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Já participou de consórcio? Veja se você tem dinheiro parado e como sacar

Consulte agora se tem valores esquecidos em consórcio. Veja como sacar pelo SVR e evite perdas com taxas!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Caixa

Um levantamento do Banco Central (BC) revelou que brasileiros deixaram de resgatar aproximadamente R$ 2,08 bilhões em consórcios encerrados até o fim de 2024. Esse montante refere-se a valores remanescentes de cotas finalizadas cujos donos não solicitaram a devolução.

Apesar da criação de canais como o Sistema de Valores a Receber (SVR), muitos consumidores ainda ignoram esse direito, resultando em perdas significativas com taxas de permanência cobradas pelas administradoras.

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Por que há dinheiro esquecido em consórcio?

Consórcio
Imagem gerada pelo ChatGPT

Origem dos recursos remanescentes

A maioria dos valores esquecidos refere-se a saldos residuais e fundos de reserva não utilizados. No entanto, em alguns casos, os recursos abrangem créditos principais não retirados. Os motivos para o esquecimento são diversos:

  • Desatenção após o encerramento do grupo;
  • Falecimento do cotista;
  • Falta de conhecimento sobre o direito ao resgate;
  • Mudanças de endereço ou de instituição financeira.

Como funciona o fundo de reserva?

O fundo de reserva é um valor pago mensalmente por todos os integrantes do consórcio e tem como objetivo cobrir imprevistos, inadimplência ou despesas administrativas.

Quando o grupo é encerrado, o valor restante do fundo deve ser devolvido proporcionalmente aos cotistas, o que nem sempre é feito por falta de solicitação.

Preço do esquecimento: taxas corroem o valor a receber

Segundo dados do Banco Central, em 2024, cerca de R$ 948 milhões foram retidos pelas administradoras a título de taxa de permanência. Esse valor representa um aumento de 14,2% em relação ao ano anterior.

O que é taxa de permanência?

É uma cobrança imposta pelas administradoras de consórcio para manter o valor não solicitado em seus sistemas. Ou seja, quanto mais tempo o dinheiro permanece “esquecido”, menor será o montante devolvido ao participante. Essa taxa é legal, mas pouco conhecida do público.

Exemplo prático

Imagine que um cotista tenha direito a R$ 5.000 ao fim do grupo. Se ele não solicitar a devolução por 12 meses, e a administradora cobra 1% ao mês como taxa de permanência, o valor a ser recebido cai para cerca de R$ 4.400 após um ano. Esse desconto pode ser ainda maior dependendo das regras específicas de cada administradora.

Como saber se você tem dinheiro esquecido em consórcio?

Sistema de Valores a Receber (SVR)

O SVR é uma plataforma criada pelo Banco Central para que cidadãos possam consultar e resgatar valores esquecidos em instituições financeiras, incluindo consórcios. O acesso é feito por meio da Conta gov.br com nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada.

Passo a passo para consultar valores:

  1. Acesse valoresareceber.bcb.gov.br;
  2. Clique em “Acessar o SVR”;
  3. Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro);
  4. O sistema indicará se há valores disponíveis em seu CPF;
  5. Caso haja, selecione uma chave Pix para o recebimento e preencha os dados solicitados.

Importante: não informe senhas

Durante todo o processo, nenhuma senha bancária será solicitada. Caso receba ligações ou mensagens pedindo dados sensíveis, trata-se de golpe.

E em caso de falecimento do cotista?

Como herdeiros podem solicitar os valores

É possível resgatar valores de consórcio pertencentes a cotistas falecidos. Para isso, o herdeiro ou representante legal deve:

  • Acessar o SVR com sua própria conta gov.br;
  • Selecionar a opção “Consulta por terceiros”;
  • Apresentar documentos que comprovem vínculo com o falecido e habilitação legal (ex: alvará judicial ou inventário).

O processo pode levar alguns dias a mais, e a instituição poderá entrar em contato para confirmar a identidade ou solicitar documentação complementar.

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Consórcio ainda vale a pena?

Apesar da polêmica sobre valores esquecidos, o consórcio continua sendo uma modalidade de autofinanciamento atrativa para muitos brasileiros.

Vantagens do consórcio

  • Sem cobrança de juros, apenas taxa de administração;
  • Ideal para quem tem planejamento e paciência;
  • Permite adquirir imóveis, veículos, serviços ou realizar viagens;
  • Planos com condições personalizadas e prazos variados.

Comparação: consórcio x financiamento

AspectoConsórcioFinanciamento
JurosNão háAltos
Taxa de administraçãoSim, mas fixaNão se aplica
Liberação do créditoPor sorteio ou lanceImediata
Perfil idealPlanejadoresQuem tem urgência

Dica: converse com especialistas

Antes de aderir a um consórcio, consulte um consultor financeiro ou especialista em consórcios para escolher o plano mais adequado ao seu perfil e evitar problemas futuros com saldo esquecido.

O que fazer se seu dinheiro estiver “preso” em consórcio?

Cofrinho em formato de porco em frente a um quadro com vários pontos de interrogação
Imagem: Andrey_Popov / shutterstock.com

Se após consultar o SVR você identificar valores disponíveis, não adie a solicitação do resgate. Quanto antes o fizer, maior será o valor preservado. Se encontrar dificuldades, procure:

  • A administradora responsável pelo consórcio;
  • O Procon do seu estado;
  • Um advogado especializado em direito do consumidor.

Conclusão

Mais de R$ 2 bilhões estão parados à espera de seus donos nos sistemas de consórcios. O desconhecimento ou simples esquecimento tem custado caro a milhares de brasileiros, que veem parte de seus recursos ser corroída por taxas de permanência.

A boa notícia é que o processo de recuperação dos valores é simples e gratuito por meio do SVR. Faça sua consulta, evite prejuízos e, se for aderir a um consórcio, fique atento aos seus direitos e obrigações ao longo de todo o contrato.

Imagem: krakenimages – Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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