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Rendimento médio dos brasileiros chega a R$ 3.270 — recorde histórico do Dieese

Rendimento médio chega a R$ 3.270, maior valor já registrado, segundo boletim do Dieese divulgado em junho de 2025.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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O rendimento médio da população brasileira alcançou um marco inédito no fim de 2024. Segundo dados do boletim Emprego em Pauta, publicado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em 13 de junho de 2025, o valor chegou a R$ 3.270 mensais no 4º trimestre, o maior já registrado pelo instituto.

Embora o dado represente uma melhora geral no poder de compra dos trabalhadores, ele também escancara as desigualdades persistentes na distribuição de renda, especialmente quando comparadas as faixas salariais mais altas e mais baixas.

Leia mais: Custo da cesta básica aumenta em 14 capitais brasileiras em março, aponta Dieese

Avanço expressivo após anos de estabilidade

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

O levantamento do Dieese mostra que entre 2014 e 2022, o rendimento médio dos trabalhadores brasileiros permaneceu praticamente estagnado. As únicas exceções ocorreram em 2020 e 2021, quando a pandemia de covid-19 afetou significativamente o mercado de trabalho, reduzindo salários e aumentando o desemprego.

Contudo, entre 2022 e 2024, houve uma recuperação consistente, com aumento acumulado de 7,5% no rendimento médio das pessoas ocupadas. O patamar atual, de R$ 3.270, representa não apenas uma retomada, mas o melhor desempenho já registrado na série histórica do Dieese.

Desigualdade salarial persiste mesmo com avanço geral

Apesar do crescimento médio dos rendimentos ser um dado positivo, o boletim do Dieese evidencia que os benefícios desse avanço foram distribuídos de forma desigual. Os brasileiros com menor renda foram os que menos sentiram a melhoria.

Para os trabalhadores na base da pirâmide — que recebem os salários mais baixos — o acréscimo médio foi de apenas R$ 76 mensais. Em contraste, os 10% com maiores rendimentos viram seus ganhos aumentarem em R$ 901, ou seja, quase 12 vezes mais que os mais pobres.

Essa disparidade demonstra que, embora o rendimento médio nacional tenha aumentado, o crescimento foi significativamente mais vantajoso para as camadas de maior poder aquisitivo.

Um terço ainda recebe até um salário mínimo

Outro dado preocupante revelado pelo Dieese é que quase 1 em cada 3 trabalhadores brasileiros ainda recebia, no fim de 2024, no máximo um salário mínimo, que atualmente está em R$ 1.412. Isso mostra que uma parcela expressiva da população ativa permanece em condição de vulnerabilidade econômica, mesmo com os dados positivos de renda média.

A situação é agravada pelo aumento no custo de vida, especialmente no que diz respeito a produtos de primeira necessidade. O boletim destaca que os preços de itens básicos subiram mais que a média da inflação, reduzindo ainda mais o poder de compra das famílias de baixa renda.

Impacto da inflação sobre os mais pobres

Os brasileiros com menor renda sentem de forma mais intensa os efeitos da inflação, especialmente porque a maior parte de seus gastos é destinada à alimentação, transporte e moradia — áreas nas quais os preços cresceram acima da média.

Esse cenário faz com que, mesmo com aumento salarial, o ganho real seja pequeno ou até nulo para a população mais pobre, alimentando um ciclo de desigualdade e precarização das condições de vida.

Propostas para combater a desigualdade de rendimentos

Diante desse cenário, o Dieese reforça a importância de políticas públicas voltadas à melhoria da renda e ao fortalecimento do mercado de trabalho formal. Em nota, o boletim afirma:

“Por isso, políticas que incentivem a criação de empregos formais, a valorização do salário mínimo e o uso de instrumentos de negociação coletiva são fundamentais para a melhoria da vida dos brasileiros”.

Essas medidas, segundo o instituto, são essenciais para reduzir as desigualdades salariais e garantir que os avanços econômicos beneficiem toda a população, e não apenas os estratos mais ricos.

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Caminhos para uma renda mais justa

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Imagem: Rafastockbr / shutterstock.com

O crescimento da renda média é um sinal de que o país está, aos poucos, se recuperando dos impactos econômicos da pandemia. No entanto, sem mecanismos que garantam uma redistribuição mais equitativa desses ganhos, o Brasil corre o risco de aprofundar desigualdades históricas.

Para especialistas, o caminho passa por:

  • Fortalecimento da legislação trabalhista
  • Valorização real do salário mínimo
  • Investimentos em educação e capacitação profissional
  • Expansão das políticas de inclusão no mercado formal de trabalho

Essas ações, combinadas, podem transformar o crescimento pontual da renda em melhorias sustentáveis e abrangentes.

Conclusão: avanço com alerta

O recorde no rendimento médio dos brasileiros é um marco importante e positivo. Mas os dados apresentados pelo Dieese também lançam um alerta: a desigualdade continua sendo um obstáculo para a justiça social e o desenvolvimento econômico do país.

Combinando crescimento econômico com políticas públicas inclusivas, o Brasil poderá não apenas celebrar números históricos, mas garantir que esses avanços cheguem a todos os brasileiros.

Com informações de: Agência Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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