O Governo Federal anunciou, nesta quarta-feira (13), um pacote emergencial de R$ 30 bilhões para conter os impactos imediatos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros. A medida prioriza pequenos negócios e setores de alimentos perecíveis, buscando preservar cadeias produtivas e garantir fôlego para empresas exportadoras.
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Pacote emergencial de R$ 30 bi promete aliviar impactos do tarifaço dos EUA, mas especialistas pedem ações estruturais.
Segundo Wagner Pagliato, coordenador do curso de Ciências Contábeis e do MBA em Controladoria e Finanças Corporativas da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), o movimento do governo é um passo necessário, mas não suficiente para enfrentar o problema de forma duradoura.
“O pacote oferece alívio rápido de liquidez, preserva cadeias produtivas regionais e sinaliza compromisso com os setores atingidos. No entanto, sem ações estruturais e diplomáticas, o impacto será limitado e temporário”, afirma Pagliato.
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Estrutura do pacote

O plano do governo se apoia em um tripé: tributo, crédito e seguro.
Entre as medidas estão:
- Linha de crédito subsidiado de R$ 30 bilhões, com juros reduzidos e prioridade para pequenos exportadores.
- Ampliação do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), antes concentrado em grandes operações como as da Embraer, agora acessível a micro e pequenas empresas.
- Mudança no regime de drawback, estendendo para até um ano o prazo de utilização de créditos tributários para importação de insumos.
- Compra governamental de produtos perecíveis que seriam destinados ao mercado norte-americano, como pescados, frutas e mel.
- Adiamento de até dois meses no pagamento de tributos federais para empresas diretamente atingidas.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos, e muitas já sentiam os efeitos das tarifas desde julho — algumas inclusive decretando férias coletivas.
Suficiência da resposta
Pagliato alerta que a eficácia das medidas dependerá da duração do tarifaço.
“É fundamental complementar com estratégias de diversificação de mercados, fortalecimento da competitividade e negociações diplomáticas que ataquem as causas do problema, e não apenas os sintomas”, pontua.
A curto prazo, o pacote deve ajudar a manter a atividade de empresas exportadoras e evitar demissões, mas há risco de que o efeito seja passageiro se as tarifas permanecerem.
Impactos para o consumidor
Até o momento, indicadores macroeconômicos não apontam aumentos significativos de preços para o consumidor brasileiro. No entanto, Pagliato observa que o cenário pode mudar:
“O consumidor poderá enfrentar aumento de preços, sobretudo em cadeias agrícolas e em produtos que dependem de insumos encarecidos pela nova tarifa. O efeito tende a ser mais intenso quando a oferta interna não conseguir absorver o excedente antes destinado à exportação.”
O risco inflacionário também preocupa, especialmente em caso de desvalorização cambial.
“A incerteza e a perda de poder de compra podem conter o consumo. Nesse cenário, o Banco Central deve adotar cautela, evitando cortes mais agressivos na Selic enquanto houver risco inflacionário”, explica.
Cenário internacional e riscos

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O ambiente global será determinante para o sucesso do pacote. Com juros elevados nos Estados Unidos, há tendência de valorização do dólar, o que encarece importações e pressiona a inflação. Por outro lado, reduções nas taxas norte-americanas poderiam favorecer o real e ampliar os benefícios das medidas brasileiras.
Pagliato lembra que o crédito subsidiado, embora benéfico, também pode gerar efeitos colaterais:
“Se a renda não for preservada e as exportações não se recuperarem, pode haver retração no consumo e manutenção artificial de empresas pouco competitivas.”
Caminhos futuros
Especialistas defendem que o pacote seja acompanhado de iniciativas de longo prazo, como:
- Negociações diplomáticas mais intensas com os EUA.
- Incentivo à diversificação de mercados, reduzindo dependência das exportações para um único país.
- Programas de inovação e produtividade para aumentar a competitividade internacional.
Enquanto isso, o setor produtivo e o governo devem manter diálogo constante para ajustar as ações conforme a evolução do cenário econômico e comercial.
