência.
Estratégias sugeridas para aumentar a renda
Para consolidar ganhos de renda e reduzir desigualdades, o estudo propõe medidas em três frentes:
1. Crescimento sustentável
- Reequilibrar a carga tributária
- Simplificar o sistema fiscal
- Aumentar produtividade
- Reduzir barreiras para investimento
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2. Proteção social eficiente
- Avaliar continuamente programas de transferência de renda
- Focar em educação, principalmente alfabetização na idade certa
- Incentivar ensino técnico e profissional integrado às cadeias produtivas
- Expandir saneamento básico para reduzir custos com doenças e aumentar presença escolar
3. Ajustes estruturais
- Revisar periodicidade e eficiência de gastos obrigatórios (previdência, salários e benefícios)
- Privatizações e venda de ativos para reduzir estoque de dívida
- Facilitar comércio externo e acordos comerciais, como Mercosul e União Europeia
- Reduzir barreiras de entrada e simplificar licenças
A importância do crescimento aliado à distribuição
O estudo evidencia que crescimento econômico e distribuição de renda se complementam. Programas sociais reduzem a pobreza imediatamente, mas é o aumento do PIB que permite ganhos estruturais de renda para toda a população.
- Crescimento gera mais empregos
- Salários acompanham produtividade
- Renda aumenta de forma sustentável
Duque ressalta que a próxima geração de políticas deve buscar um equilíbrio entre proteção social e incentivo ao crescimento, para que os mais pobres possam não apenas sobreviver, mas prosperar.
Cenário futuro para a renda no Brasil
Com base nas simulações do estudo, a perspectiva é que uma economia mais forte poderia dobrar a renda dos mais pobres, trazendo mais justiça social e mobilidade econômica. A combinação de medidas estruturais, proteção social eficiente e crescimento sustentável pode transformar a realidade de milhões de brasileiros.
- Renda dos 20% mais pobres: até R$ 607 em cenário ideal
- Redução da desigualdade: concentração de renda menor
- Oportunidades de emprego e empreendedorismo ampliadas
“Crescimento sustentado é a variável que mais eleva o piso material dos vulneráveis”, conclui Duque.
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Com informações de: InfoMoney
