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CNH sem exames reacende debate sobre fator humano na direção

Especialista alerta para riscos da renovação facilitada da CNH e defende avaliação periódica de condutores.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
CNH

O trânsito é, antes de qualquer tecnologia embarcada, uma atividade essencialmente humana. Antes dos sensores, assistentes eletrônicos e sistemas de frenagem automática, é o corpo humano que percebe, decide e reage. E é justamente nesse ponto que especialistas vêm acendendo um sinal de alerta.

O especialista em trânsito Celso Mariano criticou os rumos adotados pelo Brasil ao flexibilizar exigências na renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Segundo ele, ampliar prazos e reduzir avaliações pode representar um risco adicional em um cenário já marcado por altos índices de acidentes.

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O que mudou na validade da CNH

Com a atualização do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a validade da CNH passou a ser:

  • 10 anos para condutores com até 49 anos
  • 5 anos para motoristas entre 50 e 69 anos
  • 3 anos para condutores com 70 anos ou mais

A mudança foi apresentada como medida de simplificação, redução de burocracia e economia para o cidadão.

No entanto, especialistas questionam se o aumento do intervalo entre avaliações médicas pode comprometer a segurança viária.

O argumento central: o ser humano também precisa de “revisão”

Celso Mariano compara o condutor a um sistema essencial do veículo.

Se carros passam por revisões periódicas para garantir freios, suspensão e direção em bom estado, por que o mesmo raciocínio não se aplica ao motorista?

“O corpo e o cérebro também se desgastam”, alerta o especialista.

O desgaste humano é inevitável

Com o passar do tempo, é comum ocorrer:

  • Redução da acuidade visual
  • Reflexos mais lentos
  • Alterações cognitivas
  • Mudanças neuromotoras
  • Impactos emocionais

Muitas dessas mudanças são graduais e imperceptíveis para o próprio indivíduo.

Dados do Ministério da Saúde e da Secretaria Nacional de Trânsito indicam que fatores humanos estão presentes na maioria dos acidentes graves no país. Falhas de percepção, tempo de reação inadequado e decisões equivocadas estão entre as principais causas.

Renovação da CNH: burocracia ou prevenção?

Para o especialista, a renovação periódica da CNH sempre foi uma oportunidade estratégica de prevenção.

Exames médicos e psicológicos não têm caráter punitivo, mas preventivo. Eles ajudam a identificar:

  • Problemas visuais
  • Distúrbios neurológicos
  • Alterações cognitivas
  • Condições psicológicas que possam afetar a condução

Segundo Celso Mariano, ao ampliar os prazos, o Brasil pode estar abrindo mão de um importante mecanismo de controle.

Bom histórico no trânsito é suficiente?

Uma das propostas debatidas em diferentes esferas políticas envolve facilitar ainda mais a renovação para condutores sem infrações.

Para o especialista, essa lógica é equivocada.

Não cometer multas não significa necessariamente manter plena capacidade física e mental.

Um motorista pode:

  • Ter visão comprometida
  • Desenvolver problemas neurológicos
  • Sofrer alterações emocionais significativas
  • Enfrentar perda de reflexos

E ainda assim não ter sido multado.

O comportamento administrativo não substitui a aptidão clínica.

O Brasil e os índices de violência no trânsito

O debate ganha peso quando se observa o cenário nacional.

Segundo dados do Ministério dos Transportes e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), milhares de pessoas morrem anualmente em acidentes de trânsito no Brasil.

Organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificam os sinistros viários como uma das principais causas de morte entre jovens adultos.

Em um ambiente já complexo — com infraestrutura irregular, frota crescente e desigualdade regional — reduzir avaliações pode ser visto como um fator adicional de risco.

A lógica da simplificação versus a segurança coletiva

A flexibilização da CNH foi defendida sob argumentos como:

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  • Redução de custos para o cidadão
  • Menor burocracia
  • Desafogamento de clínicas credenciadas

No entanto, especialistas defendem que políticas públicas precisam equilibrar praticidade e segurança.

Uma decisão de impacto coletivo

Dirigir não é um ato isolado. Cada condutor compartilha vias com pedestres, ciclistas, motociclistas e outros motoristas.

Qualquer falha individual pode ter consequências coletivas graves.

A discussão, portanto, vai além da comodidade administrativa.

Exemplos práticos: quando a revisão faz diferença

Imagine um condutor que desenvolve glaucoma progressivo ao longo de oito anos. Sem exames periódicos, pode continuar dirigindo sem perceber redução significativa no campo visual.

Ou um motorista que sofre microalterações cognitivas após um evento neurológico leve. A ausência de avaliação pode manter esse condutor nas ruas sem diagnóstico.

Em ambos os casos, o risco não é intencional, mas real.

Aonde o Brasil quer chegar?

A pergunta levantada por Celso Mariano sintetiza o debate: até que ponto facilitar processos administrativos pode comprometer a segurança coletiva?

O país enfrenta o desafio de modernizar serviços públicos sem abrir mão de mecanismos preventivos.

Especialistas defendem que o foco não deve ser burocracia excessiva, mas acompanhamento responsável.

O equilíbrio possível

O debate não é binário. É possível buscar soluções intermediárias, como:

  • Avaliações médicas simplificadas, mas obrigatórias
  • Monitoramento mais frequente para grupos de risco
  • Uso de tecnologia para triagem inicial
  • Integração de dados de saúde e trânsito

O objetivo não é punir, mas proteger.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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