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Resposta do governo ao tarifaço de Trump é o suficiente? Entenda

Pacote emergencial de R$ 30 bi promete aliviar impactos do tarifaço dos EUA, mas especialistas pedem ações estruturais.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Dólar cai hoje com tensão Brasil-EUA e decisões do Fed no radar tarifaço

O Governo Federal anunciou, nesta quarta-feira (13), um pacote emergencial de R$ 30 bilhões para conter os impactos imediatos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros. A medida prioriza pequenos negócios e setores de alimentos perecíveis, buscando preservar cadeias produtivas e garantir fôlego para empresas exportadoras.

Segundo Wagner Pagliato, coordenador do curso de Ciências Contábeis e do MBA em Controladoria e Finanças Corporativas da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), o movimento do governo é um passo necessário, mas não suficiente para enfrentar o problema de forma duradoura.

“O pacote oferece alívio rápido de liquidez, preserva cadeias produtivas regionais e sinaliza compromisso com os setores atingidos. No entanto, sem ações estruturais e diplomáticas, o impacto será limitado e temporário”, afirma Pagliato.

Leia mais: Lula lança pacote de ações para enfrentar tarifaço dos EUA

Estrutura do pacote

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O plano do governo se apoia em um tripé: tributo, crédito e seguro.
Entre as medidas estão:

  • Linha de crédito subsidiado de R$ 30 bilhões, com juros reduzidos e prioridade para pequenos exportadores.
  • Ampliação do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), antes concentrado em grandes operações como as da Embraer, agora acessível a micro e pequenas empresas.
  • Mudança no regime de drawback, estendendo para até um ano o prazo de utilização de créditos tributários para importação de insumos.
  • Compra governamental de produtos perecíveis que seriam destinados ao mercado norte-americano, como pescados, frutas e mel.
  • Adiamento de até dois meses no pagamento de tributos federais para empresas diretamente atingidas.

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos, e muitas já sentiam os efeitos das tarifas desde julho — algumas inclusive decretando férias coletivas.

Suficiência da resposta

Pagliato alerta que a eficácia das medidas dependerá da duração do tarifaço.

“É fundamental complementar com estratégias de diversificação de mercados, fortalecimento da competitividade e negociações diplomáticas que ataquem as causas do problema, e não apenas os sintomas”, pontua.

A curto prazo, o pacote deve ajudar a manter a atividade de empresas exportadoras e evitar demissões, mas há risco de que o efeito seja passageiro se as tarifas permanecerem.

Impactos para o consumidor

Até o momento, indicadores macroeconômicos não apontam aumentos significativos de preços para o consumidor brasileiro. No entanto, Pagliato observa que o cenário pode mudar:

“O consumidor poderá enfrentar aumento de preços, sobretudo em cadeias agrícolas e em produtos que dependem de insumos encarecidos pela nova tarifa. O efeito tende a ser mais intenso quando a oferta interna não conseguir absorver o excedente antes destinado à exportação.”

O risco inflacionário também preocupa, especialmente em caso de desvalorização cambial.

“A incerteza e a perda de poder de compra podem conter o consumo. Nesse cenário, o Banco Central deve adotar cautela, evitando cortes mais agressivos na Selic enquanto houver risco inflacionário”, explica.

Cenário internacional e riscos

Tarifas tarifaço
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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O ambiente global será determinante para o sucesso do pacote. Com juros elevados nos Estados Unidos, há tendência de valorização do dólar, o que encarece importações e pressiona a inflação. Por outro lado, reduções nas taxas norte-americanas poderiam favorecer o real e ampliar os benefícios das medidas brasileiras.

Pagliato lembra que o crédito subsidiado, embora benéfico, também pode gerar efeitos colaterais:

“Se a renda não for preservada e as exportações não se recuperarem, pode haver retração no consumo e manutenção artificial de empresas pouco competitivas.”

Caminhos futuros

Especialistas defendem que o pacote seja acompanhado de iniciativas de longo prazo, como:

  • Negociações diplomáticas mais intensas com os EUA.
  • Incentivo à diversificação de mercados, reduzindo dependência das exportações para um único país.
  • Programas de inovação e produtividade para aumentar a competitividade internacional.

Enquanto isso, o setor produtivo e o governo devem manter diálogo constante para ajustar as ações conforme a evolução do cenário econômico e comercial.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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