No centro de um debate acalorado sobre concorrência e custos operacionais, donos de bares e restaurantes declaram guerra às taxas praticadas pelo iFood.
Donos de restaurantes se revoltam contra o iFood — veja por que estão exigindo taxa zero!
Restaurantes se unem contra taxas do iFood e exigem mudanças no setor de delivery. Entenda os motivos da revolta.
A pressão por mudanças no modelo de negócios ganha força com o retorno de rivais como a 99Food e com o apoio de entidades do setor.
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Pressão crescente contra o domínio do iFood

O cenário das entregas de comida no Brasil entrou em ebulição. A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) decidiu se posicionar abertamente contra o iFood, maior plataforma de delivery do país, e convocou um boicote em resposta ao que classifica como “relações predatórias”.
Segundo Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp, “tentamos, ao longo dos últimos anos, negociar, de todas as formas, com o iFood. Porém, ela é inflexível. As taxas excessivas que pratica, inclusive, fazem com que, praticamente, os restaurantes trabalhem para ela. O monopólio não fez bem ao iFood, que estabeleceu uma relação predatória e de dominância com os parceiros”.
A federação representa mais de 500 mil estabelecimentos no estado de São Paulo, e o apelo ecoa o sentimento de grande parte do setor: a necessidade urgente de reavaliar os custos e condições impostos pelos aplicativos.
A resposta do iFood: livre mercado e suporte aos parceiros
Em nota, o iFood rebateu as acusações da Fhoresp, alegando compromisso com a livre concorrência. “Estamos comprometidos em potencializar o sucesso dos parceiros, otimizando e impulsionando cada estabelecimento cadastrado em nossa plataforma e garantindo um atendimento de qualidade”, afirmou a empresa.
A plataforma também destacou os benefícios que oferece aos seus mais de 400 mil parceiros: segurança contra fraudes, ferramentas de marketing, diferentes opções de pagamento e relatórios estratégicos. Segundo o iFood, isso tudo contribui para a visibilidade e crescimento dos negócios.
Concorrência reage com estratégia agressiva
Enquanto a insatisfação com o iFood cresce, outros aplicativos de entrega aproveitam o momento para ampliar sua fatia de mercado. Em abril, a 99Food anunciou sua volta ao país com uma proposta agressiva: taxa zero para os restaurantes parceiros.
Poucos dias depois, a Rappi revelou um investimento bilionário no Brasil e passou a isentar os estabelecimentos de taxas pelos próximos três anos, uma mudança radical, considerando que antes cobrava entre 18% e 23% por pedido.
Essa reviravolta também mobilizou a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente da entidade, Paulo Solmucci Jr., declarou: “Taxas menores para bares e restaurantes em mercado amplamente competitivo significariam preços menores. O consumidor gostaria e tem direito, obviamente, de pagar menos do que atualmente”.
Abrasel defende concorrência, mas repudia boicote
Apesar do discurso incisivo de seu presidente, a Abrasel deixou claro que não endossa o boicote promovido pela Fhoresp. Em nota oficial, a entidade declarou: “O caminho para um mercado melhor não é o boicote, mas sim a concorrência. Quando há mais opções, as condições naturalmente melhoram”.
Para a associação, estimular a entrada de novos players e garantir liberdade de escolha é mais eficaz do que interromper parcerias de forma abrupta.
Monopólio ou mercado pulverizado?
Enquanto a Fhoresp estima que o iFood concentre até 90% do mercado nacional de delivery, a Abrasel cita 80%. O iFood, por sua vez, contesta os dados, afirmando que o setor é muito mais distribuído.
Segundo a empresa, “cerca de 65% dos pedidos de delivery no Brasil ainda acontecem pelo WhatsApp, telefone e aplicativos próprios dos restaurantes”. Ou seja, na visão do iFood, o domínio não é tão absoluto como sugerem as entidades do setor.
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Essa discordância reflete uma disputa de narrativas: de um lado, empresários e entidades que se sentem reféns de uma plataforma dominante; de outro, uma empresa que busca justificar suas taxas com base em serviços agregados e no argumento de que a concorrência é viva.
A batalha por condições mais justas

No cerne da polêmica está a insatisfação com os custos das entregas. Muitos restaurantes alegam que, após descontadas as comissões do iFood, mal sobra margem de lucro. Isso compromete a sustentabilidade dos negócios, sobretudo de pequenos estabelecimentos.
A exigência de “taxa zero” não surge apenas como uma questão financeira, mas como um grito de independência e justiça comercial. Com a entrada de concorrentes como Rappi e 99Food, o setor vislumbra uma reconfiguração que pode beneficiar consumidores e empresas.
Caminhos possíveis para o setor de delivery
A insatisfação crescente sinaliza que o setor de entregas vive um ponto de inflexão. Os próximos meses devem ser decisivos para definir se o modelo de comissionamento atual se manterá ou se abrirá espaço para um sistema mais equilibrado.
As alternativas podem incluir:
- Incentivo à criação de aplicativos próprios pelos restaurantes;
- Ampliação da presença de novos concorrentes no mercado;
- Adoção de modelos híbridos, com vendas diretas e parciais via apps;
- Pressão por regulação governamental para limitar abusos.
O que está claro é que os donos de restaurantes querem mais autonomia, menores taxas e condições comerciais mais transparentes.
Com informações de: ISTOÉ DINHEIRO
