Na última terça-feira (20), o Senado aprovou uma proposta que promete impactar significativamente a carga tributária de empresas de 17 setores da economia e municípios com menos de 156 mil habitantes. A proposta prevê a reoneração da folha de pagamento, uma mudança que afeta diretamente a forma como as empresas contribuem para o sistema previdenciário no Brasil.
Aprovada proposta sobre reoneração da folha de pagamento; entenda os detalhes
O Senado aprovou a proposta de reoneração da folha de pagamento, impactando 17 setores da economia e pequenos municípios. Entenda!
A medida, que ainda precisa passar pela análise da Câmara dos Deputados e pela sanção presidencial, tem gerado debates acalorados entre empresários e especialistas em política fiscal. Continue a leitura para mais informações!
O que é a reoneração da folha de pagamento?
A política de desoneração da folha de pagamento foi implementada em 2011, com o objetivo de reduzir a carga tributária sobre as empresas de setores estratégicos da economia. Em vez de recolher 20% de INSS sobre a folha de pagamento dos funcionários, as empresas desses setores podiam optar por contribuir com uma alíquota entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta.
Essa mudança visava incentivar a contratação de novos empregados e diminuir os encargos trabalhistas, tornando essas empresas mais competitivas no mercado.
No entanto, a nova proposta aprovada pelo Senado visa reverter essa política, reonerando gradualmente a folha de pagamento até 2027. A medida faz parte de um esforço maior do governo para aumentar a arrecadação e equilibrar as contas públicas, especialmente em um cenário de desafios econômicos pós-pandemia.
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Como funcionará a reoneração?

A proposta aprovada no Senado estabelece uma transição gradual para a reoneração da folha de pagamento, que será implementada em três etapas:
- 2025: as empresas começarão a pagar 5% de INSS sobre a folha de pagamento;
- 2026: a alíquota sobe para 10%;
- 2027: a reoneração atinge a alíquota total de 20%, encerrando assim o período de desoneração.
Durante esse período de transição, a cobrança de impostos sobre o faturamento das empresas será gradualmente reduzida, de forma a equilibrar o impacto financeiro sobre as empresas. Um ponto importante é que a folha de pagamento referente ao décimo terceiro salário continuará integralmente desonerada durante todo o período de transição.
Impacto nos setores beneficiados
Os setores que atualmente se beneficiam da desoneração da folha de pagamento são alguns dos maiores empregadores do país, abrangendo áreas como calçados, call center, comunicação, confecção e vestuário, construção civil, transporte rodoviário de cargas e passageiros, entre outros.
Com a reoneração, esses setores terão que se adaptar a uma nova realidade tributária, o que pode levar a ajustes nas estratégias de contratação e de gestão de custos. Empresas de tecnologia da informação, por exemplo, que fazem parte dos setores beneficiados, podem enfrentar desafios adicionais na manutenção de sua força de trabalho, especialmente em um mercado altamente competitivo.
Da mesma forma, o setor de construção civil, que emprega milhares de trabalhadores, poderá ver um aumento nos custos operacionais, o que pode impactar o ritmo de novas obras e projetos.
Compensações previstas no projeto
Para minimizar o impacto negativo da reoneração, o texto aprovado no Senado inclui oito medidas compensatórias que visam recuperar a arrecadação perdida com a desoneração. Entre essas medidas estão:
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- Captura de depósitos esquecidos: a proposta prevê a captura de depósitos judiciais esquecidos em contas por mais de cinco anos;
- Repatriação de recursos: a abertura de um novo prazo para repatriação de recursos no exterior, com taxas de regularização menores;
- Regularização do Imposto de Renda: a possibilidade de regularizar pendências na declaração do Imposto de Renda, com desconto na cobrança;
- Programa de descontos: um programa que oferece descontos para empresas que tenham multas vencidas junto às agências reguladoras.
Essas medidas foram negociadas entre o governo e o Congresso e são vistas como uma tentativa de reduzir o impacto da reoneração sobre as empresas, ao mesmo tempo em que se busca manter o equilíbrio fiscal.
Desafios e próximos passos

Embora a proposta tenha sido aprovada pelo Senado, ainda há um caminho a ser percorrido antes que as mudanças entrem em vigor. A proposta precisa ser analisada e aprovada pela Câmara dos Deputados, onde poderá sofrer modificações. Além disso, a sanção presidencial é necessária para que a medida seja oficializada.
Outro desafio é a implementação das medidas compensatórias e a adaptação das empresas ao novo regime tributário. Será crucial que o governo e os setores afetados trabalhem juntos para garantir uma transição suave e minimizar os impactos negativos sobre a economia e o emprego.
Considerações finais
A aprovação da proposta de reoneração da folha de pagamento pelo Senado marca um momento importante na política fiscal brasileira. A medida, que afeta diretamente 17 setores da economia e pequenos municípios, representa um esforço do governo para aumentar a arrecadação e garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário.
No entanto, a transição para o novo regime tributário apresenta desafios significativos para as empresas, que terão que se adaptar a um aumento gradual dos custos trabalhistas. A eficácia das medidas compensatórias e a capacidade do governo de implementar a reoneração de forma equilibrada serão cruciais para o sucesso dessa política.
Imagem: lovelyday12 / shutterstock.com
