A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos acendeu um alerta no cenário diplomático e econômico do país. Para o especialista Philip Yang, membro sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a medida adotada por Washington não é apenas um gesto comercial, mas sim uma afronta de natureza política que exige do governo brasileiro uma resposta à altura.
Tarifaço internacional exige resposta política do Brasil, avalia especialista
Especialista defende resposta política firme do Brasil ao tarifaço de 50% imposta pelos EUA sobre produtos nacionais.
Em entrevista ao programa Poder e Mercado, Yang defende uma retaliação política imediata e coordenada, priorizando ações diplomáticas firmes antes de qualquer ajuste econômico.
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Natureza política do ataque norte-americano

Yang avalia que o aumento tarifário determinado pela gestão norte-americana é mais simbólico do que econômico. “O ataque que a gente recebe, eu acho que é um ataque de natureza política antes de ser um ataque de natureza comercial.”, pontua. Para o especialista, a iniciativa parte de uma lógica geopolítica que visa enfraquecer a posição do Brasil no cenário internacional, e por isso, precisa ser tratada como um ataque político direto.
Segundo ele, qualquer tentativa inicial de resolver o impasse por meio de negociações comerciais seria insuficiente e até ingênua. “Eu acho que a resposta também deve ser de natureza política antes de ser qualquer reação de natureza comercial econômica.
Não é que eu seja contra a negociação, mas eu acho que diante da violência política que foi imposta ao Brasil, inicialmente o Brasil tem que impor também uma resposta de natureza política de igual dureza que foi imposta a nós“, argumenta.
Retaliação espelho: tarifa de 50% para produtos americanos
Como medida imediata, Yang propõe a aplicação de uma “tarifa espelho” sobre as importações dos principais produtos dos Estados Unidos, replicando os mesmos 50% impostos ao Brasil. Essa ação, segundo ele, seria uma forma eficaz de enviar um recado claro à Casa Branca, demonstrando que o país não aceitará medidas unilaterais sem consequências.
A proposta de Yang se alinha com estratégias já adotadas por outras nações em momentos de conflito tarifário: respostas proporcionais, também conhecidas como tit for tat — ou “toma lá, dá cá”.
Embargo e apoio a exportadores brasileiros
Além da aplicação de tarifas equivalentes, o especialista sugere uma suspensão temporária dos embarques de produtos brasileiros para os Estados Unidos a partir de 1º de agosto. Essa interrupção seria acompanhada por um suporte institucional aos exportadores nacionais, ajudando-os a encontrar novos mercados e redirecionar suas operações para países parceiros.
Do mesmo modo, a entrada de mercadorias norte-americanas em território brasileiro poderia ser vetada, também a partir da mesma data. Nesse caso, Yang defende que importadores brasileiros recebam apoio para identificar fornecedores alternativos em outros mercados, reduzindo assim a dependência do comércio com os EUA.
A importância da articulação diplomática internacional
Para além das medidas unilaterais, Yang destaca a importância de uma coalizão diplomática global contra a escalada tarifária promovida por Washington. A ideia seria reunir países que também foram alvo de medidas semelhantes para formular uma resposta coordenada, aumentando a pressão internacional contra os EUA.
Ele menciona que o presidente Lula já tem mantido diálogos com líderes de outras nações, o que pode facilitar a construção de uma frente unificada. Uma declaração conjunta entre os países afetados reforçaria o isolamento político dos Estados Unidos e fortaleceria os canais multilaterais de defesa comercial.
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Mudança nos fluxos comerciais globais

Outro ponto levantado por Yang é o potencial impacto que uma retaliação internacional pode gerar na dinâmica do comércio exterior.
Caso uma coalizão seja formada, tanto os fluxos de exportação quanto de importação dos EUA podem ser afetados significativamente. Isso obrigaria Washington a rever sua postura frente à comunidade internacional, especialmente se o boicote prejudicar setores estratégicos da economia norte-americana.
O papel do Brasil como líder regional
Com um histórico de protagonismo nas negociações internacionais, o Brasil pode usar essa crise como uma oportunidade para reafirmar sua posição de liderança. Ao se posicionar de forma firme, tanto internamente quanto no cenário externo, o país não apenas defende seus interesses econômicos, mas também sua soberania política e diplomática.
A resposta, portanto, não deve se limitar a cálculos financeiros, mas considerar também o impacto simbólico de cada decisão.
Com informações de: Economia – UOL
